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4 de setembro de 2014

Jéssica: Guerra Fria

Ela voltou.

O tricolor não verga. Ele esgrima. Ele Grêmio. 


Fomos feridos na alma. Nosso gremismo exacerbado sintetiza-se no orgulho em vestir a camisa tricolor. Mas ontem, eles feriram nossa história. Tatuaram nossos feitos, nossos ídolos, nossas conquistas, marcaram à ferro e fogo a paleta do Grêmio perante o mundo todo: os impiedosos inquisitórios venceram.

Num julgamento em que o contraditório e a ampla defesa foram meros adornos, a decisão já parecia ter sido tomada, uma vez que o exagero na interpretação da norma, aliado à sede de retaliação se fantasiou de “decisão de caráter pedagógico” para cravar no símbolo do Grêmio o rótulo de racista. Fato que causa dano irreparável à imagem do clube e que coloca em risco a segurança dos torcedores tendo em vista que tal medida só inflama ainda mais o “clamor social”. Este julgamento desproporcional e irrazoável ratifica e incentiva retaliações igualmente desproporcionais e irrazoáveis, a exemplo daquelas sofridas pela torcedora que originou o caso e por inúmeros outros torcedores do resto do país. Uma palavra infeliz fez com que o Brasil execrasse uma guria, o que dizer de um auditor que mostra-se um completo racista? Onde está a revolta daqueles?

Mais parecia um longa hollywoodiano no Supremo Tribunal Universal das Galáxias. Uma sentença que encontra respaldo na maior parte da mídia esportiva é fácil se proferir, para não dizer prazerosa: é o Grêmio, aquele time odiado por todos, a bola da vez. Arrasaram o Grêmio e, junto dele, o torcedor de bem: a imensa maioria da nação tricolor. Os maus elementos que não se dignaram nem a preservar o clube no último jogo quando entoaram um canto que levava a palavra “macaco”, vão se importar com as sanções que o clube vai sofrer? Devem estar a comemorar! Questionável, portanto, o alegado caráter pedagógico da decisão do STJD – uma vez que não causará qualquer efeito aos seus principais destinatários.

Entretanto, a noite é sempre mais escura antes do amanhecer. Se os bons são a gigantesca massa de gremistas, é a hora de mostrarmos quem somos. Transformemos a decepção em revolução e recomeço. Que seja colocada em prática a última nota oficial do clube, que sejam afastados os que prejudicam incansavelmente a instituição. Que seja proposta uma verdadeira caça a qualquer manifesto que ofenda a imagem do clube e a honra dos jogadores, dos torcedores e do povo gaúcho quando jogarmos fora de casa. Que filmem os jogos, que se exija a mesma pena. Marquemos gols no tribunal contra nossos adversários diretos. Que a cada grito ou cântico daqueles que já estamos cansados de ouvir, o time simplesmente pare o jogo e exija que se reporte na súmula. Se travaram uma batalha, instauraremos a Guerra Fria e olha que entendemos de uma peleia. Só não podemos nos calar!

Não há tempo para lamentos. Ainda levará um tempo para comemorarmos alegres de novo, almejarmos títulos, discutirmos a escalação. Mas o melhor remédio para a decepção é a vitória e ela só acontece com um clube fortalecido pelo apoio de seus torcedores e agora, mais do que nunca, o Grêmio precisa se levantar. Nesse momento que o mundo está contra ti, Grêmio, sobreviva.

Jéssica Cescon Antunes

11 de agosto de 2014

Jéssica: o processo de Scolarização começou


Estou arrasada. Como é horrível perder Gre-Nal. Perder vários, então, é insuportável. A revolta da torcida é compreensível pois ela sente como se a história do Grêmio fosse manchada a cada derrota para o time de vermelho. É um somatório dos anos sem títulos com as derrocadas nas fases finais das competições.

Entretanto, o jogo de ontem nos mostrou uma perspectiva diferente. Ultimamente, vínhamos perdendo os Gre-Nais taticamente, por mérito de Abel, por ingenuidade de Enderson - principalmente aquele dos 4x1. Com Felipão, o Grêmio deteve o domínio do meio-campo. Escalando três volantes que a torcida não esperava, ele surpreendeu também Abel. Walace jogou muito bem, comprovou o que vinha sendo falado dele. Assumiu a responsabilidade e, junto com Fellipe Bastos e Rodriguinho, anulou a criação de D’alessandro e Aranguiz.

O tricolor jogou num 4-2-3-1. Postou os três volantes de forma perfeita, com Rodriguinho pela direita ao invés de Alan Ruiz, devido sua melhor recomposição tática, e colocou Giuliano para triangular com Dudu e Barcos. Este, vale lembrar, desde o último jogo do Grêmio sob comando de Enderson, não joga mais de pivô, consequentemente tem rendido e aparecido muito mais para o jogo. Ramiro foi bem na lateral, já tinha jogado assim no Juventude, e Pará fez sua parte defensiva.

O único erro, ao meu ver, foi na escalação. Werley já havia sido sacado do time pelas frequentes falhas em gols sofridos no primeiro semestre, quase todos pelo mesmo motivo, sua desatenção - pra não dizer insistência - em marcar a bola. Isso aconteceu de novo. Ele tomou bola nas costas num cabeceio no primeiro poste, o que me levou a fazer tal pergunta: “ele estava marcando quem: Fabrício que ia cruzar, a linha do campo ou a bola?” Erro amador. Nossa defesa vinha bem, Geromel rendia mais a cada jogo, não havia dúvidas. Já tem tempo que Werley não cabe mais no time titular.

Outro fator a se considerar além da disposição tática e a inteligência na cobertura dos espaços pelos volantes, foi a entrega do time em campo. Percebi um time muito aguerrido, lutador, não desistindo da jogada. E essa compilação de inteligência tática ao observar a forma de jogo do adversário e o futebol aguerrido com cara de Grêmio é o que eu vou chamar de “Processo de Scolarização”. Esse processo tem apenas uma semana de trabalho e já foi possível perceber a melhora no posicionamento das peças de meio e um time com vontade de vencer. É promissor e me passa confiança.

E foi por causa desse processo que fomos superiores na maior parte do jogo. Terminamos o primeiro tempo com 51% de posse de bola, jogando retrancado, na casa do adversário. Na verdade, isso só parou de acontecer depois de levarmos o primeiro gol. Então, foi necessário mexer na escalação e na postura em campo. A mudança de esquema aconteceu com a entrada de Fernandinho, jogando pela ponta esquerda. O segundo gol foi uma consequência da necessidade do empate, designando aos defensores que fossem à área tentar o gol. Perdemos por uma falha individual num jogo em que o Grêmio foi muito melhor.

A derrota, por óbvio, nos entristece, mas é necessário saber analisar o jogo deixando de lado nossas mágoas. Estamos diante de um processo de Scolarização que se inicia e começa a tomar forma. E como não acreditamos em “pensamento mágico”, sabemos que é preciso trabalho contínuo de Felipão até que se consiga solidificar um time, uma estratégia e uma filosofia de jogo.

30 de julho de 2014

Jéssica: O Grêmio mais temido ressurge

Adversários, tremei. A dupla está de volta.

Em meio às mais diversas especulações da imprensa de todo Brasil, o nome que todos descartaram foi o escolhido: Luiz Felipe Scolari. Felipão agora é Grêmio e, com ele, Fábio Koff contratou uma massa de torcedores inteira.

Embora a aceitação da torcida tenha sido imediata, cartolas feat comentaristas do futebol foram uníssonos: “Felipão está defasado”, “Depois de levar 7x1, Felipão assume o Grêmio”. A insistência em rotulá-lo como uma má contratação tem sido tanta que me pus a pensar, mas logo foi fácil entender: a fusão Grêmio-Felipão revive as alegrias dos gremistas e reabre as feridas dos rivais. É compreensível esse desespero em diminuir um vencedor. É uma fusão que refresca a memória de quem já havia começado a esquecer o futebol de raça do clube mais aguerrido do Brasil. Felipão no Grêmio significa, acima de tudo, uma identificação completa com a história e personalidade gremista e gaúcha. É um encontro de almas.

Mas além da velha identificação com o clube, Felipão e Grêmio têm um desejo em comum: ressurgir. Dois multicampeões contestados, diminuídos, “ultrapassados”. Felipão quer mostrar pra os críticos que ainda é um grande entendedor de futebol. Grêmio tem time para brigar por título e agora traz consigo um técnico com capacidade de tornar isso real e com sede de provar isso para todo mundo. Esse é o motivo de Grêmio-Felipão ter impactado tanto no Brasil, porque relembram a força do tricolor , tremendo as pernas até do mais cético comentarista de futebol. São onze títulos que os unem, o renascimento de nossas esperanças é simplesmente inevitável. Não há como falar do futebol brasileiro sem lembrar do Grêmio que motivava a todos com um futebol de força, de garra, de alma. Esse era o desejo do torcedor, a volta de um Grêmio que luta sobretudo pela honra, agora um tanto pisoteada pelos campos afora.

Nosso clube, atualmente, tem se modernizado em relação ao futebol. Além de softwares que permitem uma análise minuciosa do rendimento dos jogadores, Koff iniciou parcerias com outros clubes com foco nas categorias de base. Também há projetos de expansão da marca, ou seja, o Grêmio não parou no tempo e Luiz Felipe em união com o clube estará preparado para exercer um trabalho eficaz e de grande conhecimento no futebol atual.

Desse modo, por mais diversas que sejam as teses dos doutrinadores do futebol brasileiro, o gremista sabe que, enfim, é chegada a hora de acreditar. Porque o técnico das grandes conquistas voltou. O responsável pela vergonha do gurizinho em contar para os coleguinhas que torcia pro Inter voltou. E o time mais aguerrido do Brasil voltou. O Grêmio mais temido ressurge.

21 de julho de 2014

Jéssica: A vitória veio com mais do mesmo

Depois de quatro jogos, Grêmio volta a balançar as redes e junto ao gol vieram os três pontos, logo dos pés de Giuliano, um jogador que traz, além do bom futebol, a motivação para embalar o time. Porém, apesar de a vitória ter sido alcançada, ela não foi satisfatória: Figueirense mostrou-se bastante inconsistente e, pela superioridade gremista, principalmente na meia cancha, é que o torcedor esperava um placar maior.

O Grêmio soube envolver o Figueirense no meio campo e consequentemente determinou o ritmo de jogo na maior parte do tempo – a posse de bola foi 58% tricolor, mas continuamos a perceber a dificuldade do ataque em trabalhar as jogadas e criar situações reais de gol.

Conforme meus últimos dois textos frisaram, é preciso mudar algo no ataque ou na forma de jogo. Falei do Barcos, em como ele não estava conseguindo ser eficiente e, mais do que isso, empacando as jogadas velozes. Dessa vez, vou além: nossas peças não conseguem efetuar as funções que o esquema atual de pontas exige. Quando a bola chega até um dos dois pontas, nosso time passa a ser facilmente marcado. Isso ocorre pela rara passagem dos laterais ou volantes à linha de fundo – algo vital no esquema 4-2-3-1 e quando ocorre, o cruzamento é muito defeituoso. E isso não acontece só com nosso lateral carismático do moicano descolorido, não. O cruzamento ruim já é uma característica negativa do time. Além disso, e correndo o risco de me tornar repetitiva, volto a dizer que o pivô que Barcos faz na entrada da área só dificulta a criação das jogadas, uma vez que ele dificilmente acerta o domínio da bola – é uma fase ruim do pirata. O esquema atual exige movimentação e passagens paralelas de jogadores, laterais ou volantes, e a não-execução desses quesitos torna o time previsível e marcável.

Vimos o time bastante evoluído no meio campo após a parada para Grêmio-temporada. A melhora na organização e na movimentação dos meias faz necessário enfatizar a evolução no desempenho de Alán Ruiz, provando que só precisava estar em forma para mostrar seu potencial. E ainda contamos com o talento de Giuliano. Logo, é analisando esses fatos que acredito que tornará o time muito mais produtivo jogar num 4-4-2. Aproveitando a velocidade de raciocínio dos nossos meias, a qualidade de seus passes poderia e seria mais explorada nesse esquema; da mesma forma, a mudança de função do centroavante. Hoje o time está adestrado a jogar buscando tabelas com Barcos, que tem passado em branco há muitos jogos. É chegada a hora de parar de insistir em algo que não tem rendido e propiciar mudanças táticas que favoreçam nossos jogadores mais velozes a desenvolver suas jogadas em vez de enforcá-los na marcação. Um esquema mais simples pode privilegiar também a saída de bola, outra dificuldade do tricolor.

Por fim, acredito que esse elenco pode brigar pelo título, embora faça-se necessário adequar o esquema conforme os jogadores que vêm numa boa fase. É preciso marcar mais gols e fazer o ataque render já que defensivamente estamos bastante seguros.

17 de julho de 2014

Jéssica: Grêmio escapa-marcha


Desde o início do ano, vemos um Grêmio que não é péssimo, mas não é bom. Quando parecia querer engrenar, escapava a marcha. Com a chegada de bons jogadores, Grêmio parecia ter pelo menos o suficiente para ser produtivo no ataque, enquanto nós torcedores esperávamos ansiosos pelo fim da Grêmiotemporada, para saber a evolução do time.

Bem, ao meu ver, Grêmio evoluiu em seu posicionamento e na movimentação. Não era pra menos, Luan é habilidoso e Giuliano chegou para ser nosso câmbio automático. E ainda contamos com Alan Ruiz que tem qualidade para agregar na criação. Logo, se temos peças, por que vemos a mesma ineficiência no ataque?

Pra mim, muito se justifica pela forma que Barcos joga no Grêmio. Contra o Goiás vimos um time articular as jogadas, ter total controle do meio-campo mas travar quando chega na área adversária. Desacelera, perde a dinâmica do ataque. Escapa a marcha. Isso se dá porque a estratégia do Grêmio, no ataque, é tabelar com Barcos. Ou, se não, alçar bola na área para o mesmo. Barcos tem sido pivô que precisa fazer um esforço imenso para tomar a frente do zagueiro, conseguir dominar a bola pra depois, com uma pitada de sorte, acertar o passe. O problema é que a sorte quase nunca veste a tricolor. É preciso ser eficiente. E a nossa eficiência está em saber jogar conforme as características dos nossos jogadores.

Grêmio trouxe jogadores que têm como característica a velocidade, como já tínhamos Luan e Dudu. É preciso mudar a estratégia, extrair o melhor das peças que o elenco dispõe. Jogadores velozes precisam tabelar entre si, em velocidade de raciocínio na execução da jogada e não mais tabelar com a parede nem contar com a sorte e com o passe insistente no mesmo jogador improdutivo. E responsável em tornar isso real é, evidentemente, Enderson. Mas aí, ligamos o rádio e o escutamos dizer: “Estou dando meu melhor”. Cara, não está sendo suficiente. E sinceramente, ver o técnico colocar todas suas opções de ataque expondo o time, num desespero para fazer o gol, não me anima nenhum pouco. Na verdade, me mostra uma falta de convicção dele próprio.

Talvez o melhor ainda não seja o suficiente. Temos um bom time agora, capaz de crescer, capaz de ser produtivo, de lutar pelo título. Capaz de engrenar. Só faltam detalhes, embora sejam os principais. Quem sabe, seja necessário alguém capaz de consertar os detalhes que faltam para tornar esse time um brigador direto pelo título. Porque é só isso que interessa para nós.

25 de junho de 2014

Jessica: A perspectiva é boa para o tricolor.


Na parada da Copa, o Grêmio se mexeu. Alguns jogadores foram embora (Kleber, Léo Gago, Mamute), enquanto outros chegaram, que é o caso do lateral Matías Rodriguez, do volante Felipe Bastos e do meia armador Giuliano - nossa maior necessidade no time.

Foram contratações pontuais que têm potencial para aumentar a qualidade de jogo que o Grêmio vinha tendo. Além da importante melhora dos laterais do elenco, a contratação de Giuliano deve ser a peça que faltava para Enderson conseguir formar um meio campo sólido e ao mesmo tempo com poder de criação, uma vez que, ao meu ver, a fragilidade do meio campo vinha sendo um dos principais problemas do time.

Enderson, por vezes, centralizou Luan, com Riveros pela direita, Dudu pela esquerda. Lá na frente, Barcos. Depois, quando Luan não esteve mais disponível, tentou Alan Ruiz formando meio campo com Edinho, Riveros, Rodriguinho, num 4-4-2. Nenhum dos dois esquemas rendeu o esperado e Alan Ruiz, apesar de ser um bom jogador, ainda não mantém um equilíbrio no desempenho: ora é genial, ora some completamente do jogo.

Acredito que com Giuliano e Luan seja possível formar um time bastante veloz. Se Giuliano estiver pelo meio e Luan na posição que mais rendeu, ou seja, como ponta ou segundo atacante. Ainda poderiam formar o meio os volantes Riveros e Matheus Biteco ou Felipe Bastos - porque no meu entendimento Edinho e Ramiro estão abaixo da média - e se estes guardarem posição, Alan Ruiz ao lado de Giuliano, já que aquele não cumpre muito bem a recomposição tática que o time precisa, formando assim um 4-4-2 sólido, pelo posicionamento mais contido dos volantes, e criativo, pela qualidade dos dois meias.

Mas a grande mudança deveria acontecer mesmo no ataque, Barcos nunca produziu o que se esperava dele. Ainda assim, foi titular absoluto até mesmo sobre forte contestação da torcida. E vou além: é um jogador caríssimo pra se manter no elenco, visto que não rende nada perto do que o Grêmio precisa, tendo em vista que a classificação ou a vitória, sempre fica sujeita aos pés dele (e sucumbimos). Mas isso já é outro papo. O que quero dizer é que talvez seja hora de tentar o time com Dudu e Luan à frente dos meias e assim incorporar a velocidade como nossa maior arma, ou então apostar na prata da casa, Lucas Coelho. Talvez seja a hora dele. É melhor apostar em um jogador que pode render do que insistir no velho erro do pirata de dois tapa-olhos. 

24 de abril de 2014

Jessica: Te levanta, Grêmio

Hoje, Grêmio forma seu esquema a partir da herança deixada por Renato. Os três volantes àquela época já sofriam contestações por limitar a criação das jogadas. Grêmio, esse ano, vinha bem na inversão dos volantes e na subida de um deles como elemento surpresa. Mas o que mudou de lá pra cá? Enderson mudou a formação. Edinho como primeiro volante, seguido por Ramiro. À frente deles, uma linha com três jogadores: Dudu na esquerda, Luan no meio e Riveros na direita, este último mais agudo dentro da área, mesmo sem ter qualidade no passe, tampouco no chute. Enderson colocou Riveros na direita pra conter a lateral, bem como Dudu, que nutrido de velocidade é capaz de efetuar o mesmo do outro lado com certa agilidade.

Acontece que, na medida em que as trocas de posições dos meias/volantes foram acontecendo, o meio campo foi se comprometendo. Hoje, o Grêmio não tem organização em campo. Corre desesperadamente para recuperar posição deixada em aberto na meia-cancha. E, principalmente, algo que tem me deixado estarrecida: a defesa que corre. Há tempo não via o Grêmio num conflito tático tão grande: a zaga correndo pois está mal posicionada. Nem precisaria dizer que isso acontece porque os volantes avançam.

O Grêmio é frágil mesmo com três volantes. Mesmo com Dudu e Luan voltando até a defesa pra recompor. Mesmo sem meia armador. Há alguns jogos que perdemos o domínio do meio - e, consequentemente, o jogo. Ora, se já abre-se mão de peças ofensivas na escalação, isso também precisa acontecer durante o jogo? Todos os jogadores devem ter comprometimento defensivo, mas não nessa inversão de papéis que o time do Grêmio se tornou. Dudu é veloz, não significa que deve usar disso para o bem defensivo. Se Riveros está na meia direita pra conter a lateral, por que insistir nas subidas do Pará?

Grêmio precisa rever seus conceitos. Precisa se reorganizar. Recua o lateral que é ineficiente no ataque mas guerreiro na defesa. Coloca dois volantes para que guardem posição e assim estabiliza-se a zaga. Os dois meias velozes: Dudu e Luan nas pontas esquerda e direita, respectivamente. Um meia armador centralizado e, lááá na frente, Barcos. O Grêmio tem potencial pra jogar bem. Tem peças que podem render mais, mas precisa que elas efetuem papéis conforme suas características e se organizem taticamente. Se conter os dois volantes, não será exposto o meio e o potencial de Dudu e Luan suprirão a falta da subida deles. Às vezes, o mais simples é mais eficiente.

Muito se criticou os meias armadores no Gre-nal. Evidente que, num meio campo onde a troca de posição acontece com frequência, a entrada de dois meias que não marcam deixariam nosso time completamente exposto, pois ninguém guardou posição. Entretanto, isso não muda o fato do Grêmio precisar urgentemente de criatividade. É possível melhorar as coisas. É possível reverter resultado, é possível ser campeão. Esses fatos que foram supra tecidos não significam a incredulidade do torcedor. Pelo contrário, mostram que o Grêmio tem capacidade pra fazer muito mais.

Dessa forma, não tenho dúvidas que o Grêmio conseguirá corrigir seus erros e enfrentar com superioridade o San Lorenzo em Porto Alegre. A torcida jogará junto e, acima de tudo, terá o espírito guerreiro da Libertadores ao seu lado. Vamos acreditar, vamos passar! O Grêmio é capaz!

11 de abril de 2014

Jessica e o papa




24 de março de 2014

Jessica: Os ventos sopram para o lado vencedor

Está divertido torcer para o Grêmio. Por outro lado, imagino que esteja sendo ruim secar o Grêmio. Se já não bastasse um time com uma dinâmica de jogo incrível, ainda conta com a velha e oportuna imortalidade. Mesmo com a chuva que sempre assola o RS, não tem sido uma safra boa de moranguinhos. É um tempo difícil para o secador. Grêmio, hoje, tem a equipe mais bem preparada do Brasil. É o time que já tem sua forma e estratégia convictas, enquanto os outros ainda estão em formação. Um time formado pelas mais diferentes peças é um time completo. A cada jogo que passa a evolução da equipe é notória, o entrosamento cresce. A cada jogo nos permitimos sonhar um pouco mais com a taça.

Enderson consegue formar aos poucos um time com cara de vencedor. Impôs a característica ofensiva mas sem abster, nem por um instante, da rápida recomposição tática. Em todos os jogos, o Grêmio conquista o domínio do meio campo e determina o ritmo de jogo, sendo cada vez mais eficiente no ataque rápido, uma consequência de um time entrosado e bem treinado. Enquanto atacante,  forma um 4-1-4-1, onde Ramiro e Riveros revezam com os laterais na linha do meio campo, não abrindo espaços na defesa. O time é incansável na aplicação tática e isso já o dispara como primeiríssmo no ranking do bom futebol do Brasil.

Além dos fatores racionais, o tricolor conta com Barcos, que deve ter pago o dízimo a Iemanjá , voltando a ser o grande jogador que outrora tinha demonstrado ser. É um jogador inteligente, que estando bem assessorado em campo, sabe ser decisivo. Além dele, ainda temos o vento minuano soprando a favor do leme de nascença que Pará traz na cabeça, fazendo com que ele produza o que o time precisa. Somado a isso, conta com talentos como Wendell, - será seleção ainda esse ano - Luan, Dudu e Alan Ruiz. Temos potencial para render ainda mais. É um time que empolga até o torcedor mais descrente e deixando eufórico aquele que acreditou até no time de 2004.

É um grupo unido que demonstra em campo o seu único objetivo: a vitória. O Grêmio dispara como candidato aos títulos que disputar pelo que vem apresentando em campo. Mas há algo que vai ser determinante: a mística do Tricolor, que é como chamamos carinhosamente a força da torcida gremista. É ela quem vai fazer a diferença. Saporra vai sair campeão esse ano!
"Nós vamos sair nos jornais, mostrar do que somos capaz. É o lado vermelho que é do azar"

Jessica Cescon.

11 de março de 2014

RACISMO: A hipócrita rotulação da torcida gremista

Outro dia li um texto na internet e gostei. A autora mora em Sarandi e tem um blog gremista.
Convidei para escrever às vezes no Imortal.
Ela aceitou e mandou um texto de estréia que vem muito à calhar.
O nome dela? Jessica Cescon Antunes.
Neste post teve a ajuda do Rafael Marrone.
Seja bem vinda. Se vocês gostarem ela pode continuar.
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É costumeiro por parte da imprensa do sul relacionar todo acontecimento de cunho racista à torcida gremista. Tenha ele acontecido em outro clube, em outra torcida, ou em outro âmbito que não o futebol. Recentemente, o juiz Marcio Chagas foi vítima de injúria racial após apitar um jogo do Gauchão. Tal fato repugnante entristeceu a sociedade gaúcha. Qualquer cidadão que tenha formado seu caráter através de princípios e virtudes baseados na igualdade, na moralidade e até mesmo - e principalmente - na Lei Maior, é contrário e incompatível com racismo ou qualquer diferenciação ou menosprezo de raça, sexo, etnia, opção sexual. A luta contra os preconceitos ainda não está vencida, mas certamente caminha para uma igualdade plena, mesmo que daqui há alguns anos.

Tais preconceitos são um problema sociocultural que diz respeito à população mundial. Não se atém a um povo, nem mesmo a uma região. E é por esse motivo que a conexão feita indevidamente entre casos de racismos ao Grêmio ou a sua torcida significa não apenas a desmoralização de cada torcedor como indivíduo gremista e cidadão de boa-fé, como também uma inverdade histórica.

Vejamos alguns fatos:

Em 1913/14, mesmo com toda a influência européia no sul do Brasil, da desigual Constituição de 1891 e da recente abolição da escravatura, o Grêmio incluía em seu plantel o primeiro jogador negro de um grande clube de Porto Algre, o Antunes.





De 1926 a 1934, o plantel gremista já contava com Adão e Adroaldo.



Depois vieram: 1937/40 (Laxixa), década de 40 (Mário Carioca, Hélio e Prego), 1948/50 (Hermes), e depois com Tesourinha em 1952/53. Tesourinha foi “somente” o primeiro negro de destaque que vestiu a camisa do Imortal Tricolor na era profissional do clube;




É importante enfatizar que o estatuto dizia que o quadro do clube não poderia ter negros, por cláusula gerada através de exigência feita por alemães para ceder o Estádio da Baixada. Mas isso como mostrado, não ocorria de fato.

Enquanto isto, em 1909 nascia um clube não tão do povo assim. Fundados por comerciantes da classe média, o cô-irmão permitiu o primeiro negro no seu time apenas em 1928. Se já não fosse suficiente pra desmitificar o rótulo popular, o acesso de um time criado por negros que não eram aceitos em clube nenhum para jogar a liga de futebol do Rio Grande do Sul foi negada justamente com o voto do SCI.

Os negros da época formaram então sua própria liga, nominada de "Canela Preta", para poderem jogar um esporte tão elitizado àquela época, que depois se tornaria a segunda divisão, porém sem permissão de ascensão para jogarem com os grandes clubes.

Portanto, relacionar casos de racismo à torcida gremista é ofender a moral do torcedor, uma vez que essa torcida é formada por indivíduos que não devem ser incluídos nas levianas generalizações. A história comprova que o Grêmio foi um clube que enalteceu grandes gremistas, sejam eles brancos ou negros, mas que também sofreu evolução com o ambiente, as leis e a sociedade. A discriminação racial é - e sempre foi - um problema social e o caso dela existir em um só clube ou torcida é um mito criado como intuito de desmoralização da maior torcida.

E como prova de um Grêmio azul, preto e branco, mostro parte do livro da história de Lupcínio Rodrigues, sócio-honorário do clube que compôs o famoso hino do GRÊMIO FOOTBALL PORTO-ALEGRENSE, onde conta porque foi que ele escolheu ser gremista:










Fontes - além de ser uma ótima e esclarecedora leitura:


FUTEBOL NO SUL: HISTÓRIA DA ORGANIZAÇÃO E RESISTÊNCIA ÉTNICA - JOSÉ LUIZ DOS ANJOS
O FUTEBOL DA CANELA PRETA: O NEGRO E A MODERNIDADE EM PORTO ALEGRE