17 de junho de 2016

Brincadeira ou irritação?

Estava demorando...
Agora começou a onda de torcedor querendo a demissão do Roger Machado. Só posso pensar que isso é brincadeira ou irritação passageira de frustração pós jogo. O Roger ainda tem muito a amadurecer, começando por aprender a domar a teimosia que é a característica número um de todos os técnicos de futebol. Mas como todos eles são teimosos, já aprendemos na marra a conviver com isso.
O técnico do Grêmio é uma das melhores notícias dos últimos anos e é nele que devemos investir e acreditar. Roger é profissional para ficar três ou quatro anos no clube. Está na hora de mudar os conceitos de ficar imaginando medidas salvadoras. O torcedor mais impulsivo sempre imagina que o melhor é aquele que está fora e que chegará para produzir milagres. Isso não existe.
Já deu para ver que não é assim que funciona. O profissional precisa de um tempo para dar continuidade ao trabalho. Depois de plantar e aguardar pelo crescimento dos frutos, é que começa a melhor parte: a colheita.
Digamos que Roger saia do Grêmio, quem seria o nome melhor para substituí-lo?
Quero a continuidade do seu trabalho, mesmo reprovando alguns resultados em campo.
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Jaílson

Apesar de isso aborrecer muitos leitores, Seu Algoz estava coberto de razão ao escrever o post "O jogador de empresário" sobre o estreante Jaílson. Eu não tinha idéia sobre este menino. Mais uma boa revelação no time do Grêmio. Jogou com muita desenvoltura e naturalidade, sem sentir o peso da responsabilidade. Desta vez o "teimoso" Roger sabia o que estava fazendo.

"Bastante marcação, intensidade de jogo. 
               Chego bastante à frente, que o professor pede finalização.
                                                     É continuar trabalhando."

Foto: Lucas Uebel/Grêmio

O menino mostrou que tem futebol para fazer carreira. Mais um talento revelado pelo clube grandioso que é o Grêmio.

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MP

Com dois anos de atraso, o Ministério Público do Rio Grande do Sul ingressou com ação civil pública para cobrar da Fifa e do Internacional o valor de R$ 22,1 milhões gasto pelo governo estadual referente à instalação das estruturas temporárias no Beira-Rio para a Copa do Mundo de 2014.

"Ainda assim, mesmo não sendo do poder público a obrigação, tanto Fifa quanto Internacional se negaram a tanto, obrigando o Estado a assumir o encargo sob pena de dano irreparável, consistente na não realização dos jogos em Porto Alegre", relataram os promotores.

Isso só para lembrar que agora está chegando a conta daquilo que foi denunciado aqui neste blog antes da tal de Copa do Mundo 2014, senhores. Mais R$ 22 milhões de dívidas para somar à montanha de dinheiro já devida aos bancos.

Tem gente que come carne de segunda e arrota caviar.

E nunca aprende...

16 de junho de 2016

Avalanche Tricolor: muitos gols, boas jogadas e algumas falhas


Por Milton Jung


Chapecoense 3×3 Grêmio

Brasileiro – Arena Condá/Chapecó-SC



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Jaílson comemora com Everton em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA
 Pra quem curte futebol, foi um baita jogo. Mudança constante no placar, viradas e empates, vantagens e desvantagens. Os dois times olhando o tempo todo para a frente e visando o gol a qualquer custo. Verdade que, às vezes, a ansiedade atrapalhou-se com a bola. E a pressa tropeçou na precisão. Em nenhum momento, porém, a busca pela vitória foi abandonada.

O ataque gremista – e não me refiro apenas aos nossos atacantes – funcionou bem com a tradicional troca de passe e jogadores se deslocando com rapidez. A maior surpresa foi Jaílson, outro volante que aparece bem na frente a ponto de ter marcado o gol de empate, no fim do primeiro tempo. Um garoto que, assim como muitos que estão no time, tem personalidade suficiente para arriscar quando necessário.

Outra novidade foi a presença de Negueba no segundo tempo. A falta de entrosamento fez com que o atacante saísse antes do passe ou chegasse depois da bola em alguns momentos. Foi, porém, decisivo no gol do empate final: escapou com velocidade pela direita e colocou a bola dentro da área em condição de Giuliano completar de cabeça.

Permita-me falar, também, de Giuliano que na minha parca visão futebolística, sempre contaminada pela paixão clubística, tem sido muito importante na equipe com sua movimentação intensa e participação decisiva nos gols.

Pena que com tudo isso (e com nossas falhas na bola aérea), deixamos de somar mais dois pontos na tabela de classificação e corremos o risco de terminar a rodada uma posição abaixo daquela que estávamos quando a iniciamos.

Porém, como sou um otimista contumaz e antes que alguém comece com discursos derrotistas, devemos lembrar que a partida de hoje foi a segunda seguida fora de casa sem perder. Por este ponto de vista, somamos dois pontos. Que venham mais três no fim de semana.

15 de junho de 2016

Daniel Matador - Nos pequenos dou de prancha?

Chapecoense 3 x 3 Grêmio

O jovem Jaílson estreou como titular marcando gol no empate em Chapecó.

Caros

O lendário Capitão Rodrigo, que já foi até inspiração para post aqui no blog (clique aqui para relembrar) entoava a mítica frase "nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho". Pois o Grêmio vinha dando de talho nos grandes (venceu Galo e Urubu, empatou com Gavião e Pó-de-Arroz e só perdeu para o Porco) e dando de prancha nos pequenos (venceu Ponte Preta e Coritiba). E o jogo contra a Chapecoense era mais um para dar de prancha. Em uma região onde a predominância de tricolores é um fato, jogamos praticamente em casa, com o apoio de uma grande torcida que merece sempre ver uma vitória gremista.

Graças ao fiasco da Seleção Brasileira, sob o comando do anão raivoso que já levou um justo pé na bunda, Grohe e Walace puderam retornar a tempo de reforçar o time. Luan também voltou de suspensão e a equipe ressentia-se apenas de seu capitão Maicon, sendo que a função na volância viria a ser feita pelo jovem Jaílson e a faixa de capitão ficou com Geromel. A Arena Condá foi o palco de mais uma etapa na luta pela liderança do Brasileirão.

1º Tempo: Chapecoense 2 x 2 Grêmio

Logo aos 2 minutos, após um chutão meia-boca por parte do goleiro da Chape, Jaílson roubou a bola e tentou um chute de longe, mas a bola rebateu na zaga e saiu pela linha de fundo. Luan cobrou o escanteio, Douglas parecia que iria emendar um chutaço, mas acabou dando de chapa para o meio da área e o capitão Geromel meteu a cabeça para abrir o placar! A Chapecoense não tinha nem suado a camisa e já tomava um tirambaço na cola. Aos 16, Bruno Rangel chegou um pouco atrasado e por pouco não marcou. Mas, no lance seguinte, após cobrança de escanteio, o zagueiro William Thiego deu dois passos para trás, saiu da marcação de Walace e meteu o coco para empatar a partida. Sim, William Thiego é aquele mesmo que jogou no Grêmio há uns anos atrás. E, aos 24, o árbitro assinalou pênalti cometido por Jaílson, que o artilheiro do campeonato Bruno Rangel cobrou e converteu, virando o placar para os catarinas.

Aos 32, Douglas ganhou uma falta na entrada da área meio no grito (a bola bateu no braço do jogador da Chape, apesar de estar colado ao corpo). Luan cobrou, mas a bola acabou subindo muito. Aos 34, Edílson recebeu um passe à meia altura de Jaílson, dominou e chutou direto, com perigo. Aos 38, após cobrança de falta, Walace pegou a bola e emendou um sapato da entrada da área, passando perto da trave esquerda do arqueiro adversário. O jogo parecia encaminhar-se para uma vitória parcial da Chape, até que aos 43 minutos Douglas pifou o garoto Jaílson, que invadiu a área e marcou seu primeiro gol no time principal do Grêmio, empatando a partida! E levou até cartão amarelo por ter levantado a camisa no afã de comemorar seu gol. Após um último lance de perigo da Chape, os times foram para o intervalo.






2º Tempo: Chapecoense 1 x 1 Grêmio

Uma ação importante ocorreu no intervalo: fiz uns crepes com doce de leite argentino. Isso não tem nada a ver com o jogo, mas ficaram tão bons que achei importante compartilhar a informação. Aos cinco minutos, um chutaço de longe e quase um golaço da Chapecoense. Aos 10, Jaílson meteu um petardo de longe e quase marcou mais um, não fosse uma fantástica defesa do goleiro, que mandou para escanteio com a ponta dos dedos. Aos 14, Luan estava na iminência de invadir a área e ficar cara a cara com o goleiro, mas sofreu a falta. Antes mesmo da cobrança, Everton saiu para a estreia de Negueba com a camisa tricolor. Edílson cobrou e a bola explodiu na trave!

Aos 24, Giuliano tentou desvencilhar-se de 3 marcadores na entrada da área e chutou, mas a bola passou longe. No minuto seguinte, Luan fez grande jogada pela ponta esquerda e invadiu a área, tentando encobrir o goleiro, que conseguiu evitar o gol. Aos 26, Giuliano recebeu sozinho com o goleiro, mas cortou para fora e cruzou, com o zagueiro conseguindo voltar e desviar para escanteio. Aos 30, Thiego desviou uma bola após cobrança de falta lateral e levou perigo. E, aos 36, a LEI DO EX foi implacável: William Thiego anotou seu segundo jogo e botou a Chape na frente. Mas a alegria catarina não durou muito. Aos 38, Negueba cruzou da direita e Giuliano marcou para empatar novamente. Em seguida, Jaílson saiu para a entrada de Bobô. Aos 46, a famosa substituição para matar tempo, com Kaio entrando no lugar de Giuliano. E mais não aconteceu, com o árbitro encerrando este empatezinho cachorro em Chapecó.




Como jogaram:

Grohe: talvez pudesse ter tido maior arrojo no primeiro gol e, ao menos, ter tentado lançar-se a um dos cantos no pênalti, ao invés de ficar parado. Parece sempre voltar meio abilolado da seleção. No restante, atuação razoável. Nota 5
Edilson: foi driblado no lance que originou o pênalti da Chapecoense. Mas manteve uma boa atuação, como tem sido desde que estreou. Nota 6
Geromel: marcou gol e defendeu atrás. Mas a bola aérea defensiva preocupou novamente. Nota 7
Wallace Reis: também razoável, mas poderia auxiliar mais na bola áerea. Nota 5
Marcelo Hermes: apenas cumpriu função, apesar de não ter comprometido. Nota 5
Walace: falhou no gol de empate dos catarinas. No mais, bem na função da volância e até arriscou algumas arrancadas. Nota 5
Jaílson: uma boa estreia, que poderia ter ficado maculada por conta do pênalti cometido. Mas marcou o gol de empate e quase anotou outro. Saiu para a entrada de Bobô. Nota 7
Giuliano: outra partida em que não jogou praticamente nada. Mas fez o gol de empate. Saiu para a entrada de Kaio quando o jogo já estava nos acréscimos. Nota 5
Douglas: até tentou, mas a marcação estava implacável em cima dele. Cruzou para o gol de Geromel e fez a assistência para o gol de Jaílson. Nota 6
Everton: hoje foi mal. Não fez praticamente nada. Saiu para a entrada de Negueba. Nota 2
Luan: apagado no primeiro tempo, tentou mais no segundo. Poderia ter sido mais ousado. Nota 6

Negueba: estreou com a camisa do Grêmio. Fez o cruzamento para o gol de empate. Nota 5
Bobô: entrou no final. Sem nota.
Kaio: entrou aos 46. Sem nota.

Roger: desta fez, não acadelou-se botando zagueiros e volantes. Mas, novamente, mexeu muito ao final. Nota 4

Arbitragem: depois da ridícula arbitragem do jogo contra o Fluminense, desta vez escalaram Luiz Flavio de Oliveira (SP), auxiliado por Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Alex Ang Ribeiro (SP), para apitar o jogo em Chapecó. Afora o lance discutível do pênalti, no restante o trio foi bem e não atrapalhou.

Desta vez, o Grêmio não deu de prancha no pequeno. Só deu um tapinha. Empate com a Chapecoense, para quem almeja título, é resultado ruim, por mais que digam o contrário. No próximo domingo, no ingrato horário das 19h, o tricolor joga mais um clássico nacional, desta vez  contra o Cruzeiro, na Arena. Edílson levou o terceiro amarelo e não joga, o que é preocupante, dadas as opções do setor. Seguindo a mesma linha, tem que dar de talho para que venha a manter o objetivo de lutar pelo título.

Saudações Imortais

O ¨jogador de empresário"

Jailson

Jaílson joga hoje.
Jaílson é bom? Não sei. Nunca vi jogar mais do que poucos minutos.
Uma coisa no entanto eu sei. Jaílson já é um cidadão, um jogador estigmatizado.
"Jaílson é jogador de empresário!" gritam os arigós insanos.
Pois olhando a curta história deste menino no futebol descobri que:
  1. Tem 20 anos, ou seja, é iniciante na profissão.
  2. É filho de família muito humilde como a maioria dos jogadores são.
  3. Sempre quis ser jogador de futebol, como a maioria da garotada.
  4. Era meia mas passou a ser volante pelas suas características de marcação e porque teria mais possibilidades de sucesso.
  5. Foi emprestado o ano passado para a Chapecoense que tentou mantê-lo, mas o Grêmio não concordou.
  6. Iniciou nas durezas dos campos de Bagé, o que é uma grande, enorme credencial.
  7. Foi descoberto por um conselheiro gremista em 2014 e tem 70 % dos seus direitos federativos pertencente ao Grêmio.
Este é Jaílson. Que joga hoje. Que só saberemos se é bom ou ruim depois de uma sequência de jogos, como por exemplo teve Marcelo Hermes agora. Que é bastante elogiado internamente. Que tem um passado de dificuldades pessoais que o deixaram mais maduro. E que, no entanto, já tem um rótulo: "jogador de empresário".
Isto porque é o único jogador do mundo que tem empresário.

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O jogo hoje? Duríssimo.
Mas que poderá ser vencido se o time mantiver a mesma pegada e o mesmo futebol apresentado até aqui.
Isto tudo, claro, apesar de Roger. O treinador mais odiado do Brasil. Pelo menos por meia dúzia de arigós sedizentes torcedores do Imortal.

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Ainda sobre o "jogador de empresário" sugiro uma visita a este link.

13 de junho de 2016

Torcida gremista ou seleção: qual a mais irracional?

O post pós jogo, aliás muito bem feito pelo Daniel Matador, geralmente busca descrever os lances e ao final da descrição de cada tempo, dar uma pincelada rápida sobre o que aconteceu.
Por conta disto, e levando em conta o festival de chorumela e mimimi, resolvi escrever sobre o que vi com a atenção de quem não precisa teclar o lap top o tempo inteiro.
O Grêmio, após uns 10 minutos de ajuste, passou a controlar o jogo e o gol parecia ser questão de tempo. Para isto usou o que treinou e sabe fazer melhor: adiantou a marcação, fez trocas de passe no campo adversário à procura de uma brecha.
Tudo ia bem apesar do juiz claramente aparentar que estava em campo com uma encomenda a ser entregue.
Até o lance no Edilson. Foi falta sim, por excesso de força, como eles dizem quando é jogador do Grêmio que faz. E era falta para cartão. Ramiro de costas xinga o arigó, talvez nem sabendo que ele estava logo atrás. Mas este não perdeu tempo. Maicon foi amarelado também, e o tricolor ficou então sem um volante e com o outro pendurado.
Seguiu mandando no jogo até o final do primeiro tempo com direito a um belo gol de Marcelo Hermes, o melhor em campo.
Veio o segundo tempo e o que aconteceu:

  1. Roger postou duas linhas de quatro, o que foi correto.
  2. Levir Culpi adiantou a marcação, o que foi correto também.
  3. Como se esperava, o Fluminense meteu pressão.
  4. Como se desejava, o Grêmio resistia bem a pressão.
O jogo seguiria assim até o fim dos séculos sem empate, a não ser em jogada fortuita, que sempre pode ocorrer. E ela ocorreu, embora para mim e grande parte dos espectadores tenha havido domínio com o braço pelo atacante carioca.
E foi sair o gol e começaram os grunhidos da torcida, primeiro no twitter e depois nos comentários pós jogo.
Esta situação está ficando insana e com certeza não ajuda em nada na tranquilidade do grupo para atingir os objetivos que todos desejam.
E por que é insana? Elenco abaixo razões:
  1. O Grêmio estava sem 4 dos seus principais titulares, talvez os 4 melhores: Grohe, Walace, Luan e Miller. Que time sobrevive sem quatro jogadores deste nível no futebol brasileiro de hoje?
  2. O Grêmio tinha cinco peças importantes de reposição fora de jogo: Marcelo Oliveira, Fred, Lincoln, Henrique Almeida e Pedro Rocha. 
  3. O banco era basicamente formado por guris da base sem a mínima experiência em grandes jogos.
  4. O time e o mundo sabiam que o juiz estava louco para aprontar.
  5. Maicon, volante, já tinha amarelo e uma falta mais dura em possível contra-ataque pioraria e muito a situação.
  6. Torcedor doente nunca consegue ver méritos no time adversário. Para estes, o time joga sozinho. Do outro lado está apenas a goleira para onde a bola deve ser encaminhada. E o Fluminense é sim um time muito bom, com um grande treinador.
  7. Para encerrar as razões que comprovam a impropriedade dos xingamentos e choro, pode-se ver um time ligado no jogo, comprometido com o resultado e com forte capacidade de indignação, que era o que se pedia.
Fica então a pergunta: foi o Grêmio que se acomodou atrás ou não conseguiu sair?
Penso que a melhor resposta é os dois. Não dava para sair porque foi encaixado e também não podia arriscar muito para não dar chances ao juiz de aprontar mais alguma.
Além disto, a única opção que havia no banco para tentar a velocidade era Tilica. Um guri que ainda tem muito a aprender. Foi até tentado, mas não conseguiu nada. E não tinha ninguém com capacidade de retenção de bola para aliviar um pouco o sufoco.
Por isto, as críticas até violentas são totalmente despropositadas. E certamente causam revolta ao grupo de jogadores que está fazendo uma belíssima campanha (olhem abaixo a pontuação planejada).
Então, menos pessoal. Muito menos. Deixem os caras trabalhar que os frutos estão surgindo.


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Classificação Planejada

O Rica Perrone publica sempre o que ele chama de "verdadeira classificação" do campeonato nacional. Os detalhes esão neste link. A conta é chegar aos 72 pontos e leva em conta o adversário e o local dos jogos.
Pois a "classificação planejada" até a rodada de ontem é esta:


O Grêmio teria ganho 156% dos pontos que "planejou" ganhar. "Previa" 9 até aqui e ganhou 14. Certo que vai aparecer um retardado dizendo "mas tem que manter". Isto é óbvio, poupa teu tempo.
Para informação a quem não quiser ir no link. A "previsão" agora é de ganhar as três próximas: Chapecoense, Cruzeiro e Vitória. As duas últimas em casa. Se conseguirmos aí ...


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Seleção

Este blog é sobre o Grêmio, pelo Grêmio e para o Grêmio. Mas não posso deixar de falar meia dúzia de palavras sobre a seleção brasileira de futebol.
Deixei de torcer pela seleção em 2002 e nunca olho os jogos a não ser nas copas (sempre secando desde lá).
Pois ontem tive um pressentimento bom e resolvi olhar.
Nada surpreendeu.

  1. Temos uma federação em que o presidente não pode viajar para o exterior para não ser preso.
  2. Temos como técnico um sujeito que nunca foi técnico. Caiu (pela segunda vez diga-se) de paraquedas no cargo.
  3. Além de não ser técnico é desprovido de inteligência e um amargo rancoroso.
  4. Claramente formou-se um balcão de negócios que norteia as convocações e escalações. Como exemplo de ontem: o que justifica a convocação e escalação daquele jogadorzinho chamado Gabi Gol?
  5. Jogadores são mimados e medíocres. Ainda acham que são os melhores do mundo. Os que jogam fora são cheios de marra e esquecem tudo que aprendem nos clubes onde jogam quando vestem a camisa da seleção. Transformam-se em boçais.
  6. Ou seja, a seleção não é nada mais do que o reflexo do país.
Agora jornalistas vão cornetear e falar em mudanças profundas e blá-blá-blá. Como se acreditassem nisto. Alguma surpresa?

Enquanto isto, sigo feliz com a minha opção de torcer contra.
E mais feliz ainda porque quarta-feira Walace e Grohe estarão em campo pelo Grêmio.

12 de junho de 2016

Avalanche Tricolor: cuidado com as palavras e apuro na bola jogada


Por Milton Jung

Fluminense 1×1 Grêmio
Brasileiro – Volta Redonda/RJ


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Bobô na disputa pelo alto, em foto de Nelson Perez/Gremio.net
 O caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche sabe bem o cuidado que tenho com as palavras. Tanto porque aprecio as benditas assim como tenho medo do poder das malditas, aquelas que proferimos na emoção de um lance, no momento de explosão do gol ou diante da injustiça imposta pela autoridade em campo.

Pensei bem antes de escrever esta Avalanche, mesmo assim por várias vezes me peguei digitando algumas linhas tortas e as apaguei em seguida.

Desde que deixei as quadras de basquete, e isso faz muitos anos, decidi controlar meus gestos e emoções. Naquela época, explodia de alegria, de raiva, de choro e de indignação. Fui guerreiro mas fui injusto e descontrolado muitas vezes. Os árbitros eram meus alvos principais. E seria o árbitro meu alvo nesta Avalanche se insistisse em escrevê-la ainda sob o impacto da partida de sábado.

Convenhamos, aquele cidadão agiu de maneira um pouco estranha. Se por um lado enxergava pouco por outro ouvia demais. Os olhos toleravam o que o ouvido não aceitava; o que talvez explique não ter enxergado duas mãos na bola em um mesmo lance – e, portanto, deixado de marcar pênalti a favor do Grêmio – nem visto falta em um “carrinho temerário” quando Edílson escapava pela direita, o que provocou a reclamação de Ramiro. Seu ouvido sensível, porém, foi ultrajado com as palavras de nosso volante e, sem dó nem advertência prévia – que resultaria em um cartão amarelo – colocou-o para fora causando mais um grave prejuízo ao Grêmio.

Como disse anteriormente, porém, não quero aqui me ater a influência do árbitro nem aos motivos que o levaram a cometer tantos erros contra o Grêmio – apesar de já tê-lo feito no parágrafo anterior (eu não consigo me conter).

Prefiro olhar nossos méritos. E que méritos: lá atrás Bruno no gol, Geromel e Wallace dentro da área, Edílson e Marcelo Hermes pelas laterais, apesar do gol sofrido, foram gigantes para suportar a pressão do adversário. Lá na frente, a troca de passes que nos proporcionou o gol, mesmo quando já estávamos com “dois a menos” (se é que você me entende), foi lance de alta categoria.

Diante da área e da defesa adversária, com velocidade e precisão, Giuliano passou para Bobô que, sem pestanejar, encontrou Marcelo Hermes entrando por trás da defesa. Nosso menino da lateral esquerda deu um toque elegante embaixo da bola, fazendo-a cair dentro do gol. Coisa linda de se ver, que mostra bem o nível do futebol que temos jogado.

Neste fim de semana, ganhamos um ponto e nos tiraram dois. E quem nos tirou os pontos, levou junto a possibilidade de encerrarmos esta sétima rodada na liderança.

Se me permitem uma sugestão: independentemente das injustiças proporcionadas pelo apito, dentro de campo, vamos esquecer o árbitro e seguir jogando a bola que sabemos. A performance de nossa equipe é suficiente para nos oferecer a esperança de que logo estaremos na ponta novamente. 

11 de junho de 2016

Daniel Matador - Com essa arbitragem, empate foi lucro

Fluminense 1 x 1 Grêmio



Caros

O time de Roger viajou ao Rio de Janeiro para jogar no acanhado estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, contra o Fluminense. A cancha na terra da siderurgia (por conta da existência da CSN) comporta em média 20 mil torcedores. Para se ter uma ideia da expectativa de público que o tricolor carioca esperava, principalmente depois da saída de seu principal nome, o centroavante Fred, que reforçou o Atlético-MG. Mas o esquadrão gremista não tinha nada a ver com isso e precisava somar pontos para continuar no G4 e, se possível, continuar na luta pela liderança do campeonato.

Sem poder contar novamente com Grohe e Walace, que estão na seleção, e Luan, que levou o terceiro cartão amarelo na última rodada e cumpria suspensão, Roger repetiu a escalação de Grassi no gol e Ramiro no meio de campo, optando também por colocar Bobô como companheiro de Éverton na frente, modificando a característica do ataque. O restante da escalação foi a mesma que havia vencido a Ponte Preta no jogo anterior. Na realidade, contanto com todos os desfalques (inclusive Miller, que está na seleção equatoriana), eram 11 jogadores indisponíveis. Complicado, mas é do jogo.

Primeiro tempo
Fluminense 0 x 1 Grêmio

Logo no início, aos 4 minutos, o Fluminense já assustou com um chute cruzado e rasteiro que foi pela linha de fundo. Aos 10, Douglas deu grande passe para Bobô, que acabou concluindo para boa defesa de Diego Cavalieri. Aos 16, um chute de fora da área desferido pelo time carioca que não chegou a levar grande perigo. O Grêmio seguia na mesma toada de sempre, tocando a bola sem pressa. Aos 23, Grassi fez um verdadeiro milagre ao defender um chute à queima-roupa de Cícero.

Aos 25, Henrique meteu de forma clara a mão na bola dentro da área e o árbitro se fez de cego e mandou o jogo seguir. A famosa GARFEADA! Mas a coisa não parou por aí. Aos 34, Edílson levou um carrinho criminoso por trás e o árbitro nada marcou. Ramiro foi cobrar uma posição e foi expulso!!! Mas os deuses do futebol não estavam descansando e viram que a roubalheira estava demais. E aos 40, após receber uma bola por seu lado por conta de uma boa trama de Giuliano e Bobô , Marcelo Hermes livrou-se do marcador e deu um toquinho sutil por cima do goleiro, abrindo o placar para o tricolor! Aos 46, Gustavo Scarpa emendou um perigoso arremate de fora da área. E logo em seguida acabava um primeiro tempo onde o Grêmio, mesmo sendo escandalosamente ROUBADO, vencia parcialmente a partida.





Segundo tempo
Fluminense 1 x 0 Grêmio

Os primeiros 10 minutos foram de movimentação, porém sem riscos de ambos os lados. O tricolor, justamente por estar em desvantagem numérica, tentava cadenciar o jogo, algo que consegui fazer com certo sucesso. Aos 13, após cruzamento da direita, Jonathan cabeceou para fora. Aos 18, Bobo saiu para a entrada do garoto Jaílson. O Grêmio não conseguia avançar e repelia as jogadas dentro de seu campo de defesa. E o árbitro continuava invertendo faltas, escanteios e afins.

Aos 28, Éverton saiu para a entrada de Tilica. No minuto seguinte, após receber uma bola alçada na área, Marcos Júnior dominou a bola COM A MÃO e empatou o jogo para alegria carioca e principalmente do árbitro, que tanto esforço fez para que isso acontecesse. Aos 30, após cobrança de escanteio, outro lance de muito perigo para o tricolor do RJ. Aos 34, Douglas saiu para a entrada de Bressan. Aos 41, o Fluminense perdeu a chance de virar o placar após rebote de jogada de Magno Alves. Aos 42, quase que Tilica faz o crime, mas Cavalieri estava atento. O árbitro marcou jogo até os 50, quando apitou o final da partida e encerrou esta grande roubalheira.




Como jogaram:
Grassi: boas intervenções e uma defesa muito importante no primeiro tempo. Sem culpa no gol. Nota 7
Edílson: tomou conta da lateral direita. Boa presença defensiva, apesar de não ter contribuído no apoio como das outras vezes. Nota 7
Geromel: a segurança de sempre, apesar de que poderia ter coberto melhor no lance do gol. Nota 7
Wallace: até o momento, tem feito boa parceria com Geromel. Não compromete. Nota 6
Marcelo Hermes: fez bem a lateral e, ainda por cima, marcou um belo gol quando o time já contava com um jogador a menos e poderia abalar-se no jogo. Nota 8
Ramiro: vinha fazendo o feijão com arroz no meio de campo, até ser expulso de forma muito estranha. Nota 5
Maicon: fez uma partida regular, sem muito brilho, porém também sem comprometer. Nota 5
Douglas: vinha bem até o time ficar com um a menos, quando não conseguiu mais explorar o ataque com suas assistências. Nota 5
Giuliano: movimentou-se bastante e teve papel no gol que abriu o placar. Afora isso, não fez nada de muito especial. Nota 5
Éverton: muito apagado, não soube explorar sua principal qualidade, a velocidade. Até ajudou a recompor quando o time estava com um a menos, mas é pouco para um atacante. Nota 3
Bobô: muita vontade, apesar de não ter tido grandes chances. Participou da jogada do gol de Hermes. Saiu antes da metade do segundo tempo para a entrada de Jaílson. Nota 4

Jaílson: entrou no lugar de Bobô com a missão de recompor o meio de campo. Nota 4
Tilica: entrou no lugar de Éverton para fazer o que o Cebolinha não fez, porém sem sucesso. Não aproveitou a chance que teve ao final do jogo. Nota 3
Bressan: entrou no lugar de Douglas para tentar dar uma melhor composição defensiva ao time. Nota 4

Roger: montou uma boa estratégia no início do jogo, a qual foi desmontada com a expulsão de Ramiro. No intervalo, não conseguiu remontar uma composição que evitasse a pressão do Fluminense, apesar de que é sempre complicado jogar com um a menos. Botou Bressan no segundo tempo, uma substituição sem explicação. Nota 4

Arbitragem: Andre Luiz de Freitas Castro (GO), auxiliado por Fabricio Vilarinho da Silva (GO) e Eduardo Goncalves da Cruz (MS). Logo no início, notava-se que o árbitro já estava mal-intencionado, tanto que deixou de marcar duas faltas claras sofridas por Éverton. E deixou de apontar um pênalti escandaloso cometido por Henrique, que meteu clamorosamente a mão na bola dentro da área. Deixou de marcar várias outras faltas, além de um carrinho por trás em Edílson e ainda expulsou Ramiro na sequência, aparentemente de forma arbitrária. Para coroar sua atuação patética, não viu Marcos Júnior dominar a bola com a mão no gol de empate do Fluminense.

O público em Volta Redonda foi ridículo, cerca de 3 mil almas. O Fluminense não merece mais do que isso. E a torcida gremista que lá compareceu também não merecia ver a roubalheira escancarada que ocorreu no Raulino de Oliveira. Uma vitória seria um resultado fantástico. Um empate, dadas as circunstâncias, acabou sendo razoável e manteve o time no G4. Na próxima quarta-feira, outro jogo fora de casa, desta vez na Arena Condá, contra a Chapecoense. Mais uma chance de continuar na ponta do campeonato.

Saudações Imortais

P. S.: na tarde de hoje, ocorreu Gre-nal pelo ruralito Sub-17, no CT Hélio Dourado. E o placar foi o já característico 5 x 0, outra SARANDA na coloradagem. É bom para a gurizada red aprender desde cedo como é que funciona o negócio e já ir curtindo o lombo para as sovas que virão.

9 de junho de 2016

Cartola após 6 rodadas

Passaram seis rodadas do campeonato e há vários cavalos paraguaios se revezando no topo enquanto quem manja mesmo fica dando luz para a ter mais graça o páreo.
Vamos ao resumo da Liga Blog Imortal Tricolor:


Cavalos paraguaios



Os náufragos da hora


PS - SeuAlgozjr só participou das últimas duas rodadas. Mais do que justificada sua posição.

Mentira: vale a pena ler de novo.

Em 21 de janeiro de 2014, publicamos o post abaixo. Ele desmascara a mentira "o Beira-rio é do Inter, a Arena não é do Grêmio". Mas, volta e meia a bancada volta à carga. Então, volta e meia temos que refrescar a memória do público, que alguns tentam lavar com enxurradas de informações falsas.

Sobre o assunto, também vale à pena ler este post e este post.
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Íntegra do post de 21/01/2014.

Nada como o tempo e o seu efeito de clareamento sobre as coisas. Passaram-se os meses e, finalmente, poderemos saber um pouco mais sobre o misterioso negócio celebrado entre o pessoal do aterro e a empreiteira Andrade Gutierrez. Fizemos esta pesquisa por dois motivos: 1) porque a imprensa esportiva gaúcha não tem "interesse" em fazer; 2) porque o pessoal da lona está muito excitado, falando para os vizinhos que o "novo" estádio é deles, que eles sim são ricos e patati patatá. É preciso restabelecer algumas verdades.

Mas, vamos com calma, porque há muitas informações interessantes para compartilhar.
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Capítulo 1: Os braços longos

Durante os últimos meses, foi feito um árduo trabalho para falsear a verdade no que diz respeito aos termos do "negócio Beira-Rio". Na carona, críticas cerradas e sistemáticas à Arena do Grêmio. Isso disseminou-se em manifestações de profissionais de boa fé ou engajados, como pode-se ver abaixo.


 Clique na imagem para acessar o original.




No site oficial do clube, a verdade é mostrada pela metade.


Em manifestações públicas de dirigentes, o discurso ensaiado e a mentira repetida a la Goebbels. Exemplos podem ser lidos aqui e aqui.

Esta é uma amostra pequena diante da enxurrada que lemos e ouvimos mês após mês. Nos jornais, nas rádios e tevês e nas mídias, não houve dia em que eles não foram exaltados e o Grêmio diminuído em função dos negócios dos estádios.
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Capítulo 2: As pernas curtas

O trabalho de investigação que é publicado abaixo, apoiado em documentos irrefutáveis, tem o intuito de trazer a público fatos reais que têm sido escamoteados, ocultados, falseados, por uma ação de comunicação orquestrada e avassaladora. Os documentos mostrados não podem ser desmentidos. O que o leitor vai ler é a verdade oficial, porque provada com documentos que têm fé pública. O rei está nu e cru.

Quem é quem nesse negócio

1. O timinho: conhecido por demais pela arrogância e pela pretensão de ser melhor em tudo. Dispensa maiores apresentações, pois já existe há 7 anos. Nos documentos, é citado como "Proprietário".
2. A Andrade Gutierrez, ou AG: uma conhecida empreiteira de obras que teria aceito, segundo a imprensa, um péssimo contrato, curvando-se à habilidade negocial do presidente Luigi. É de fato e principalmente de direito, como será demonstrado abaixo, quem vai dar as cartas no Aterro pelos próximos 20 anos, por meio da sua controlada
3. A Brio, a "Superficiária": é a subsidiária criada pela AG para administrar o estádio. Mais que isso, hoje e pelos próximos 20 anos, é sua proprietária, como também será comprovado abaixo.
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Conhecendo a "Superficiária-camaleão"

A "Superficiária" do Beira-rio (versão Phipha da Arena Porto Alegrense) é uma espécie mutante e movediça. Nasceu em Belo Horizonte, onde tem os amigos mais íntimos. É de lá o endereço que faz constar em contratos. Mas também pode ser apresentada como moradora do Shopping Praia de Belas ou do bairro Independência, em Porto Alegre. Na verdade, é uma empresa com DNA de camaleão: nasceu em fevereiro de 2010 como SMGA Participações S/A. Em setembro do mesmo ano, travestiu-se de Pumari Participações S/A. Finalmente, para atender um negócio de ocasião, em março de 2012, trocou o nome para SPE Holding Beira-Rio S/A (Brio, para os íntimos). É com esta alcunha que vai fazer a exploração comercial do "novo" Beira Rio. Mais informações sobre a empresa podem ser obtidas no link das demonstrações financeiras daqui.

Mas, de quem é a SPE Holding Beira-Rio? A SPE Holding Beira-Rio é 100% da AG, a Empreiteira. Vejam informações sobre a propriedade da empresa na imagem abaixo, retirada do link acima.


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Sobre o Direito de Superfície

Para entender os negócios realizados, é preciso discorrer, ainda que rapidamente e sem a profundidade que nos isentaria da crítica dos advogados, sobre o conceito de "Direito real de superfície" (DRS).

O direito de superfície é o direito que uma pessoa física ou jurídica adquire sobre coisa alheia e tem por principal característica o poder explorar economicamente o bem objeto da transação. Tem como efeito destacar a propriedade do solo da propriedade da superfície. Tudo o que for existente e construído na superfície durante a vigência do DRS, pertence ao proprietário superficiário.

O direito de superfície não se confunde com o arrendamento. Aquele é uma relação de direito real, enquanto o arrendamento é uma relação de direito obrigacional. O arrendatário não é dono da coisa arrendada, enquanto o superficiário é dono da propriedade superficiária.

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Pai, o Beira-Rio é deles e a Arena não é nossa?

Calma filho! O teu tio co-côlorado que falou isso está muito excitado. Um e outro negócio tem exatamente o mesmo mecanismo. A Arena Porto Alegrense é a superficiária da Arena do Grêmio e a SPE Holding Beira-Rio (ou Brio) é a superficiária do estádio reformado. Se eles dizem que a Arena não é do Grêmio, não podem dizer, sem que estejam mentindo, que o remendado é deles.

Vejam nos documentos abaixo que foi constituído direito real de superfície sobre o estádio e também sobre o edifício garagem. O mesmíssimo mecanismo da Arena. Só depois de ficar tudo prontinho, no padrão Phipha, e a obra, finalmente, estiver pronta para a Copa das Confederações a Copa do Mundo, começa a contar o prazo de 20 anos para eles receberem o estádio e o edifício garagem de volta.

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Então, pai, a Brio é dona do Remendão?

É e não é, filho. Já não é tão dona, por um detalhezinho. Para a AG ter dinheiro e conseguir comprar as lonas e os materiais para fazer o puxadinho, a Brio cedeu os direitos sobre o estádio e o edifício garagem para três bancos: BNDES, Banco do Brasil e Banrisul. Isso está tudo registrado no R.22 da matrícula do imóvel.




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Mais detalhes do negócio

Além da matrícula do imóvel, o blog obteve outro documento importante: a escritura que descreve a entrega do estádio e do edifício garagem para a Brio. Vejam, abaixo, algumas informações adicionais.
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1) O documento: a "Escritura Pública de Constituição de Direito Real de Superfície e Outras Avenças" foi firmada entre o timinho e a Brio, em 19/03/2012. Nela estão registrados vários detalhes do negócio e, juntamente com a matrícula postada acima, esclarece aspectos nunca divulgados pela imprensa, por simples desinteresse em pesquisar assuntos relativos a este negócio. Talvez seja mais um caso de "respeito ao clube". Como se vê, pelo critério de propriedade que eles usam para a nossa Arena, o "jovem" Beira-Rio não é mais deles há bastante tempo: desde 19/03/2012 é da Brio, que é 100% da AG e que cedeu os direito de exploração para três bancos.


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2) O passado condena: a doação do terreno pela Prefeitura está registrada também neste documento. Mamando nas tetas gordas dos governos desde sempre.



3) E as receitas vão para... Belo Horizonte: O acordo firmado para a reforma do aterro estabelece que muitas receitas geradas no estádio irão para Belo Horizonte, cidade sede da Brio e da AG, para nunca mais serem vistas. A informação do site oficial, mostrada acima no Capítulo 2, "Braços longos", não esclarece isso. Pelo contrário, tenta confundir, não particularizando as receitas perdidas. Senão, vejamos. São cedidos a "Superficiária" (leia-se Brio) os direitos de exploração comercial (entenda-se as receitas) relativos a eventos, às áreas das lojas, suítes, Cadeiras VIP, publicidade, Naming Rights, Sector Rights, serviços de catering (alimentação) e do edifício garagem. A escritura também é clara sobre quem administra o estádio (vejam referência clara à realização de eventos). Quando se disse que as receitas dos naming rights não são deles? E as do aluguel das lojas de alimentaçao (catering)? E do edifício garagem e etc?




4) Para que não restem dúvidas: o documento pisa e repisa, que o direito de superfície carrega consigo os direitos de exploração comercial e que estes são da Brio e de ninguém mais.







5) Nada a reclamar (e nem a receber): ao contrário do Grêmio (que receberá 65% do lucro obtido pela Arena Porto Alegrense), os brilhantes negociadores nada receberão dos lucros obtidos pela Brio durante 20 longos anos.



6) Dúvidas são tratadas em SP: Quem não ouviu alguém dizer que, no contrato do Grêmio, até as discussões teriam forum fora do RS? O contrato deles é igual. Os litígios são tratados pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá.

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Capítulo 3: Palavra final

Então é isto, caros leitores. Esperamos ter contribuído para acabar com esta fantasia plantada dia e noite ao longo dos últimos meses. Plantada pela direção do timinho e regada abundantemente por setores engajados ou distraídos da imprensa gaúcha. Nas mais diversas mídias, se repetiu à náusea que eles tem um estádio moderno que é deles.

A verdade verdadeira é que a Arena e Beira-Rio são negócios idênticos no que tange à propriedade dos estádios: ambos contemplam a cessão do direito de superfície. Nada há que nos diferencie neste ponto. Os dois clubes só poderão considerar-se donos ao término dos contratos. Mas há, sim diferenças fundamentais nos dois negócios:
  1. A Arena do Grêmio é um estádio novo e o mais moderno do Brasil. O Beira-Rio é uma reforma bem meia boca.
  2. O direito de superfície dos morangos é irretratável e irrevogável. Se quiserem sair desta antes de completar 20 anos, só com a concordância da AG/Brio. Já o contrato do Grêmio com a OAS dá o direito ao tricolor de opção unilateral de resgatar o direito de superfície antes dos 20 anos.
  3. Ao contrário do propalado aos quatro ventos, a proprietária do remendão do aterro hoje é a Brio, que alienou a propriedade para três bancos. É ela quem deixa, ou não, os sócios entrarem.
  4. Além disto, por força da chamada "alienação fiduciária do DRS" aos bancos, todo o remendão, e respectivos frutos (direito de exploração comercial, inclusive dos setores destinados aos sócios morangos) garantem os financiamentos bancários. Em tese, se houver inadimplemento e essa garantia for executada, o timinho terá que pagar para os sócios, incluindo cachorros, entrarem no estádio nos dias de jogos. É bom pararem de dizer que o negócio foi péssimo para a Brio e torcerem pra que dê certo.
  5. Last but not least, muito antes pelo contrário, o Grêmio levará para casa parte majoritária dos lucros auferidos pela nossa superficiária, os 65 % previstos em contrato. Enquanto isso, do lucro obtido pela Brio, o pessoal da lona não verá sequer o rastro.
Tudo diferente do que está escrito acima, que você lê, ouve ou enxerga na tv é fruto, de um lado da arrogância de dirigentes despreparados e com claros sintomas de complexo de inferioridade, e de outro da subserviência e cumplicidade de jornalistas mais interessados, por qualquer razão que seja, em defender interesses de instituições do que em estabelecer a verdade. Ou, o que é um pouco menos grave, de jornalistas preguiçosos que não lançam mão da investigação como instrumento de trabalho e passam a vida repetindo o que recebem como prato pronto.

6 de junho de 2016

Avalanche Tricolor: uma vitória com fé, dor e sofrimento


Por Milton Jung

Grêmio 1×0 Ponte Preta
Brasileiro – Arena Grêmio


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Justa comemoração, em foto de LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA
Foi um fim de semana intenso. De emoções variadas, sentimentos diversos e espiritualidade. Confinado por três dias em uma casa de retiro aqui próximo de São Paulo, tive acesso a pouca informação. Muito mais uma opção do que restrição tecnológica. Havia outros objetivos nesses dias todos de oração, silêncio e reflexão.

Das poucas notícias que surgiram, e não foram pelos meios tradicionais de comunicação, veio a apreensão em relação a saúde de um personagem que esteve nesta Avalanche algumas vezes. Refiro-me ao padre José Bertolini, conterrâneo, nascido em Bento Gonçalves, e, claro, gremista. Que por coincidência passou a rezar missa na capela perto de casa.

Bertolini esteve, por exemplo, na crônica do histórico 5×0 como você pode conferir neste link. Também foi visionário na estreia que tivemos na edição do ano passado no Campeonato Brasileiro quando assistimos ao empate com a Ponte Preta, mesmo adversário desse domingo.

No sábado, padre Bertolini sentiu uma dor no peito pouco antes de iniciar a missa das 18 horas. Apesar da recomendação para que fosse ao hospital, fez questão de cumprir compromisso assumido com os fiéis e presidiu a celebração até o fim. Muitos devem ter ficado incomodados com a insistência dele, pois, como se provou pouco depois, o padre teve um infarto no coração e está internado na UTI de um hospital paulistano.

Pelo que conheço dele, porém, não me surpreendo com a decisão. Padre Bertolini é daqueles que não se entrega fácil, insiste em contrariar as previsões médicas, é incapaz de admitir que uma dor, seja qual for, vá lhe tirar o direito de cumprir sua missão. Nem mesmo uma doença crônica impede que ele trabalhe com vitalidade e inteligência. Aliás, é esta mesma façanha dele que me dá esperança de que logo estará de volta à sacristia, firme e forte.

A outra notícia que havia sido reservada para mim, neste fim de semana, viria logo depois que deixei o retiro. Ainda na estrada, a caminho de casa, acessei a Grêmio Rádio Umbro pelo aplicativo no celular, imaginando que a partida havia se encerrado pelo adiantado da hora. Ledo engano. Naquele exato momento, aos 49 minutos do segundo tempo, Luan acertava em cheio, com o pé esquerdo (e com dores como revelou mais tarde), um chute fatal no gol adversário. Gol que foi resultado da perseverança e crença de que a vitória sempre é possível. 

Soube depois que havíamos desperdiçado muitos ataques, enfrentado um time retrancado que teve um jogador expulso ainda no primeiro tempo, perdido Lincoln com um cartão vermelho no segundo e levado uma bola no poste já nos acréscimos. Ou seja, penamos e sofremos até a vitória que nos levou de volta à liderança do Campeonato e diante de um daqueles times que colocamos na categoria de “touca”, assim como Coritiba, Goiás e algum outro de Santa Catarina.

Ao tomar conhecimento de tudo o que nos aconteceu nesse jogo, só tenho a agradecer mais uma vez aos que me proporcionaram os três dias de retiro, silêncio e reflexão. Além de todos os benefícios que esses momentos trouxeram à alma, ao espírito e à mente, também evitaram que eu sofresse um ataque diante da televisão. Pois não creio que minha fé e meu coração sejam tão resistentes quanto o meu querido e gremista Padre Bertolini que, certamente, vai vencer mais esta batalha.