Mostrando postagens com marcador Olímpico eterno. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Olímpico eterno. Mostrar todas as postagens

30 de novembro de 2012

Você será eterno em meu coração!

Nesta semana, sinto os gremistas todos meio chochos. Há um clima diferente no ar. Uma mistura de nostalgia com esperança. Nostalgia pela dolorosa despedida. Esperança  de um futuro muito promissor na nova casa. O fim da era Olímpico Monumental talvez esteja trazendo para a torcida um incômodo sentimento contraditório, uma mistura de tristeza com felicidade.
Sensações estranhas... novas emoções...novos caminhos...
Às vezes tenho a impressão de estar traindo um grande amigo. De estar virando-lhe as costas e escolhendo um novo parceiro. Perdoe-me, velho amigo. Mas você será eterno em meu coração! 
Lembro a primeira vez que pisei no velho e glorioso estádio tricolor. Era  final da adolescência, mudança do interior para a Capital para estudos. Na minha cabeça, o Olímpico era uma lenda. E foi assim, meio ansiosa,  que segui com irmãos e primos para assistir a um jogo de Libertadores.
Era noite. A torcida agitada  se acotovelava nas catracas. Para mim, um mundo novo, instigante.
Almofada embaixo do braço, adentrei até a arquibancada aos trancos naquele mar de gente que chegava afobada  com medo de perder o  início da partida.  E o que vi , nunca mais saiu da minha memória.
Era pura magia...
Avistei o gramado muito grande e verde, as luzes fortes dos refletores e milhares de pessoas agitando bandeiras e gritando nas arquibancadas de um gigante que não tinha fim. Parecia que eu tinha sido jogada repentinamente para dentro de uma película de Steven Spielberg. Passei parte do meu tempo observando a torcida. Aquilo era fascinante. As pessoas se transformavam a cada lance.  Iam do céu ao inferno em questão de segundos. Gritos, aplausos, xingamentos. Jamais esquecerei aquelas cenas. O ar que respirava era carregado de eletricidade. Foram noventa minutos de pura emoção.
Agora, depois de muitos anos, estamos próximos de dizer adeus. Mas um adeus que não é bem um adeus.
Porque a eletricidade, o cheiro, a magia serão  transportados por cada um dos torcedores que pisarem  na nova Arena para novos e memoráveis embates. E a alma do gigante tombado estará lá, de corpo presente, representada na energia de cada um dos seus filhos.
E assim, querido Olímpico, jamais o esqueceremos!
......................

Peço licença à Zeppelin Filmes para reproduzir aqui o belíssimo vídeo feito pela produtora em homenagem a glorisa história do Olímpico Monumental.
Não é preciso palavras. As imagens nos dizem tudo.




 

Fim ou Começo?

Do leitor Maxwell de Oliveira


01.12.2012 - Fim ou começo dos tempos? Eu não sei responder. Quando eu tinha uns 7 anos minha mãe me levou lá. Não sei que jogo era. Não sei o resultado. Só sei que foi a primeira vez, primeira de muitas... 

Várias alegrias, várias tristezas. Já comprei ingresso de cambista. Já fiquei na fila. Já comprei pela internet (viva a modernidade!). Já fui de graça. Já paguei R$ 150,00. Já fui comprando um Nescafé. Já fui no compre 1 entra 2. Fui de noite, fui de dia. Já me queimei no sol. Já me molhei na chuva. Fui com 4º graus, fui com 36º. Já gritei ah é Ronaldinho! Já gritei PILANTRA! Já levei um amigo que nunca tinha ido. Já vi gente chorando. Fui na série B, fui em Libertadores. Fui até em treino. 

Enfim, é uma história. É parte da minha vida. Ainda vou falar isso tudo pro meu filho, que talvez seja até colorado, "queira Deus que não". O Olímpico para ele só no Youtube. Para mim só na lembrança... 

Não sei se irei no Gre-nal. Gre-nal? Que Gre-nal? Poderia ser o Ipatinga. O certo é que não sei se vou na despedida do Olímpico. Então, Adeus meu Amigo... 

Se for possível estarei lá mais vez. Agora a última. Vai saber se eu não vou ter mais histórias pra contar pro Gui? Como sou otimista por natureza, acho que será o começo dos tempos, na nova ARENA. Voltaremos a ser o velho Grêmio, pois é impossível ter um estádio como a Arena e não pensar em ter um grande time. Um timaço que lute por todos os títulos. 

Talvez não vamos poder escrever na camiseta, no estádio, no ônibus, em todos os lugares, que somos CAMPEÃO DE TUDO(?). Mas a vida segue, não vou pular do barco. Não precisamos ficar o tempo inteiro nos lembrando que somos grandes. Isto todos sabem...Mais uma vez Adeus Olímpico. Adeus amigo.

"Vou estar lá"

O leitor que assina @ewquartieri comentou e eu puxei para o blog.


Lembro dos meus doze anos de idade; nunca tinha entrado no Olímpico em um dia de jogo, apenas circulado nos arredores com ele vazio, surgiu a notícia: “vamos ao Olímpico se o Grêmio vencer o Olimpia!
Falei: “Vai ser uns 3 a 0!” Em êxtase pela possibilidade. Fantasiei toda a semana que precedia o embate, sabendo no fundo que eu iria conhecer o Olímpico. Veio o dia do jogo, assisti a partida no sofá da sala, trajando a camisa reserva daquela Libertadores, camisa igual a que vi o Fabio Baiano humilhar um boliviano e cruzar para o gol do Rodrigo Mendes. Naquela noite, eu, aos doze anos, pensei: “será que a culpa foi minha?” “Será que não é para eu conhecer o Olímpico?” Me tranquei no quarto e dormi às 2h da manhã, ainda trajando a camiseta de número 10. 
Neste domingo, por diversos motivos, o principal por não dispor de renda e por consequência, um cartão de sócio, voltarei àquele dia dezessete de julho de dois mil e dois, sonhando que na próxima semana eu estarei indo visitar o Olímpico lotado, para ver o time que talvez represente o traço mais duradouro da minha personalidade, ser gremista.
Como antes, isso não vai acontecer. Mas até lá, eu quero pensar que sim. Quero pensar que é apenas questão de tempo até voltar ao Olímpico.
O Olímpico representa na minha vida a minha infância, meu sonho de menino, jogando no terrão com os amigos, os sentimentos mais intensos que já senti.
Tive a oportunidade de presenciar o espetáculo que é fazer parte disso. Pelo menos com isso posso me contentar. Sei que naquelas arquibancadas eu já me espremi, pulei, vibrei e comemorei.
É com pesar que neste domingo não estarei lá. O Olímpico chegou ao seu último dia, mas tenho certeza que no coração de todo gremista, vai ser apenas mais um dia. Pois ele vai continuar em quem nós somos.
Mas é apenas uma construção de concreto!!!” Não é, não. É muito mais do que isso. É parte de todos nós. Longe ou perto, presente ou ausente, todo gremista um dia se sentiu no Olímpico. E é dessa forma que eu me senti em 2002, e é dessa forma que vou me sentir em 2012: presente, junto com os 45 mil privilegiados que vão apagar as luzes. E nessa noite, eu sei que quando eu for deitar, no escuro, a única luz que vai continuar acesa é do que representa este símbolo que é o estádio Olímpico.
Domingo, não me importa o resultar, não me importa quem entra em campo. Domingo, o Inter vai jogar contra De Léon, Danrlei, Jardel, Paulo Nunes, Airton, Renato, Roger, Arce, Dinho, Tarciso, Zinho. Se o Olímpico vai desmoronar, não vai ser sobre nós.
Domingo, eu vou acreditar que é só questão de tempo até voltar ao Monumental. Bastará fechar os olhos.

Apenas um desabafo.

Saudações.

18 de novembro de 2012

Olímpico Eterno [9]

O leitor que assina Roberto-Sócio fez um comentário muito adequado para a série Olímpico Eterno. E, sem a licença dele, transformo em post.
_____
Nosso (já saudosa) casa recebeu mais de 800 mil "visitas" em seu último ano....um justo tributo ao palco de tantas conquistas.

Lembro de GRE-nadas com meio estádio para cada torcida...e ao final, todos saiam juntos, sem qualquer problema..

Lembro de André Catimba e Anchieta, Leão e Baltazar....Mazzaropi, Renato, De Leon e Tita (que depois da conquista da Libertadores deu lugar ao genial Mário Sérgio - maestro do mundial de 1983)....Nildo (e o gol do primeiro título da Copa do Brasil em 1989)...Dener (para quem não viu ao vivo, vale conferir no you tube - qualquer semelhança com Neymar...não será mera coincidência)...Danrlei...o goleiro que povoava os piores pesadelos dos róseos, o Capitão América Adilson (um capitão com sangue nas veias...e muita bola nos pés)...Jardel, Paulo Nunes e Arce (o maior lateral que assisti jogar)...Marcelinho Paraíba (no auge) e Zinho....naquele belo time de 2001.

Puxo pela memória e fica muito difícil escolher apenas um jogo como inesquecível...uma vez que tantos foram os momentos mágicos que vivi nas suas arquibancadas de cimento (que muitas vezes forrei apenas com jornal, para espantar o frio e a umidade).

Todavia, o jogo Grêmio x Peñarol, o segundo jogo da final da LA de 1983, por tudo que representou na nossa história...e por ter dado início A ETERNA AMARGURA VERMELHA....é o meu momento mais marcante.

Aliás, peço a todos que não tiveram a oportunidade de assistir aquela peleia, principalmente aos que acham que a alcunha de GRÊMIO COPEIRO...nasceu por causa da batalha dos aflitos...que olhem atentamente aos lances daquela partida no You Tube...está lá...registrado para todos aqueles que acham que as libertadores de hoje, com chuva de papel picado ao final, tem alguma semelhança com aquelas conquistas...

No futebol de hoje aquele jogo teria terminado, talvez, com uns 3 ou 4 jogadores para cada lado (se fosse possível isso acontecer) tamanha a carnificina...CARRINHO POR TRÁS, só nas pernas do adversário...o juiz nem marcava falta muitas vezes...Olhem o que o Renato faz com um zagueiro uruguaio aos 40 minutos do segundo tempo...depois de apanhar o jogo todo..ele vai lá e aleija o cara...vai expulso e sai de campo rindo fazendo para os castelhanos (que queriam matar o gênio) com os dedos o sinal....2 x 1 ....ISSO ERA LIBERTADORES...E ISSO ERA GRÊMIO...

Aliás, sugiro ao KOFF que leve todo plantel atual, com o LUXA e tudo para uma sala e passe durante umas 12 horas seguidas o tape daquele jogo...para ver se eles aprendem que a camisa que eles vestes não é a camisa da empresa, não é um mero uniforme de trabalho...mas um manto sagrado que exige respeito, devoção...e muito suor...

Adeus Velho Casarão....que no apagar das luzes, possamos dar, em tua homenagem, uma última surra numa horda de símios mazembados que algumas vezes por ano profanam teu gramado com seus pés enlameados de inveja....

11 de setembro de 2012

Olímpico Eterno [7]


O nascimento de um Libertador

Por Urtigão

No ano de 1983, pode-se dizer que eu já vivia, intensamente, tudo que se relacionava ao Grêmio. Já havia participado da escolinha sob o comando do saudoso Paulo Lumumba. Um piá inocente (sim, naquela época os piás eram inocentes) que só pensava em se divertir e “brincar” de jogar futebol. Fiz minha carteirinha da Máquina Tricolor e participava de todos os jogos. Ia ao estádio sozinho com 12 anos. Chegava, em dias de jogos à noite, de tarde e ficava arrumando bandeiras, papel picado, etc. Tinha a saudosa camiseta do time de 1981. 
Naquela época, somente os dois primeiros colocados no campeonato brasileiro iam para a Libertadores. Como tínhamos sido vice-campeões no ano de 1982 em uma disputa com o Flamengo e o juiz (pra variar, a roubalheira contra nós é histórica), fomos para o certame mais importante das Américas. Vejam bem, somente os primeiros colocados eram selecionados e não havia times mexicanos (fakes). A Libertadores era a maior fumaceira! Jogar contra los hermanos, então, era um desafio indescritível. Só para terem uma ideia, não existia, ainda, a tal frase fair play. Do pescoço pra baixo era tudo canela! O futebol bretão na sua essência. Fomos passando de fase e não lembro bem em quais jogos fui. Mas sei que, contra o Bolívar, quando o Mazaropi defendeu pênalti e ganhamos de 2 x 1 eu não estava, pois era de tarde e tinha aula. 
Chegamos à final contra o Peñarol, um dos melhores times da América na época. Uruguaios na verdadeira acepção, ou seja, sem tiaras. 
O primeiro jogo foi em Montevidéu e passou na TV. Uma fumaceira. Jogo truncado, poucas chances, um embate em que cada palmo de campo era disputado com unhas e dentes. Empate. Bom negócio? Em uma final de Libertadores daquela época, nunca seria. 
O jogo de volta foi no Olímpico recém expandido (a obra acabou em 1980, não por acaso um ano antes do início do primeiro ciclo de vitórias do clube). Caso houvesse novo empate, nada de pênaltis, haveria outro jogo. A sorte só entrava se não houvesse mais nenhuma opção na equação da escolha do melhor entre os melhores. 
Dia de jogo nervoso. Fui para o estádio à tarde, como de costume, para aprontar tudo. Voltei para casa, pois minha mãe assim o exigiu. O pessoal da torcida disse que eu não conseguiria entrar no estádio, que estaria lotado. Fiquei apreensivo... 
Fui cedo, mesmo assim, a cancha já estava tomada. Resolvi entrar com meu pai pela social e deixar a torcida nesse dia. Surpreso, vi que as torcidas haviam sido remanejadas nos seus espaços e a minha estava na social. Beleza. Fui para lá. Era ensurdecedor o barulho, a cantoria. E era quase impossível de ver o jogo por causa das bandeiras (daquelas muito grandes) e do frenesi. Sem falar que eu era um guri de 12 anos vendo o jogo praticamente no nível do campo. 
Quase não vi o gol do Caio. Depois desse gol, quase não vi jogo. A torcida estava extasiada, não parava de cantar um minuto. A coisa só arrefeceu um pouco quando o Peñarol empatou. E a angústia ficou estampada nas expressões de todos. A torcida deles aumentou a festa, sim, outra diferença é que, naquela época, havia um espaço grande para a torcida adversária. Havia sido assim contra o Flamengo. Quase toda metade do anel superior e mais um tanto no inferior. Era chato por um lado, mas, hoje, lembrando daquilo, digo que essa é a essência da disputa, do jogo. Irmão lado a lado com irmão. Quem perde, baixa a cabeça e vai para casa. Ao vencedor, os louros da vitória. 
Não sabia quanto tinha de jogo. Meu MP3 pré-histórico (leia-se radinho de pilha) não servia para nada no meio daquela gritaria e frenesi. Só sabia que os ânimos da Máquina Tricolor não diminuíram. Tentava ver alguma coisa do jogo, mas era praticamente impossível. Uma jogada aqui, um carrinho ali... Subitamente, todo estádio Olímpico Monumental explode em um grande grito que, suponho, tenha sido ouvido até mesmo na beira do lago, lá pras bandas do Menino Deus. 
Goooooolllll. Não vi, mas vibrei e continuei a vibrar até o final do jogo. Cantando, pulando. Até o apito final do juiz. Eu vi, ao vivo e a cores, Hugo De León, um dos melhores zagueiros que vi jogar na vida, levantar a taça com a face sangrando. A cena que se tornou um ícone do futebol. Eu estava lá. Sei que aconteceu. Não foi sonho, apesar de tudo parecer, hoje em dia, uma lembrança distante. 

7 de setembro de 2012

Olímpico eterno [6]


Dizem que sou louco!!!! mas...

Produzido por Maxuel de Oliveira
 
Ser Grêmio é isso mesmo, nunca desacreditar do inacreditável, na Copa do Brasil de 2010 acreditei no pior “tomar uma goleada do Santos”,
No final do 1º tempo eu estava falando com um amigo(Allan Gonçalves) doente pelo grêmio, talvez o mais doente que eu conheça, ele num certo tom de loucura me disse o seguinte: Fica tranquilo é só Grêmio fazer 1 gol a cada 15 mim e agente vira pra 3 x 2, escutei aquilo, olhei pra arquibancada lotada e perguntei pra mim mesmo, este cara é louco ? coitado, será que ele não tá vendo jogo ? ou será que ele é totalmente retardado mental ? Mas entaum..........., não demorou muito(20 min) e veio a resposta, em um tom ensurdecedorGrêmiooooo, Grêmioooo, Grêmioooo, Grêmioooo, Grêmioooo lalaia, lalaila lalaia laia laia tricolor…. Eis que o velho Casarão me respondeu.
Cego, louco e retardado mental é Você !!!!
Fica a lição, nunca duvidar, o Grêmio nem sempre será capaz,o que de maneira nenhuma significa que não poderá fazê-lo.
FORÇA GRÊMIO !!!

24 de janeiro de 2012

Olímpico eterno [5]

Sentiremos saudades de ti, Olimpico!
Produzido por Marcos Tocchetto Agostini


_____

Continuem mandando as suas contribuições que iremos publicando na ordem de chegada.

23 de janeiro de 2012

Olímpico eterno [4]

O fim de um pesadelo
Por Jeferson Thomas

Estamos no ano de 1996. Campeonato Brasileiro, início das quartas-de-finais - em que o Grêmio, depois de uma campanha que teve um arranque de pontos na segunda metade (mas que nas últimas rodadas acabou perdendo três ou quatro partidas e ajudou a desclassificar o tradicional adversário), acaba ficando em sexto lugar na classificação geral e mais uma vez acaba cruzando com o clube que vem sendo seu maior rival nos últimos anos - o clube do treinador empertigado, o clube da arrogância, o clube que é cotado como "o de melhor plantel do Brasil": o Palmeiras.

Toda a contraposição do que era o Grêmio até agora - vitória significava "suar sangue", e sangue azul. Os comandados de Luiz Felipe eram (segundo a imprensa) os mais agressivos, os mais violentos, os mais maus-caracteres jogadores que já haviam pisado nos gramados. Desconheciam que, dos jogadores do Grêmio - Danrlei, Arce, Rivarola, Adílson, Roger, Dinho, Goiano, Carlos Miguel, Émerson, Paulo Nunes e Zé Alcino - apenas o último não passaria por seleções de seus países, mesmo que na reserva. E, principalmente, essa mesma imprensa desconhecia que um dos sentimentos mais caros a torcida do Grêmio dessa fase era "quanto mais dificil, melhor".

Duas frases do presidente Fábio Koff, o comandante da retomada do caminho de vitórias tricolor, podem resumir isso: "Disseram que era impossível, mas não avisaram ao Grêmio - por isso ele foi lá e fez" - e a outra, mais pungente - "o Grêmio é o Grêmio porque é e sempre será o Grêmio". Talvez por isso a torcida do Grêmio tenha ficado satisfeita ao final da fase classificatória, ainda no último jogo, por saber que seu adversário era aquele Palmeiras tão decantado pela imprensa brasileira.

E, como classificou em sexto lugar, ainda a primeira partida seria em Porto Alegre. "Não haverão de nos roubar novamente", se ouvia nitidamente nos brados dos torcedores gremistas na entrada dos juízes em campo, fazendo referência a um dos erros mais crassos de arbitragem da história, ao anular o terceiro gol da semifinal da copa do Brasil do mesmo ano, entre os mesmos times, aos 47 do segundo tempo, dando um impedimento inexistente.

Nada disso assustava a torcida. Nada disso assustava o time. Como já comentado em outro jogo inesquecível, o time fechou-se dentro de si mesmo - e tinha apenas um objetivo, claro, indiscutível: não só a vitória, mas a vingança. A sanha. O sangue. O "suar sangue tricolor".

Começa a partida. Estranhamente, a divisão social da torcida - que normalmente em sua maioria assiste a partida sentada, com um mínimo de incentivo ao time, que é normalmente dado pelas outras alas da torcida - não tinha nenhum torcedor acomodado. O estádio lotado, em uníssono, tapava qualquer manifestação paulista (nem se ouvia, na realidade). "Olé, olé, olé olé ole... Grêmiooooo Grêmiooooo". Urros a cada dividida mais forte, jogadas mais prementes ofensivas a cada momento.

Mas o time estava, no início, nervoso.. Não se encontrava - e não conseguia articular as movimentações com os meias, tão necessárias. Émerson ressentia-se um pouco ainda do tempo que ficara parado (Aílton, o pé esquerdo do chute campeão contra a Portuguesa, em grande parte do campeonato tinha tomado o seu lugar), e seu vigor físico apenas mantinha como leões a segurança do esquema "defensivo" tricolor.

Mas um erro ocorre, quase no final do primeiro tempo. Uma bola escapa. Luizão acerta um cabeceio impossível e marca, a bola ainda bate na trave antes de entrar, com Danrlei vencido e petrificado. 1-0 para o Palmeiras.

Ouvi poucos comentaristas - identificados com os times paulistas - falarem "agora, acabou. O Palmeiras tem mais qualidade, vai sobrepujar o time do Grêmio, que é limitado, etc. etc. etc". Não ouviram, no entanto, a torcida. A partir do momento em que o Grêmio leva esse gol - contando o intervalo inteiro - até depois de dez minutos do final da partida, não se ouviu mais rádio, não se ouviu mais repórteres, não se ouviu mais ninguém. Apenas e tão somente a ensurdecedora torcida presente no estádio, sentindo que seu sentimento de morrer pelo clube, se for necessário, estava sendo recompensado - e vivido pelos jogadores que envergavam a camisa tricolor.

E veio o segundo tempo. E veio a avalanche em azul, preto e branco. Não se sabe até hoje o que Felipão falou no vestiário - ele, perguntado, não quis falar sobre o assunto - mas o resultado das suas palavras foi apenas assustador. Avassalador.

Não se via mais jogadores - viam-se gladiadores. Viam-se capacetes ao invés de rostos. Viam-se semblantes crispados com um único objetivo: a vingança, agora não só tardia como também recente, pelo gol sofrido no primeiro tempo. A sanha - tão decantada pelos gaúchos como "garra castelhana". O sangue. O "suar sangue tricolor" estava presente, e da pior forma possível para o Palmeiras - atacando ferozmente, eliminando qualquer tipo de espaços, com um bombardeio tenaz e insistente sobre o goleiro verde.

A torcida já me deixava surdo, com tantos urros e cânticos tecendo loas ao time. Mas não víamos resultado - os insistentes ataques eram bloqueados firmemente por uma retranca bem armada pelo "nosso principal adversário, Luxemburgo" - o que desdenhava da capacidade, anteriormente, do Grêmio em vencer sua máquina de jogar futebol.

Pois engoliu o que falou. Émerson, num cruzamento vindo da lateral direita, não cabeceia - soca, chuta, arremessa, lança ferozmente a bola contra a meta. E... GOL! E Émerson corre em direção a torcida. A foto de capa da Zero Hora, no dia seguinte, dele com as mãos cerradas, os braços crispados, o olhar de fogo, a garganta explodindo em suas veias, com a face completamente transtornada pela gana da vitória sinalizando que o inferno tinha sido libertado no gramado do Olímpico Monumental - e ai dos jogadores do Palmeiras agora.

Luis Carlos Goiano e Zé Afonso, um centroavante meio tosco mas de participação efetiva na competição, completaram o placar. Da mesma forma, de cabeça, bola aérea, cabeceando quase de dentro da pequena área, provocando o desespero absoluto da defesa palmeirense, sem saber de onde a artilharia gremista chutava, cabeceava, atacava, insistia, fazia. Não se via mais jogadores palmeirenses em campo - estavam amedrontados, desmaiando dentro de campo, amontoados dentro de uma grande área que, por incrível que pareça, era apenas e tão somente mais um território conquistado pelos guerreiros tricolores, que não admitiam de nenhuma forma serem derrotados no seu domínio, nem que lhes impingissem vergonhas. Quando alguém ousava fazer isso, sobrevinha a vingança. O sangue. O "suar sangue tricolor".

PS: foi a primeira vez que eu chorei num estádio de futebol. Foi a segunda que eu saí cantando o hino do meu clube. E, dessa vez, por um motivo especial.

Ficha Técnica

Grêmio 3 x 1 Palmeiras

Data: 28 de Novembro de 1996
Local: estádio Olímpico, em Porto Alegre.
Cartões amarelos: Goiano (G); Júnior (P)
Cartões vermelhos: Paulo Nunes (G); Leandro e Cléber (P)
Gols: Luizão (34'), Emerson (53'), Zé Afonso (66') e Goiano (80')
Grêmio: Danrlei; Arce, Rivarola, Adílson e André Silva (Zé Afonso); Dinho, Goiano,
Émerson (Aílton) e Carlos Miguel; Paulo Nunes e Zé Alcino (Rodrigo). Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Palmeiras: Velloso; Cafu, Cléber, Cláudio e Júnior; Galeano, Leandro, Rincón e
Elivélton (Wágner); Djalminha (Rogério) e Luizão. Técnico: Wanderley Luxemburgo.
_____

Veja lances deste jogo, aqui.

22 de janeiro de 2012

Olímpico eterno [3]

Teste da avalanche
Por Douglas Dallago

Este fato aconteceu na ultima vez que fui ao Olímpico.

Como resido em Santa Catarina mais perto do PR do que do Rio Grande, infelizmente não sou frequentador assíduo do Olímpico Monumental. Porém, já tinha ido varias vezes.

Minha esposa nunca tinha visitado o Monumental e ao estar chegando o final do BR10 embalados pela ótima campanha de recuperação e com a possibilidade de chegar a Libertadores, resolvi levar ela para conhecer o Casarão no ultimo jogo do ano, um Grêmio X Botafogo, jogo esse que tinha tudo para ser um espetáculo.

No dia 05/12/10 então estávamos lá e eu que sempre tinha ido de cadeira resolvi ir na geral, porém não no centro da torcida, mas à direita de quem entra pelo portão da geral.

Como o esperado o Grêmio deu um laço de bola e logo no início o 1º gol. Ingenuamente fomos tentar comemorar e ver a Geral fazer o espetáculo. Porém não sabíamos que aonde nos estávamos também era feita a avalanche, logo fomos empurrados para baixo, mas tudo incrivelmente com certa calma.

Passado o susto, logo veio o segundo gol e já corremos nos mesmo para a mureta. E assim foi desenrolando o jogo e minha esposa maravilhada com o espetáculo.

Após o terceiro gol do Grêmio e, logo, a terceira avalanche, minha esposa sentiu-se um pouco mal. Disse estar meio tonta e com o estômago embrulhado. Pensei ser por estarmos no sol escaldante até pouco antes e pela emoção, correria, enfim por tudo o que havia vivido naquele dia.

Logo acabou o jogo e nós rumamos ao nosso ônibus, ela já melhor e eu loco de faceiro tomando latões de cerveja a cada quadra.

Chegando de volta a Xanxerê, os sintomas se repetiram. Foi aí que fomos a farmácia e a guria que lá estava sugeriu fazer um teste de gravidez que para nossa surpresa deu Positivo!

Fico muito feliz e emocionado ao lembrar e ter a certeza que não foi por um acaso que o primeiro sinal de que minha filha estava vindo, foi no Olímpico. Com certeza ela se manifestou por saber o palco aonde estava.

21 de janeiro de 2012

Olímpico eterno [2]

Ai, se eu te perco!
Por Marcos Tocchetto Agostini

Um dos jogos mais memoráveis da recente historio do Olímpico foi, sem dúvidas, a vitória do tricolor gaúcho sobre o São Paulo em 2007 pela Libertadores.

Saímos de Caxias do Sul, em uma excursão com mais de 10 ônibus. Esse jogo foi apenas a minha terceira ida ao Estádio. Eu tinha 17 anos na época e estava entusiasmado para poder ver pela primeira vez um jogo de libertadores.

A tensão era grande dentro do ônibus. Mas a confiança, era maior ainda. Fui acompanhado de um amigo e de seu pai. À medida que nos aproximávamos do Olímpico, a euforia e o entusiasmo aumentava. Os malucos que estavam no ônibus junto comigo se penduravam pela janela cantando “Eu tenho a minha alma azul celeste...”, e não se intimidavam ao passar em frente ao cheira-rio, onde o motorista pediu pra sermos “cautelosos”, pois poderiam jogar pedras nos vidros.

Finalmente, depois de mais de 4 horas de viagem (saímos de Caxias as 17h e chegamos as 21h30) chegamos ao Monumental. Eu desci rapidamente do ônibus para que não perdesse um segundo daquele que seria um jogaço. O problema é que a pressa é inimiga da perfeição. 

Estava a poucos metros do Olímpico quando coloquei a mão no bolso para pegar meu ingresso e não o encontrei. Procurei desesperadamente ao redor de mim. Não podia acreditar naquilo. Os ingressos estavam esgotados e comprar de um cambista àquela altura era completamente inviável. Desesperado, comecei a fazer o trajeto de volta ao ônibus, olhando atentamente ao chão. Eis que, no meio daquele povaréu todo da rua, vejo um quadradinho branco e pequeno. Meus olhos brilharam, e corri o mais rápido possível. Inacreditavelmente, estava lá. Meu precioso ingresso de meu jogo inesquecível.

Por entrar atrasado, não consegui chegar ao setor da Geral, onde estaria pela primeira vez. Mas do outro lado do estádio, pude conferir nitidamente o gol de Tcheco, que fez explodir a nação tricolor e me fez arrepiar como nunca. Para coroar, o gol de Diego Souza no segundo tempo, que levou eu e todos os gremistas a loucura. Jamais esquecerei meu primeiro jogo de Libertadores. Fazia quatro anos que o Grêmio não disputava esse torneio. Ao final do jogo, eu comprovei. A América realmente tinha saudades de ti, Grêmio!

Feliz 2012, Olimpico! Jamais te esqueceremos!
_____

As histórias serão publicadas na ordem em que forem sendo recebidas, uma por dia.

20 de janeiro de 2012

Olímpico eterno [1]

Ailton na cabeça
Por Conrado Schmiedel

Tenho várias histórias no "Velho Casarão", mas uma que marcou muito, foi na conquista do brasileirão de 96.

Morava em Novo Hamburgo na época, e lembro que pra cada jogo da fase final, era aquela apreensão sobre conseguir comprar os ingressos pro jogos.
Bem, domingo de muito calor, saímos de NH lá pelas 13:00 horas. Eu (com um uno vermelho e  uma bandeira de 10 metros amarrada em cima dele), e mais 3 amigos (1 amigo, o Doda, e 2 filhos de amigos do meu pai, eles tinham uns 11 anos).
14 horas, frente do Monumental, e dele ceve pra amenizar o calor.
15 horas, sentado na geral, mais ou menos entre o meio do campo e a risca da grande área. Estádio lotado, cerveja meio quente e vários banhos de torneira pra tentar se refrescar.
19 horas, time em campo, eu completamente embriagado, nem vi o gol do Paulo Nunes, pois ainda estava comemorando a entrada do time em campo.

O jogo vai passando, o trago diminuindo, a apreensão aumentando e o cronômetro correndo muito rápido. Eis que surge Aílton na beira do campo. Aí meu amigo Doda, olha pra mim, senta na arquibancada, baixa a cabeça e grita... Deu pra nós agora. Podemos ir embora já. Acabou.
Eu gritei pra ele e todos que estavam na volta me apoiaram: "Porra Doda, não viemos até aqui pra nada. Esse cara vai fazer o gol do título. É ele, tem que ser ele". O Doda levantou e disse: "Se essa ameba fizer o gol do título, eu rapo a minha cabeça amanhã."

Bem, o que posso dizer pra vocês, é que foi muito legal passar no outro dia na casa dele, com uma galera de umas 30 pessoas pra levar ele pra rapar a cabeça. Todos fardados e cantando o hino do imortal.

Abraços a todos, e que esse ano, o último do Velho Olímpico, seja um recomeço, que seja primeiro de muitos anos de glórias.

19 de janeiro de 2012

Histórias do Olímpico Monumental

Foto: Ducker
Em março de 2010, aproveitando ideia lançada pelo Júlio Tricolor, publicamos uma série de post chamada Histórias Imortais, na quais leitores do blog contaram fatos vividos por eles, relacionados ao Grêmio.

Convidamos os leitores a reeditar aquela ação, contando as histórias vividas no Olímpico Monumental. Quem quiser participar, é só mandar a história para o e-mail do blog, que está na coluna da direita. Vamos eternizar o Olímpico em nossas memórias.