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17 de dezembro de 2017

Avalanche Tricolor: meu orgulho em vestir o azul, preto e branco nesta final do Mundial



Por Milton Jung



Grêmio 0x1 Real Madrid
Mundial – Zayed Sports City/Abu Dhabi


Gremio

Faz pouco chegamos do estádio Zayed Sports City. Estamos no quarto do hotel fechando as malas. No domingo, logo cedo, embarcaremos de volta. Dobramos carinhosamente cada uma das camisas do Grêmio que nos acompanharam nesta jornada. Estão suadas, cheirando a corpo, um pouco amassadas, mas seguem sendo vestidas com a merecida dignidade. Durante todos esses dias essas camisas desfilaram pelos Emirados Árabes exaltando nosso orgulho de ser tricolor e conquistando adeptos, como os três torcedores “emirates” que sentaram à nossa frente. Todos estavam com a camiseta do Real – é o time da moda, não é mesmo? – mas um deles virou-se para trás e me contou que gosta muito do Grêmio por causa de um jogador em especial: Tcheco, que foi ídolo no Al-Ittihad, o time da casa. Por onde passamos deixamos admiradores.

Foi assim todo este ano: jogando o melhor futebol do Brasil, ganhamos a admiração do público e da crítica. Poucos se atreveram a questionar a qualidade do nosso jogo e do time montado por Renato e comissão técnica. Os resultados em campo estavam a altura dessa expectativa, levando em consideração que fizemos escolhas pontuais em relação as competições disputadas. Tínhamos uma obsessão que era voltar a dominar a América. Enquanto dobrava algumas das camisas para colocar na mala, dava para perceber ainda marcas dessas batalhas sul-americanas. Marcas que estão na camisa e na alma de cada gremista que encontrei nesses dias.

O time copero conquistou as Américas e nos encharcou de felicidade. Após vencer a Libertadores, ainda superou o Pachuca, do México, considerado o melhor time das Américas do Norte e Central, na primeira partida nos Emirados. Com essa vitória credenciou-se para a final do Mundial, lugar reservado apenas aos grandes, e deparou-se com um gigante, talvez o maior de todos os tempos.

Nada do que tenha acontecido nesta noite de Abu Dhabi é suficiente para me tirar o orgulho de ser gremista. Aliás, muitas das coisas que aconteceram nesta noite fortaleceram ainda mais este meu sentimento. Assisti às nossas camisas vestidas por cerca de 7 mil torcedores, ouvi o canto da nossa torcida ecoando pelas arquibancadas do Zayed Sports City e vi todos que estavam no estádio aplaudindo a entrada do nosso uniforme tradicional no gramado da grande final.

Em campo, lutamos, fizemos o que era possível. O que estava ao nosso alcance. Talvez um pouco mais de pressão aqui, um pouco mais de calma ali, quem sabe um lance de sorte a nosso favor, uma falta cobrada mais para baixo ou uma barreira mais fechada à frente da bola. Detalhes que poderiam não fazer diferença diante do adversário que enfrentávamos. Ou poderiam. Nunca se sabe o que a bola nos reserva numa noite de futebol.

Das camisas em campo quero fazer minha reverência a Geromel e Kannemann. Eles foram gigantes, cada um a seu estilo. Defenderam nossas cores e cidadela com bravura e talento. Venceram quase todas suas batalhas. E nas mais complicadas contaram com o apoio de Marcelo Grohe, outro que lutou até onde alcançou para nos manter vivos na disputa.

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A vitória não veio, mas o Grêmio me deu o direito de sonhar mais uma vez: o de disputar uma final de Mundial. Um sonho que vivi intensamente nestes últimos dias, admirando sua camisa entre as maiores do Planeta. Vestindo-a com o orgulho de sempre nas arquibancadas, nas ruas, nos locais turísticos, sagrados e consagrados destes Emirados. Um sonho que sonhei ao lado de meus dois filhos a quem fiz questão de beijar ao fim da partida, um agradecimento a esses companheiros que souberam entender a importância deste momento para o pai e ainda me surpreenderam ao levar para o jogo uma camisa com o nome do avô que, afinal, foi quem me deu a primeira camiseta azul, preta e branca que vesti na vida, despertando esta paixão em todos nós.

11 de dezembro de 2017

Avalanche Tricolor: um sonho se realiza na Terra do Mundial

Por Milton Jung


Direto de Abu Dhabi

Grêmio-Hugo-de-León-1983

Foram dias agitados esses últimos. Com menos de duas semanas entre a final da Libertadores e o início do Mundial, os trâmites burocráticos e a montagem da estrutura mínima para viajar ocorrem no limite do tempo. A passagem fica mais cara, o hotel com menos vagas, os ingressos desaparecem a cada dia e a concessão do visto gera ansiedade: a autorização da Embaixada dos Emirados Árabes para entrar na região chegou no fim da quinta-feira, último prazo para quem pretendia embarcar no fim de semana (soube de quem a recebeu no saguão do aeroporto).

Com uma viagem de cerca de nove horas até Nova Iorque e mais de 16 horas para Abu Dhabi, com direito a três fusos horários – para trás e para frente -, escala em aeroportos internacionais, despacho de malas e outros quetais, tudo que eu queria era chegar nos Emirados a tempo de ver a primeira partida.

Cheguei …. e não cheguei em um dia qualquer. Cheguei em um 11 de dezembro, data histórica na qual comemoramos a primeira vez que o Grêmio conquistou o Mundo ao vencer o Hamburgo da Alemanha, por 2 a 1, em Tóquio, em 1983. Quis o destino que depois de tudo certo e arranjado, eu desembarcasse na Terra do Mundial exatamente nesse dia em que lembramos um dos maiores feitos de nossa história. Pode ser um sinal, pode ser coincidência ou pode ser coisa alguma. Mas fiquei ainda mais feliz com a conspiração do calendário.

Lá se foram 34 anos desde que alcançamos o topo do mundo em uma competição da Fifa – sim, meu senhor, sim, minha senhora, tinha a assinatura da federação internacional, basta ver as imagens da época – que era disputada em uma só partida e sempre no Japão.

Eu era apenas um guri de 20 anos, universitário, jogador de basquete do Grêmio e sem um tostão no bolso para viajar até o outro lado do mundo. Estar ao lado do Grêmio era um sonho impossível de ser realizado. Assisti ao jogo em Porto Alegre mesmo. E tenho certeza que você, caro e raro leitor desta Avalanche, se gremista for, também haverá de lembrar onde estava. Eu estava ao lado do meu pai – boa parte das nossas grandes conquistas, estive na companhia dele. Estávamos junto com alguns amigos do basquete gremista no apartamento do técnico Edson Rezeznik.

Vibramos entre amigos cada drible e cada gol de Renato, aplaudimos a bravura (e braveza) de nossos jogadores e comemoramos a grandeza do Grêmio que fez os alemães e a Europa se renderem ao nosso futebol. Voltei para casa de carona com o pai, buzinamos no meio do caminho para cada torcedor que corria pelas ruas extravasando sua alegria na madrugada de Porto Alegre. Uma enorme festa que se estenderia até o retorno da delegação ao Brasil.

Tanto tempo passou e tantas coisas aconteceram na minha vida desde então. Pessoas que estavam comigo se foram, muitas outras vieram. Eu mesmo fui embora. Troquei Porto Alegre por São Paulo para construir minha própria família e carreira profissional. Cresci, chorei, amadureci, sofri, envelheci, comemorei … e sempre estive com o Grêmio onde o Grêmio estivesse.

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Neste 11 de dezembro, 34 anos depois de conquistamos o Mundo, desembarquei em Abu Dhabi ao lado de meus dois filhos. Por onde passamos, nos aeroportos que andamos e nos aviões que embarcamos, no Brasil e fora dele, o Grêmio esteve conosco. Torcedores enrolados em bandeiras, trapos esticados sob as mesas de bar, camisetas novas, antigas e retrôs vestidas com orgulho. Quem não se falava, trocava olhares cúmplices. De quem sabia o que carregava na mala, no que sonhava naquele momento …

Um sonho que é muito mais complicado hoje do que foi em 1983. As diferenças financeiras e técnicas entre o futebol da Europa e da América do Sul aumentaram desproporcionalmente. Etapas e times encardidos se meteram no meio desta disputa e entram em campo dispostos a fazer sua própria história e desconstruir a nossa.

Independentemente das diferenças e dificuldades impostas no nosso caminho, aconteça o que acontecer amanhã e depois, quero aqui deixar registrado: 34 anos depois de o Grêmio me dar o prazer de gritar “Campeão do Mundo”, o Grêmio volta a me dar o direito de sonhar o maior de todos os sonhos que o futebol pode proporcionar.

Eu estou aqui na Terra do Mundial, sonhando e orgulhoso de ser gremista!

26 de outubro de 2017

Avalanche Tricolor: melhor do que a encomenda

Por Milton Jung


Barcelona-EQU 0x3 Grêmio

Libertadores – Monumental Isidro Romero Carbo, Guaiaquil


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Os poucos que me conhecem sabem das minhas crenças em relação ao Grêmio. Talvez a mais alucinada de todas é a certeza de que não existem placares irreversíveis. Somos capazes das maiores façanhas; e não precisamos exercitar muito a memória para entender porque é assim que penso.

Diante de tantas vitórias consideradas impossíveis ao longo de nossa história, forjei a máxima: “até três em casa a gente vira”. E a uso sempre que estamos frente a um mata-mata. A usei na manhã desta quarta-feira em conversa pelo Twitter com Seu Algoz, que sempre me dá uma colher de chá e publica essa Avalanche no seu blog.

Havia um diálogo entre gremistas, os crentes e os descrentes – sim, é incrível, eles existem. Discutiam qual o melhor resultado para esta noite. Palpitavam e se dividiam entre otimistas e pessimistas. Dentre os últimos, a maioria contaminada pela performance mais recente, uma turma que parece ainda não ter entendido o grande poder de superação do Grêmio.

Poucos, muito poucos, seriam capazes de arriscar um placar como o construído no Equador. Perdão, um placar construído no planejamento de Renato e comissão técnica; na paciência deste grupo que suportou a pressão dos próprios torcedores (e dos críticos, também); na humildade de um clube que entendeu ter diante de si uma missão que seria a de reconquistar a América, e para vencer esta guerra teria de ceder em algumas batalhas.

Cedeu até onde pode e hoje estava inteiro em campo, com o que havia de melhor e mais bem preparado. Com Marcelo Grohe, protagonista de uma das mais belas defesas já assistidas no futebol mundial; com Geromel e Kannemann, senhores da área; com o petardo de Edílson explodindo no gol adversário; e Luan, o craque que ressurge após 56 dias recuperando-se de lesão.

Nosso camisa 7 é raro, disse Grohe ao fim da partida. É raro, genial e goleador. Com a bola nos pés convidou os equatorianos a dançarem com ele. E levaram um baile. Diante do gol foi matador nas oportunidades que teve. Uma logo no início do jogo, contendo o ímpeto adversário. Outra, para fechar o placar no instante em que ensaiavam uma reação.

O 3×0 desta noite foi melhor do que a encomenda, mas para a entrega ficar completa ainda faltam os 90 minutos na Arena, semana que vem. Que estejamos todos lá, crentes e descrentes, loucos e racionais, gremistas e imortais, pois agora falta muito pouco para estarmos novamente na final da Libertadores.
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Bastidores da vitória no Equador






10 de março de 2017

Avalanche Tricolor: começamos bem na Copa que queremos

Por Milton Jung

Zamora-VEN 0x2 Grêmio
Libertadores – Agustín Tovar/Barinas-VEN

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Leo Moura comemora seu primeiro gol. Foto: LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA


#QueremosACopa

 A hashtag que nos embalou no título da Copa do Brasil se renova e veio para nos motivar na Libertadores.
 
Como a do Brasil, a Libertadores também é Copa. E a Copa que sempre quisemos ter. São 17 participações, quatro finais e dois títulos. Tem a nossa cara.
 
E foi com os caras que temos hoje é que vencemos na estreia, fora de casa e sob calor de mais de 30 graus, apesar de ser início de noite na Venezuela.
 
E olha que os nossos caras não puderam contar com ao menos cinco dos titulares que venceram a Copa do Brasil há cerca de três meses. Algumas das ausências foram figuras cruciais no título nacional: Geromel e Douglas, por exemplo.
 
Por tudo isso, pelas mudanças de última hora e pela necessidade de reencontrar o entrosamento que nos fez destaque do Brasil, em 2016, não deveríamos esperar muito da atuação gremista nesse primeiro jogo.
 
O início titubeante e com espaço para o toque de bola adversário, porém, não durou muito. A medida que o tempo avançava, passamos a dominar o jogo, trocar passes de um lado para o outro e ameaçar algumas investidas. A paciência foi nosso mérito e permitiu que impuséssemos nossa superioridade.
 
O gol quase ao fim do primeiro tempo teve a cara do Grêmio que ganhou a Copa do Brasil. A triangulação pelo lado direito e o passe preciso permitiram que Leo Moura, nosso ala, aparecesse na frente para receber a bola, surpreendendo a defesa. O giro e o chute bem executados completaram a jogada. Foi o primeiro dele com a camisa do Grêmio.
 
No segundo tempo, o time já era senhor do jogo. Com a defesa mais bem protegida e as escapadas para o ataque feitas com prudência, não demorou para construirmos jogada pelo lado esquerdo: a velocidade de Pedro Rocha e o surgimento de Ramiro à frente dos zagueiros provocaram o pênalti convertido por Luan.
 
Sem alternativa, o adversário partiu para cima do jeito que podia. Apesar dos sustos e da pressão que sofremos, eles esbarraram em um sistema defensivo muito mais firme e valente: Kannemann, Ramiro e Thyere, nesta ordem, tiraram bolas que tinham nosso gol como destino. O primeiro fez as vezes de goleiro ao ver que Marcelo Grohe já estava batido; o segundo meteu a cara quando a bola se encaminhava para as redes; e o terceiro abortou com os pés jogada na entrada da pequena área.

 Era evidente o cansaço pelo desgaste da viagem, da estreia e do calor. Tudo, porém, foi superado pelo desejo de iniciar muito bem uma Libertadores, pois os nossos caras – e todos os demais que estão chegando ao grupo apenas agora – sabem o que eu, você e toda a torcida do Grêmio querem neste ano:


#QueremosACopa

17 de outubro de 2016

Avalanche Tricolor: os nossos “alternativos” mandaram bem, na Vila

Por Milton Jung

Santos 1x1 Grêmio
Brasileiro - Vila Belmiro SP/SP



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Renato em foto do arquivo no Flickr de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA

 Havia quem esperasse pouco do time escalado para jogar neste domingo. Eu, por exemplo. Você, talvez. Quero acreditar que o próprio Renato não apostaria todas suas fichas em um resultado positivo.
O time era o alternativo, como repetiu o repórter de campo durante a transmissão da televisão. Não sei se no rádio disseram o mesmo. Chamou-me atenção porque no meu tempo costumávamos dizer que este era o time reserva.
Bem que gostei da ideia de batizá-lo como alternativo. Creio que isso seja coisa do Renato e os jornalistas estejam apenas levando à frente. Nos dá um olhar diferente sobre os jogadores que estão em campo. Não os impõe a pecha de segundo escalão, apenas de diferentes.
E foram diferentes em campo. Surpreendentes, eu diria.
Além de se fecharem bem na defesa, sem vergonha de admitir a diferença em relação ao adversário, usaram o contra-ataque como poucas vezes vimos na competição. Capacidade que se revelou logo no início da partida com gol que surgiu de jogada na qual Everton soube combinar sua velocidade com domínio de bola e precisão no chute. Coisa rara de se ver no futebol.
Conter a pressão de um time pouco acostumado a derrotas em seu campo seria tarefa das mais complexas. Por isso, o gol que tomamos de cabeça parece que já estava mesmo na nossa conta. E veio para ratificar que se a zaga principal parece ter se ajeitado por cima, a alternativa ainda tem o que melhorar.
O segundo tempo, apesar de nosso gol não ter saído - e foi por detalhe -, voltamos a surpreender. A marcação foi mais alta, na saída de bola do adversário, e isso desorganizou a chegada do ataque deles. Mudança, com certeza, que teve o dedo de Renato.
Estivemos sob fogo cruzado boa parte do jogo, mas vimos nossos defensores se multiplicarem para segurar o empate. Em alguns casos chegamos a ter dois jogadores marcando a mesma bola. Houve aquilo que a turma gosta de chamar de entrega total em campo.
Ao fim da partida Maicon definiu o empenho da equipe: “se não vai no entrosamento, vai na vontade”.
Os nossos alternativos demonstraram muita vontade e estão de parabéns, pois neste domingo, jogando pelo Campeonato Brasileiro, seguraram a onda da turma que descansou para, na quarta-feira, “jogar a vida” na Copa do Brasil.

5 de setembro de 2016

Avalanche Tricolor: estas mal traçadas linhas

Por Milton Jung


Botafogo 2×1 Grêmio
Brasileiro – Arena Botafogo


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Luan bem que tentou nesta jogada, em foto do site Gremio.Net

Imagino que você, caro e raro leitor desta Avalanche, já tenha se deparando com o desafio de ter de começar a escrever um texto e a falta de criatividade impedir-lhe de avançar além do primeiro parágrafo. Escreve, descreve e reescreve. Vai e volta. Arrisca seguir por um lado. Não dá certo. Tenta o outro. Também não rola. Apaga tudo e recomeça.

Algum tempo depois, diante da página vazia ou cheia de frases mal começadas, você percebe que pouco tinha a dizer. E o que tinha, não sabia como fazer. Pensa em desistir, mas o texto já está encomendado. Não tem jeito. Chuta pra frente e torce para que uma frase colada na outra faça algum sentido. Na maioria das vezes, o máximo que se consegue são mal-traçadas linhas.

Assim foi o futebol do Grêmio na tarde deste domingo.

Esqueceu da inspiração em algum lugar qualquer no caminho entre Porto Alegre e Rio de Janeiro. O comentarista que ouvi na televisão chegou a supor que o problema se devia aos desfalques na equipe. Estranhei, porque exceção a Miller, que sequer é unanimidade entre os torcedores, os demais ausentes estão longe de serem artífices da criatividade, apesar de importantíssimos para a segurança do time. E nesse caso, claro, refiro-me a Marcelo Grohe e Geromel.

O time simplesmente não conseguiu jogar. Parecia desconfortável naquele estádio com cara de interior, apelidado de Arena e gramado precário. Apresentou-se desajeitado, com jogadores fora de posição e se deslocando de maneira acanhada, o que prejudicou a qualidade do passe.

Se na frente a coisa não andava, atrás desandava.

A impressão é que o sistema defensivo jamais havia jogado junto. Sempre aparecia um atacante livre para receber e colocar perigo no nosso gol. Era tanta liberdade que até o árbitro e seu auxiliar se atrapalharam logo no início da partida quando não sabiam se davam impedimento ou validavam o gol adversário. Acertaram ao anular o lance, não sem antes fazerem uma baita confusão e influenciarem os ânimos dos jogadores dos dois times.

Diante dos fatos, deixamos de somar mais três pontos, no Campeonato Brasileiro. Dos nove últimos disputados, conseguimos apenas um. Nos afastamos ainda mais do líder. E seguimos fora da zona de classificação. O jogo que deveria ter acontecido no início de agosto, nos pegou no pior momento desta temporada nacional.

E agora?

Apaga tudo e começa de novo, até porque apesar da falta de criatividade deste domingo, ainda confio muito no talento de Roger e sua turma. E o Grêmio sempre encontra inspiração para reescrever sua história.


25 de julho de 2016

Avalanche Tricolor: melhor recepção impossível

Por Milton Jung


Grêmio 1×0 São Paulo
Brasileiro – Arena Grêmio


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Douglas e cia festejam gol da vitória, em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

Cheguei há pouco a São Paulo. As férias estão terminando. Em dois dias estarei de volta ao trabalho. Reservei o domingo para colocar o fuso horário no eixo, depois de duas semanas com o corpo e a mente “rodando” cinco horas à frente. Fui muito bem recebido em casa, onde Bocelli, o Gato, me deu as boas vindas com um miado alto e forte como se reclamasse de saudades pelo tempo afastado.

Fui melhor ainda recebido pelo Grêmio, que mexeu no time para se adaptar as negociações e convocações. Na escalação, algumas surpresas para o torcedor como a preferência de Roger por Negueba para substituir Giuliano. E Roger fez certo. Nosso novo meio-campo foi apontado como um dos destaques da partida.

Soube de fonte segura que até meu amigo Teco Medina, são paulino de coração, bateu palmas para ele ao fim do jogo.

No time que me deu as boas vindas, tinha também, a confirmação de Jaílson, em lugar de Walace, para formar a dupla de volantes com Maicon, e de Miller Bolaños ocupando o espaço de Luan. Os dois cumpriram muito bem o seu papel, com Miller tendo sido fundamental para a vitória e mostrando que está pronto para reassumir a posição de titular, após convocações, lesões e complicações.

Neste meu retorno ao Brasil, o adversário era tradicional e histórico, e mesmo que tenha tropeçado aqui e acolá, nesta temporada, é sempre perigoso. Até agora não o havíamos vencido na Arena, nas quatro partidas até então disputadas.

Bem que o goleiro deles se esforçou para manter a escrita. Saltou pra cá, saltou pra lá. Defendeu com uma mão, com as duas, e quando não dava para alcançar a bola, deve ter cruzados os dedos, pois ela teimava em não entrar.

Do outro lado do campo, Marcelo Grohe assistiu ao jogo sem qualquer esforço. Na única vez em que o perigo parecia próximo, Geromel surgiu para despachar para escanteio. Aliás, nosso zagueiro segue encantando o torcedor.

Na defesa, fiquei muito feliz ainda com a maneira como fui recepcionado por Edílson, para quem o adversário torce o nariz, mas que dá conta do recado e com toques de picardia.

Soube das mesmas fontes anteriores que Teco Medina quer ganhar de aniversário uma camisa autografada pelo nosso lateral direito. Se não tiver a dele, pode ser a do Douglas. Apesar de que a deste, guardaria comigo na coleção que estou reconstruindo.

A camisa 10 tem sido vestida com genialidade por Douglas. No meio de campo, ele distribui o jogo com qualidade invejável, tem um passe refinado e facilita a vida de seus companheiros como nenhum outro em campo. No jogo de hoje, deu uma sequência de passes, no segundo tempo, que merecia o replay (mas o pessoal da TV prefere repetir pontapés e encontrões). Não bastasse o talento, Douglas tem se consagrado como reboteiro e marcado gols como o deste domingo, semelhante ao que já havia feito contra Santos, Cruzeiro e Inter. Mereceu todas as palmas recebidas quando deixou o gramado (inclusive as do Teco).

O Grêmio jogou muito melhor, quebrou um tabu na Arena, venceu um clássico e ficou apenas a dois pontos da liderança do Campeonato Brasileiro, após 16 partidas disputadas. Ainda por cima, tive o direito de brincar com meu grande amigo e colega de trabalho Teco Medina (aquele que sempre acha que eu tiro mais férias do que mereço).

Melhor recepção impossível!