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19 de março de 2016

Jonas Silveira: A Altitude de Quito

Eu estive na altitude e sei que é um problemão. Especialmente entre o segundo e o terceiro dia. Estes são os piores, e os clubes que vão jogar na altitude, geralmente chegam um ou dois dias antes. E quase sempre se ferram.
Por isto estou muito preocupado com o jogo de Quito. E como vi um comentário do Jonas contestando uma fala do VP de futebol do Grêmio e eu concordei, pedi para que ele fizesse um post. Segue abaixo.

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César Pacheco deu entrevista dizendo que, em 2013, o Grêmio de Vanderlei Luxemburgo viajou 11 dias antes para a altitude, ”mas não deu certo”. É a famosa análise de resultado, como perdeu de 1x0, então o planejamento “não deu certo”.

Ocorre que tem vários fatores que estão sendo ignorados quanto a essa partida... Um deles é a data. O jogo ocorreu no dia 23 de Janeiro de 2013. No dia 20, a equipe reserva que ficou em Porto Alegre venceu o Esportivo fora de casa, com gols de Lucas Coelho e Paulinho; escalada assim: Busatto, Tinga, Gerson, Werley e Carlos Alexandre; Léo Gago, Ramiro, Calyson e Rondinelly; Gustavo Xuxa e Lucas Coelho; entraram Deretti, Misael e Paulinho. A equipe que atuou em Quito não havia estreado na temporada, e mal havia começado sua preparação.

Outro fator importante é o da escalação. Só olhando a diferença entre a partida de ida e a de volta naquela Libertadores, se percebem vários erros de avaliação. O Grêmio perdeu em Quito com esse time: Dida (Marcelo); Tony, Cris, Saimon e Pará improvisado na esquerda; Fernando, Souza, Elano (Marco Antônio) e Zé Roberto; Marcelo Moreno e William José (Eduardo Vargas).

Dida, é sabido, não renovaria contrato e seria substituído com acréscimos por Marcelo no ano seguinte. Ele se machucou aos 29 minutos do segundo tempo em Quito e não atuou em Porto Alegre, onde o Grêmio venceu e se classificou nos pênaltis. Tony é um jogador que nunca vingou e jamais virou titular do Grêmio; Cris foi uma das piores contratações para a defesa dos últimos anos, furando inúmeros lances por cima; Saimon nunca teve sequência; Pará foi um atraso de vida para o clube, especialmente quando jogava pela esquerda, o que é um absurdo ainda maior quando olharmos para quem ficou de fora nessa oportunidade; o meio de campo foi formado por quatro volantes, um deles, o futuro lateral esquerdo do Palmeiras Zé Roberto, era a referência técnica do time. A dupla de ataque eram dois aipins... William José, por sinal, outra lamentável contratação.

Ainda assim, só sofremos o gol em um lance de bate-rebate da defesa, aos 30 do segundo tempo. Naquele jogo, o Grêmio botou bolas na trave aos 15 minutos do segudo tempo, com Souza, e aos 46, com Fernando. Teve ainda três chances de gol nos primeiros 10 minutos do segundo tempo, muito por conta da entrada de Eduardo Vargas no lugar de William José. Por mais displicente que tenha sido Vargas no Grêmio, não dá pra comparar seu futebol com o de William José, existe um abismo de diferença.

Mas mesmo no primeiro tempo o Grêmio já havia igualado a LDU em chances de gol, com uma para cada equipe, fazendo aquele tipo de jogo que nos tem eliminado de todas as competições nos últimos anos: marcando e jogando no contra-ataque.

O Grêmio “voltou vivo”, como diz o pessoal do SINPOF, e se classificou com esse time: Grohe; Pará, Saimon, Bressan e Alex Telles; Fernando (José), Souza, Elano (Deretti) e Zé Roberto; Vargas e Moreno (André Lima). Esse foi o famoso jogo da Avalanche que rompeu o muro.

Bressan e Alex Telles poderiam ter sido titulares em Quito, mas “não estavam prontos”. A improvisação de Pará na esquerda em detrimento do futuro melhor lateral esquerdo do Campeonato Brasileiro é mais uma vitória inexplicável dos “cascudistas” contra a realidade fática. Outro jogador que seria importante pro Grêmio durante o ano, mas ainda estava com a equipe B era o Ramiro. Vargas jogou os 90 minutos nessa segunda partida, na qual o Grêmio atuou por todo o segundo tempo com três atacantes: José, Vargas e André Lima; Souza se tornou o único volante, função que faria muito bem no São Paulo e lhe renderia transferência para o Fenerbahçe (no Grêmio, seguiríamos insistindo que ele não tinha condições de atuar sem o apoio de um ou dois marcadores no meio), e o jogo foi resolvido por um chute no ângulo de Elano, surpreendendo o goleiro Dominguez, que ainda atua na equipe de Quito e na Seleção Equatoriana.

A equipe que o Grêmio enfrentou em Quito, além do goleiro Dominguez, tinha o zagueiro Araújo e o volante Fernando Hidalgo, que seguem no time e também caíram de quatro na Arena nesse ano; os zagueiros Eduardo Morante, hoje no Deportivo El Nacional, que lidera o Equatorianão 2016, e Ignacio Canuto, que passou pelo Tigre e pelo León do México antes de chegar ao Atlético Tucumán da Argentina; o lateral esquerdo era o jovem Francisco Rojas, que teria que se aposentar por conta de um acidente de trânsito que lhe exigiu realizar uma série de cirurgias faciais; Rojas foi substituído pelo volante veterano Pato Urrutia, que se aposentaria ao final daquele ano, que, por sua vez, precisou ser substituído por Carlos Arboleda, que hoje milita na Série B Equatoriana; um dos volantes era o já veterano Enrique Vera, paraguaio que segue fazendo parte do grupo aos 37 anos, junto com Néicer Reasco, lateral direito que tem 38 anos e passagem pelo São Paulo em 2008; também atuou o volante Luis Saritama, que seguiria na LDU até Janeiro de 2016, quando se transferiu para o Desportivo Cuenca. No ataque jogaram o argentino Pablo Vitti, hoje no All Boys; Carlos Garcés, hoje na Segundona Mexicana com o Atlante; e o autor do gol chorado, Carlos Feraud, que defende o Macará da Segunda Divisão Equatoriana. No jogo da Arena participaram ainda o zagueiro Koob Hurtado, que foi pra rua ao descer o sarrafo no Jean Deretti e hoje joga no 5º colocado do Campeonato Equatoriano, o Fuerza Amarilla SC, carinhosa e espetacularmente apelidado de “La Banana Mecánica”; e os meia José Madrid, que segue na LDU, e Hugo Vélez, que atua no Mushuc Runa, atual vice-lanterna do Campeonato Equatoriano. Essa “fantástica” equipe era comandada pelo técnico Edgardo Bauza, amigão do Barcos que levaria o San Lorenzo ao título da Libertadores no ano seguinte e que hoje afunda o São Paulo, fazendo 2 pontos em 9 na Libertadores e perdendo a liderança do seu grupo no Paulistão pra Ferroviária, nos critérios de desempate.

Mas vale ressaltar que a LDU atual também não pode assustar o Grêmio, visto que a equipe tem aproveitamento de 46,6% no Campeonato Equatoriano, ocupando a 10º colocação entre 12 equipes, com três partidas a menos por conta da Libertadores, mas atrás de todos os outros participantes do país na competição Internacional. A equipe também tem o pior ataque do Campeonato, com três gols marcados em cinco partidas; a marca é tão ruim que se mantém ao considerar o menor número de jogos, a LDU marca apenas 0,6 gols por jogo. Na Libertadores a equipe marcou 3 gols em 3 partidas, um deles na derrota em casa pro Toluca e dois na vitória contra o San Lorenzo.

11 de setembro de 2015

HABEMUS SUL-MINAS-RIO

*Texto enviado pelo leitor Jonas Bernardes Silveira







O nome é meio Frankenstein, não? Que tal Copa Meridional? Mas pode chamar do que quiser, o que importa é que o ruralito vai perecer, a Fábrica de Ilusões Vermelhas vai fechar as portas.

Chega de “erros humanos” em Fevereiro e Março, todos curiosamente para o mesmo lado. Chega de jogos em Janeiro, sob pleno sol das 15h, no ralador de canelas do Zequinha, onde a “palma do pé” (como diria o ídolo Jardel) dos jogadores cozinha. Chega de dezenas de datas inúteis. Chega de lista patética que evita que o Grêmio lance garotos na única competição onde isso deveria ser viável. Agora poderemos disputar a Caravana da Miséria com um grupo de transição, combinado do que há de melhor no Grêmio fora do time principal, talvez revelando valores para as competições que interessam.

E a Sul-Minas interessa, por si só ela tem valor. Mesmo que não ofereça vagas pra nenhuma competição, é um enfrentamento de equipes de Série A e, eventualmente, equipes de ponta da Série B.

Ainda não se definiu o regulamento, mas com a confirmação das oito datas e dos dez participantes, fica possível prever o que está sendo planejado. Dois grupos de cinco equipes, uma de cada estado participante, em turno único, para definir dois classificados de cada grupo, semifinais e finais em mata-mata. É uma boa fórmula para começar.

Fica o desejo de que a competição seja valorizada o suficiente para que um dia ela agregue mais equipes, talvez apostando em fases decisivas em jogos únicos e grupos com menos equipes, tal qual a Copa do Mundo.

É um golpe necessário contra o status quo do futebol gaúcho, que pode causar o início da recuperação da Federação Gaúcha de Futebol. A desvalorização da competição vai obrigar a entidade organizadora e os clubes participantes a reavaliarem certas posições, talvez até mesmo o comando. Não se faz omelete sem quebrar os ovos.

Só a existência de uma Liga no futebol nacional já deveria ser comemorada. Eventual ruína da CBF, coisa que qualquer brasileiro honesto deseja, poderá abrir espaço pra que essa entidade a substitua. Também é interessante que os clubes tenham controle sobre outros aspectos da organização da competição, como a arbitragem. O poder de escolher melhor os árbitros permite que se combata a prepotência e a impunidade que tanto prejudicam o futebol nacional, decidindo campeonatos.

Como se não bastasse tudo isso, há ainda a questão financeira. A Liga pode se aproveitar da guerra pelos direitos de transmissão esportiva que tem favorecido a Globo, por vezes estranhamente, tendo em vista propostas aparentemente mais vantajosas de outros meios de comunicação. O Grêmio precisa desse dinheiro, que somado à política de contenção de gastos, permite ao clube antecipar ainda mais a compra da Arena. É um valor que ajuda a diminuir a diferença atual de cotas televisivas com relação a algumas equipes importantes: São Paulo, Palmeiras, Santos e Corinthians.

Vamos torcer para que a competição resista à enxurrada de críticas, muitas delas vindo de partes interessadas, e se torne um ponto alto do primeiro semestre gremista.

3 de maio de 2015

A realidade paralela

* Texto de Jonas Bernardes Silveira

Todo ano é a mesma coisa. Não vou me dar ao trabalho de olhar os lances dos anos que passaram, mas quem gosta de sofrer pode pesquisar. Não adianta olhar vídeos de melhores momentos, pois eles são omitidos desses vídeos. Olhem no próprio blog, nos textos pós-jogo e nos comentários. Apenas a título de exemplo, me recordo de Paulão vestindo a bola como relógio de pulso e da cama-de-gato do Caneludo contra o Rodolfo Ruim. Dessa vez tivemos a expulsão direta do Rhodolfo Bom e amarelo em lance igual de Valdívia, que já escapou de ser expulso no jogo anterior, ao pisar em Matías, sem bola. O mesmo atleta cavou expulsão de Geromel, em lance que tinha falta em Douglas na origem e cartão amarelo mandrake. Além disso, inúmeras faltas mandrakes, invertidas, escanteios sonegados... teve de tudo um pouco.

O Ruralito tem dono, a hierarquia da Entidade Administrativa da competição é clara e notória. Na primeira fase, em partidas contra o São Paulo, o Brasil de Pelotas, e no Gre-nal, no qual impedimento inexistente foi marcado em Mamute; foram inúmeros os lances duvidosos marcados, ou mesmo evidentemente invertidos. Daí nasceu a ordem das partidas na final. Foi parida pelo status quo.

O jogo contra o Cruzeiro foi patético. A arbitragem virou pro Inter, com pênaltis inexistentes, inventando uma regra que não existe. Na final, como que em homenagem, Vuaden marca mão de Éverton em lance no qual o braço do jogador está junto ao corpo e a bola é diretamente jogada contra o jogador por Valdívia, à curta distância. Coisa patética.

Todo ano tomamos pedras no Beira Rio, tem brete e porta meio fechada, torcida sufocada, sangrando, hostilidade, spray de pimenta... “Tomamos”, digo, por fazer parte da torcida, por que não piso naquele lugar. Nunca pisei, nunca pisarei. Não financio certas coisas, nem valorizo. Quando o Inter será punido por qualquer dessas coisas? Quando o Inter será punido por alguma coisa? A imprensa vai lembrar apenas da confusão na torcida do Grêmio, naturalmente.

Mas a diferença, com todo esse favorecimento, é um gol. E teve pressão no final...

Não me digam agora que vão fazer “terra arrasada”. É bem claro o que o Grêmio pode e deve melhorar. Douglas não tem perna, Wallace é muito titular, Éverton precisa aparecer mais. De modo geral, Felipão escalou os cascudos e tomou dois gols, e a cada veterano que deixava a equipe para entrada de um garoto, o Grêmio tinha alguma melhora. É emblemático o lance no primeiro tempo no qual Luan pega uma bola no nosso campo, que a zaga tirou, corre até a intermediária, onde já estava Douglas, e segue avançando. Douglas não se adianta com relação à Luan, ele segue trotando ao lado do garoto, recebe a bola e dá um toque pra Giuliano, que dá sequência na jogada tocando pra Luan, que dentro da área adversária bate entre as pernas do marcador e a bola passa perto da trave direita do Inter. Douglas começou e terminou esse lance na intermediária, Luan cruzou o campo inteiro correndo. Pouco depois, Luan abre uma bola pra Douglas, ela vinha pra perna esquerda do jogador, que em 2008 teria emendado pra rede. Douglas viu a bola passar, só a alcançou na linha lateral. Éverton, Mamute e Lincoln estavam sentados no banco, assistindo isso.

O Grêmio tem seus erros, um dos quais, em minha opinião, é usar os titulares nessa competição e não arrumar coisa melhor pra fazer entre Fevereiro e Maio. Não odeio o Campeonato Gaúcho, odeio apenas o que ele se tornou. Gostaria de ver o Grêmio agir para recuperar a competição, nem que tenha que fazer de conta que ela não exista por alguns anos, até que nossa falta faça a diferença do ponto de vista econômico.

Gostaria de ver o Grêmio com mais garotos em campo. Não me importo com essa derrota, pois tenho olhos pra ver o que acontece e calma pra contextualizar. Só temo pelos possíveis efeitos.

Contratar mais atletas veteranos, visto que estamos sem dinheiro, é um risco. Esses jogadores, alguns dos quais não poderiam nem fardar no Imortal Tricolor, ganharão vagas como titular no famoso carteiraço. É sempre assim. Se vai contratar veterano, que seja um centroavante consagrado e/ou um jovem lateral direito. Se não é possível fazer tais negócios, que Mamute seja titular e Raul ganhe a oportunidade o quanto antes.

Não adianta avaliar o Grêmio pelo que foi visto nesse campeonato. O Inter comemora um pentacampeonato, mas nos quatro anos anteriores ficou atrás do Grêmio no Brasileirão em duas oportunidades. É como se essa hegemonia fosse algo fabricado, um “100%” que quando é testado no campeonato nacional acaba se tornando “50%”. Nesse ano será o tira-teima.

O torcedor tem direito de reclamar que o time não teve uma vitória épica, contra tudo e contra todos. Só precisa ter noção de que é disso que está reclamando, não estamos falando de um resultado vexatório, não é real o que será veiculado na imprensa. Faz parte da realidade paralela.

16 de fevereiro de 2015

O vestibular de Felipão e o torcedor Regina Duarte

*Texto do leitor Jonas Bernardes Silveira

É do blog Corneta do RW a definição de " Torcedor Regina Duarte", em alusão à
profética campanha política de José Serra na qual a atriz global diz “ter medo” de Lula e do PT. O Torcedor Regina Duarte é o que decreta o rebaixamento gremista em fevereiro, decreta a queda na Copa da Brasil para equipe de Série D.
Eliminar o Grêmio por decreto é uma das atitudes mais criticadas da ivi, é também uma das principais críticas a respeito de Paulo Sant’Anna, que sempre foi um dos primeiros gremistas a soar as trombetas do Apocalipse, muitas vezes precocemente, muitas vezes sem necessidade.
O problema do Torcedor Regina Duarte não é a opinião que manifesta, mas sim a falta de memória e a cegueira que estão associadas a essa opinião. Esquecem que o Grêmio é sempre o primeiro candidato ao rebaixamento em fevereiro, todos os anos os “analistas” prevêem que o Tricolor não sustentará a campanha do ano anterior, sempre por que “falta qualidade”, por vezes a previsão da queda é prorrogada até o início do Brasileirão, quando o tradicional começo trepidante do Grêmio dá início à missa de sétimo dia. E a torcida, empurrada pelos corneteiros de plantão, se fantasia de Regina Duarte.

Enquanto o torcedor espera pra ver um time e analisa o time como se isso fosse, Felipão está fazendo Vestibular. Na coletiva pós-jogo contra o Brasil ele disse com todas as letras que está lançando e avaliando os atletas pra decidir quem fica, que está se preparando pra definir o grupo gremista, sabedor de que precisa de reforços, e, mais ainda, de quais reforços precisa. O Grêmio inclusive já está atrás dos reforços, mas não quer repetir os erros com Kléber, Edinho e Fernandinho. Não quer pagar uma fortuna pra alguém que pode estar encostado em seis meses.
O torcedor que ouve da boca do treinador que o grupo está nessa fase de preparação e ainda exige resultados imediatos está de sacanagem. Não tem outro termo.

Quem não sabia que era essa a situação agora foi avisado oficialmente por Felipão, que interrompeu uma pergunta na coletiva pra falar com o torcedor gremista.
É perceptível a diferença entre o que o treinador está fazendo e o que o torcedor pensa que ele está fazendo. O torcedor critica, por exemplo, a saída de Júnior; mas esquece que Marcelo Oliveira foi contratado pra lateral esquerda e ainda não tinha jogado por ali, e que Walace ainda não tinha estreado. Se Felipão estivesse escalando o melhor time do Grêmio para dar sequência, Júnior teria seguido como titular. Contra o VEC, mais uma vez se percebeu a aparentemente desnecessária troca entre Matías e Galhardo, tudo parte de um processo de avaliação que pode terminar com o jovem Raul ganhando oportunidades por ali. Pedro Rocha ganhou oportunidade e, para variar, entrou bem no jogo. Cada vez mais o grupo aponta pra um meio campo de garotos, coisa que Felipão tem receio de escalar por conta dos tradicionais clichês do futebol, de que é necessária a presença de veteranos em todos os setores da equipe. Não por acaso, são eles que estão prejudicando o time em campo.

O trio de meias novamente foi alterado. É provável que siga sendo alterado até que Felipão tenha testado todos os jogadores de todas as formas que deseja. Não me surpreenderia se até o sistema fosse alterado, como já foi desde o início da temporada.
Eventualmente Araújo vai voltar a ter condições legais, e é bem possível que a dupla de volantes seja alterada várias vezes até que Felipão decida entre Marcelo Oliveira, Fellipe Bastos, Ramiro, Araújo e Walace.

Enquanto o Grêmio faz seu Vestibular, enfrenta equipes que jogam juntas há anos e treinam desde novembro ou dezembro, equipes que já definiram seu estilo de jogo e seu grupo, que tem como única preocupação fazer o crime. O Brasil de Pelotas, por exemplo, já tem time, esquema, e estratégia seguida à risca pelos jogadores, tudo testado e provado. O Grêmio não está nessa fase.
Tudo indica que a definição de time  vai ocorrer durante o próximo mês, com o retorno dos lesionados e a chegada dos reforços. Aí sim o treinador vai poder fazer o simples e escalar o que temos de melhor, com a devida sequência. Enquanto não houver repetição não teremos time, e os resultados seguirão parecendo um eletrocardiograma. Após a partida contra o Veranópolis, a coletiva do presidente gremista dá indícios de que o Grêmio vai buscar três atacantes e um meia. Fala-se na
saída de Douglas, um experimento sem risco que deu muito errado. Fico feliz de ouvir que estamos olhando pra fora do país na busca de reforços, pois está feia a coisa no mercado nacional.

Quem critica peças específicas nesse momento, querendo avaliar jogadores sempre pelo que fazem de pior, está fazendo um desserviço pro Grêmio. Fevereiro não é o momento ideal pra definir o futuro de um time nem a capacidade de um atleta. Só pra não dizerem que “acho tudo lindo”, apesar de eu não estar dizendo que não vou criticar o time caso a pasmaceira atual persista em abril, vou manifestar minha principal preocupação pessoal. Por mais que Felipão esteja testando o time e isso
prejudique a parte técnica e tática, a parte física não tem relação com isso. A impressão de momento é de que está faltando perna pros jogadores, e isso sim é preocupante. Não estou dizendo que fico preocupado por corrermos menos que o Brasil ou VEC, isso é natural por conta do momento, mas me preocupa que no final dos jogos não estávamos correndo. Trocamos de preparador físico, e perdemos um profissional muito bom. Qualquer que seja o time, a única coisa que pode prejudicar o Grêmio definitivamente é não ter perna aos trinta minutos do segundo tempo. Isso sim me dá medo.

22 de janeiro de 2015

Projetando o grupo para 2015



Texto do leitor Jonas Bernardes Silveira

Com o encerramento da pré-temporada em Gramado, mas ainda na iminência do derradeiro amistoso contra o Cascavel dia 25, no Paraná, vai se aproximando o momento do anúncio dos escolhidos de Felipão para o grupo tricolor que disputará o Gauchão e as fases iniciais da Copa do Brasil. Questionado após o empate contra o Nóia, Felipão disse que já havia decidido quais garotos seriam aproveitados. Tal partida, por sinal, foi vencida pelos titulares por 2x1 no primeiro tempo. O empate anilado ocorreu no final do segundo tempo, após todas as alterações, sob intensa chuva e com um jogador gremista fora de campo. A imprensa infelizmente esqueceu-se de fazer essa divisão, como fizeram na vitória contra Gramadense, para dizer que o time titular “só empatou”.
Felipão teria acenado com um grupo de no máximo 28 atletas, ele abriu a possibilidade para o aproveitamento de nomes da Copinha, porém declarou que não acredita que o Grêmio fará mais contratações.
 

Felipão definirá o grupo principal nesta semana. Foto:Jornal Gramado

Goleiros

Garantidos: Marcelo Grohe e Tiago.
Na Briga: Léo e Vítor
Léo foi o titular no início do confronto contra o Gramadense, porém Tiago entrou durante a partida e atuou na totalidade do amistoso contra o Nóia. Vítor parece correr por fora para ser um dos três goleiros de Felipão. Não creio que o treinador, que pretende reduzir o grupo, pretenda manter os quatro goleiros, no entanto, é possível que Felipão não se importe com a quantidade de jogadores nessa posição, pois ela não afeta seu trabalho.

Zagueiros

Garantidos: Rhodolfo, Geromel, Erazo
Na Briga: Gabriel Silva, Rafael Thyere, Lucas Costa.
O zagueiro Gabriel, ex-Lajeadense, ainda pertence ao Grêmio, porém sua situação é muito particular e não creio que ele faça parte dos planos imediatos do treinador. Sua permanência é garantida, porém não creio que isso afete a formação do grupo. Rafael Thyere foi um dos últimos jogadores a chegar na Serra, por isso se torna complicado prever sua situação no grupo. Lucas Costa, atleta que teria sua renovação de contrato ainda pendente, foi preterido durante a pré-temporada em favor de Gabriel Silva, que teve parte de seus direitos econômicos negociada para abater a dívida do Rodrigo Mendes e foi responsável por um gol contra no amistoso contra o Novo Hamburgo.

Laterais Direitos

Garantidos: Matías Rodriguez e Galhardo
Para o primeiro semestre, a definição dos laterais direitos parece já ter ocorrido. Além dos citados, o volante Jeferson Negueba chegou a ser utilizado na posição em Gramado.

Laterais Esquerdos

Garantidos: Marcelo Oliveira e Marcelo Hermes Na Briga: Liverson Um dos mais jovens atletas do grupo gremista, Liverson ainda pode voltar pra base para reduzir o número de jogadores do grupo, não sendo necessário negociar o atleta. Marcelo Hermes foi uma das surpresas da pré-temporada, sendo titular na ausência de Marcelo Oliveira e atuando bem.

Volantes

Garantidos: Walace, Ramiro, Fellipe Bastos, Araújo
Na Briga: Balbino, Jeferson Negueba Incluo Fellipe Bastos na lista dos garantidos, pois o Grêmio pretende contar com o jogador e tem contrato com ele, porém, o Vasco da Gama teria proposta do mundo Árabe e sua saída ainda é uma possibilidade. Araújo foi muito elogiado por Felipão em ambas as partidas de Gramado, é o único jovem que o treinador garantiu no grupo, sendo mais uma surpresa da pré-temporada. O jogador ainda teria que ser adquirido de seu clube de origem, o Juazeiro-CE. Balbino também é um atleta bastante jovem, que poderia voltar pra base.

Meias

Garantidos: Giuliano, Douglas, Luan, Lincoln
Decidi pela inclusão do diamante negro gremista na lista dos garantidos, apesar de sua idade, pois vejo as declarações de Felipão a respeito do jogador como uma tentativa de tirar a pressão do jovem atleta nesse momento de transição. Creio, pelas entrevistas, que Lincoln seja um jogador bastante maduro e focado. Acho que merece muito a chance, pois parece ser um jogador habilidoso e decisivo.

Atacantes

Garantidos: Barcos, Moreno, Éverton
Na Briga: Everaldo, Lucas Coelho, Paulinho, Erik, Paulista, Pedro Rocha.
Éverton marcou um dos gols contra o Gramadense e foi aproveitado contra o Nóia, o Presidente Romildo aposta muito no atleta, que mencionou mais de uma vez em entrevistas. Paulinho, autor do outro gol do primeiro amistoso, ficou de fora do segundo, o que pode ser um indício de que está descartado ou de que já está garantido. Paulista é mais um dos atletas com situação contratual pendente. Creio que, entre Coelho e Everaldo, ao menos um atleta ganhe a chance como centroavante reserva.
Ao todo, garanti apenas 21 atletas de um grupo que terá entre 26 e 28 jogadores, algo que pode afetar a escolha do grupo inicial são as lesões.

Lesões

Gabriel (o atleta não tem previsão para voltar aos gramados, após uma sequência lamentável de problemas no joelho), Giuliano (parou por conta de uma lesão no púbis, voltará em Março), Geromel (operou o ombro em Dezembro e também deve retornar em Março), Ramiro (espera-se que pare por pelo menos um mês por conta de uma lesão ligamentar no joelho esquerdo sofrida durante o amistoso contra o Nóia (ainda não se sabe a gravidade da lesão).

Copa São Paulo

Questionado por conta da possível lesão de Ramiro, Felipão disse que poderia pensar em aproveitar atletas do grupo que competiu na Copa São Paulo. Dentre eles, o jogador de maior destaque, que serve a mesma função de Ramiro, é o volante Arthur, de muita qualidade técnica. Outros jogadores que podem ser aproveitados por Felipão são os laterais Raul e Júnior. Também destaque na Copinha, o centroavante Luis Felippe atuará no Campeonato Gaúcho pelo Caxias.

Então, em quem vocês apostam para fechar o grupo de Felipão?