7 de dezembro de 2012

O canto do Cisne [36] e Final


Na vida deve-se sempre olhar para a frente. Esta frase é tão verdadeira quanto é difícil olhar sempre para a frente.
Quando se começou esta série de posts estávamos lá em Janeiro. Dezembro parecia inatingível e a Arena ainda era algumas vigas esparsas no meio do pó.

Dezembro chegou como sempre chega o dia de amanhã e o de depois de amanhã e todos os outros dias.
A Arena hoje é uma realidade. Ainda precisando de ajustes que sim, houve uma pressa exagerada para a sua inauguração. O entorno todo ainda está para ser feito, por culpa de políticos ineptos e da burocracia hedionda que existe neste país. Mas a Arena é amanhã.

Hoje ainda é o Olímpico e tudo que nos trouxe. Quem leu o post pós jogo de domingo viu que não consegui falar do jogo em si. Até porque o desempenho do Grêmio e o resultado eram secundários diante do que estava acontecendo.

Eu vi a avalanche de todo estádio. Eu vi o choro coletivo e quase unânime. Eu vi e ouvi pessoas que se recusavam a sair para suas casas. E me recolhi à mais profunda tristeza. Ainda não me conformo que o último jogo tenha sido contra aqueles varzeanos e sem a pompa que o Olímpico Monumental merece.

Ainda acho que o Presidente Koff pode vir a ser convencido a fazer uma verdadeira homenagem de fechamento deste ser quase humano e infinitamente querido por todos nós. Quem sabe não acontece?

Devemos sempre olhar para a frente. Amanhã é dia da Arena e de suas futuras glórias. Mas hoje ainda quero pensar mais um pouco nesta minha casa que tanto amo.
Obrigado, mais uma vez, Velho Casarão!
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Estatísticas acumuladas do Olímpico Monumental em 2012, após Grêmio 0 x 0 timinho 
Jogos = 36
Vitórias = 27
Empates = 5
Derrotas = 4

Aproveitamento = 80 %
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Público Pagante = 676.120 pessoas
Público Total = 856.021 pessoas
Renda = R$ 15.643.897,75

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Média de público por jogo = 23.778 pessoas
Média de renda = R$ 434.552,72 por jogo

Maior público: Grêmio 2 x 1 Atlético Goianense - 46.309 pessoas
Menor público: Grêmio 4 x 1 Santa Cruz - 6.735 pessoas
Maior renda: Grêmio 1 x 1 Santos - R$ 1.549.230,50
Menor Renda: Grêmio 1 x 0 Coritiba - R$ 80.396,00
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Gols: 66

Goleadores

10 gols: Marcelo Moreno e André Lima
7 gols: Kleber
5 gols: Werley e Leo Gago
4 gols: Bertoglio, Leandro e Elano
3 gols: Naldo, Miralles e Marco Antonio
2 gols: Fernando e Souza
1 gol: Marquinhos, Douglas Grolli, Pico e Zé Roberto

Média de gols = 1,83 gols por jogo 

O elenco de 2013: zagueiros

























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O Grêmio tem dois excelentes e dois muito bons zagueiros ... reservas. Talvez um titular, Werley, se escalado ao lado de um cascudo.

Zagueiros são os penúltimos protetores do gol. São os leões de chácara de um time de futebol. Passando por eles, sobra o goleiro, que funciona como o maitre que deixa entrar ou informa que a goleira está fechada. Leão de chácara não pode ser bonzinho e muito menos ter o coração mole. Leão de chácara tem de estar pronto para limpar a área a dedos na cara e pontapés se todo o resto falhar. Zagueiros também.

Grolli é uma pedra bruta que precisaria ser muito bem lapidada. Talvez tenha sido descoberto tarde demais para isto. E o Grêmio não tem tempo para esperar que talvez se torne um grande jogador. Pode compor o grupo para o ruralito. Penso que o melhor seria emprestá-lo para que jogue. Ou mesmo, vendê-lo.

Naldo teve um péssimo começo no time e acabou fazendo boas partidas no final do ano. Pode ser um bom reserva mas jamais se poderá pensar em lhe dar a camisa titular. Pode ser caro para a reserva. Incógnita.

Pablo jogou duas ou três partidas. Pode ter sentido a camisa ou simplesmente não ser um bom jogador. Pelo que não mostrou pode ir em frente.

Formado na base Saimon promete muito. Destemido, não teme cara feia e joga muito bem. Contra si um excesso de lesões que comprometeram sua ascensão ao time titular e pouca experiência para controlar o temperamento um pouco quente. A seu favor o gremismo que mostra a cada entrada e os ataques que sofre dos i$ento$ barato$, o que é muito significativo. E claro, o fato que experiência se adquire. Poderia ser titular ao lado de um xerife que o controle. Tem tudo para ser um magnífico leão de chácara.

Vilson já prestou bons serviços ao Grêmio mas nunca foi titular absoluto do time. É um jogador útil, mas pela idade e pelo histórico de lesões talvez seja melhor para ele e para o Grêmio que vá para outro time onde poderá ser titular.

O jogador que melhor jogou na zaga este ano foi, sem dúvida, Werley. E ainda é goleador. Não tem, no entanto, o temperamento e a liderança necessária que se espera de um zagueiro. Pode ser titular desde que ao lado de um zagueiro que assuste o centro-avante só pelo olhar.
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Na base tem o Gerson. Joga muita bola e parece ter liderança. Deveria ser titular no ruralito para ganhar experiência.
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Conclusão

Temos bons zagueiros. Nenhuma unanimidade. Nenhum xerife pronto. Temos o complemento, falta o essencial. É como fazer um churrasco e ter a mesa cheia de pão com alho, maionese, farofa e faltar a carne. O Grêmio sempre teve um grande xerife nos principais títulos que ganhou. Um zagueiro deste porte é indispensável e prioridade. Pode ser o Lugano? Se enquadra no perfil. Se não for ele, que seja um deste porte. No Brasil não vejo ninguém. Que seja buscado no Uzbequistão se for necessário.

6 de dezembro de 2012

O elenco de 2013: laterais

Editado as 11:28 minutos


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Depois dos goleiros os laterais. Antes dos laterais o esquema tático. Alguém aí gosta do 4-5-1? E do 6-3-1?
Pessoalmente acho que o velho e bom 4-4-2 é o melhor de todos. Aceito variação para o 4-3-3 dependendo do adversário e das circunstâncias e, com alguma reserva o 3-5-2.
É lógico que o esquema deve ser aquele adequado aos jogadores que se tem, não o contrário. É também lógico que as contratações devem mirar o jeito que o técnico quer por o time em campo.
Time bom, time grande, deve se impor e não jogar de acordo com o adversário. Pode ter um cuidado um pouco maior aqui e ali sempre que o outro time tiver um jogador diferenciado, mas jamais deve ser montado de forma diferente a cada jogo.
Então, a escolha dos jogadores depende e muito de como o treinador pretende jogar. Eu gostaria de pensar que o Pofexô vai deixar esta besteira de 4-5-1 num canto do gramado suplementar do Olímpico. Sim, porque o gramdo principal do Olímpico Monumental não merece um lixo destes atirado lá.

Vamos aos laterais então.
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Os mais novos não conheceram o "seu" Osvaldo Rolla. O seu Rolla, ou Foguinho, foi craque do Grêmio e técnico do timaço que ganhou tudo de 1956 a 1962. Depois, por anos ele participou do Sala de Redação. O seu Rolla olhava a foto de um jogador no aeroporto e dizia se era craque ou se não jogava nada. E nunca errava. Pois o seu Rolla sempre dizia que "lateral não se compra. Lateral se faz em casa."
E eu concordo com ele.
O Grêmio tem hoje 7 laterais. Em quantidade está bom, pois precisamos de um elenco entre 32 e 35 jogadores pelo número de competições. Mas serão eles bons o suficiente?

Na direita são 4: Pará, Gabriel, Edilson e Tony.

Gabriel, por alguma razão que não se sabe qual desistiu de jogar. E o Grêmio desistiu dele. Não é cogitado nem nas emergências. Deve ser dispensado.

Pará talvez não fique. O Santos está de mimimi e quer R$ 300 mil antes de iniciar a negociação. E só aceita vendê-lo. Pelo que ouvi e li, Pará vale muito pela liderança de vestiário e pelo espírito brincalhão que ajuda a deixar mais alegre o ambiente. Pará pelo que vi é um lateral guerreiro. Mas é também um lateral medíocre no apoio. Acertou um cruzamento o ano todo pela direita. Quase teve torcicolo a cada vez que subia ao ataque pela esquerda e tinha que dar um passe. Se for barato deve ficar. Se exigirem muito, a porta é serventia da casa.

Edilson é o que melhor apoia dos 4, o que não quer dizer muito. É bom lateral para grupo e sempre que teve sequência de jogos atingiu um desempenho aceitável. Deve ficar.

Tony é o lateral direito com melhor potencial. Penso que deve ser titular do banguzinho no ruralito para se ver se deslancha ou não. Mostrou boa qualidade no apoio.

A lateral esquerda é um problema crônico há muito tempo. Tem três jogadores: Pico, Fabio Aurélio e Julio Cesar.

Pico parece estar perdendo a luta contra a balança, o que é uma pena.

Fabio Aurélio é uma incógnita. Fala-se que jogava muito, mas tem um histórico de lesões que preocupa e muito. Conseguirá jogar, e bem, em 2013?

Julio Cesar é o melhor lateral esquerdo que apareceu no Grêmio nos últimos 8 ou 10 anos. Teve uma lesão grave. Se voltar sem sentir a lesão preenche a necessidade com folga.

Conclusão: a não ser que ocorra uma lesão grave, o time está bem servido de laterais. Poderia ter um lateral direito melhor, mas estes são raríssimos e custam muito caro. Se houver um ou dois na base que possam ser trabalhados seria ótimo.

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RBS noticia que Gabriel e Julio Cesar estão fora. Lamento muito pelo segundo. E não tenho convicção que se deva esperar para ver se este menino que foi contratado, Alex Telles, dê boa resposta.

4 de dezembro de 2012

O elenco de 2013: goleiros


 

A Pitica se adiantou ao meu post e deu a opinião dela sobre o time de 2013. Mas eu quero abrir uma discussão posição a posição. E claro, todo time começa pelo goleiro.
Goleiros temos 3: Marcelo Grohe, Busato e Matheus. Eu pensava que eram muito guris para jogar no Grêmio. Mas o Grohe tem 26 anos em Janeiro, o Matheus vai fazer 24 e o Busato 23 anos.

Goleiro é uma posição esquisita. Quando um jogador do nosso time ou de um jogo em que somos neutros faz gol de fora da área, aquela bomba no ângulo, aquela encobrida no goleiro um pouco adiantado, sempre dizemos que é um golaço. Quando é o goleiro do Grêmio que toma, sempre se pensa que poderia ter defendido. Faltou esticar um pouco o braço. Ou saltou um tiquinho atrasado.

Vai ver é por isto que há restrições ao Marcelo. Mas Marcelo Grohe tem crédito. Ele defende muito mais do que erra. É um bom nome.

Busato e Matheus conheço de ouvir falar. E de algum jogo dos juniores. O que me dá uma certa tranquilidade é o fato do Grêmio ser um grande formador de goleiros.

Mas não estou certo se o time não precisa de um goleiro com mais cancha, experiência, estofo. Um Dida, mesmo em fim de carreira?
O que vocês acham?

Que Grêmio você deseja para 2013?


Agora, com os ânimos serenados e sem irritação, é possível fazer uma análise mais cuidadosa dos últimos episódios do clássico Gre-Nada , do Campeonato Brasileiro e do desempenho do time na temporada de 2012.

A adrenalina, a emoção, a expectativa e a decepção não deixam muita margem para uma boa avaliação. Os nervos à flor da pele são inimigos mortais do equilíbrio e do bom senso. Mas é bom desabafar e descarregar as emoções. Não deixar nada represado é ótimo para termos um Natal tranquilo e feliz e recomeçar a batalha outra vez na virada do ano.

Todos retornando a sua rotina normal, antes que o ano finde, é chegada a hora para reflexões e conclusões.

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Em 2012, o mais belo desempenho foi o da torcida tricolor. Deu um show de amor e reverência ao clube ao qual é apaixonada. Nota dez.









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Pofexô preparou a equipe cautelosa demais. Não quis entrar para a história como o técnico que na despedida do Olímpico Monumental perdeu para o timinho. Faltou ousadia para o nosso técnico e futebol para os nossos jogadores. Zé Roberto foi uma ilha no meio da mediocridade. Em determinado momento, até senti dó . E pensei, "coitado do Zé..."

Sendo assim, arrisco-me a expor o meu pensamento. Se eu fosse dirigente e tivesse poder para decidir no departamento de futebol, meu projeto para 2013 seria o seguinte: manteria no elenco principal os jogadores Marcelo Grohe, Werley , Júlio César, Bertoglio, Elano, Fernando, Marquinhos, Souza, Wrangler e Zé Roberto, Fábio Aurélio , Busatto e Matheus.

Dispensaria, negociaria ou usaria em trocas com outros jogadores, Naldo, Vilson, Anderson Pico, Edilson, Gabriel, Pará, Tony, Felipe Guedes, Felipe Nunes, Pablo,Léo gago, Marco Antonio,, Rondinelly, André Lima, Kleber, Marcelo Moreno. No Grêmio, eles não aprovaram. Quem sabe em outro clube tenham maior sucesso...

Emprestaria Leandro, Saimon e Grolli para outros clubes. Vá que peguem experiência e se tornem bons jogadores.

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Obrigaria Luxemburgo a aproveitar os meninos da base (zagueiros, laterais e atacantes). Eles seriam opção para o banco. Dane-se o que pensa o Pofexô! Não é possível que dali não se aproveite nada!

Por fim, contrataria para a titularidade um zagueiro de categoria comprovada, um meia driblador “fura- retranca” que saiba tabelar com o ataque e entrar na área e, por fim, dois atacantes incontestáveis. E faria os laterais treinarem, treinarem e treinarem cruzamentos, até pedirem clemência.

Acho que assim, seria um bom começo.

E você leitor-torcedor, que Grêmio você quer para o próximo ano?

3 de dezembro de 2012

O papo furado do Hernandéz [13]: Olímpico - Episódio Final!

Sem que se menospreze o resultado do jogo em que um Grêmio sem vontade e um inter acadelado empataram sem gols, a derradeira aventura no Olímpico aconteceu antes e depois do jogo!

Antes do jogo, tivessemos um bafômetro que medisse a quantidade etílica de uma multidão, ele quebraria, certamente! Havia uma concentração de borrachos por todos os lados. Alguns desmaios, devido a bebida e ao sol escaldante, foram observados dentro do nosso velho casarão! As cercanias do Olímpico foram transformados em uma churrascaria a céu aberto, ou num grande boteco, tanto faz!

A multidão ensaiava uma espécie de transe coletivo, todos tinham um único objetivo, viver o último dia do Olímpico da melhor maneira que fosse!

Acabou o jogo, com uma arbitragem pífia, tendenciosa e covarde, que não soube conter ânimos e muito menos foi corajosa para dar os cinco minutos de acréscimo que prometera! Após duas confusões, a final, em que Gilmar Loss (ou Gloss, tanto faz) deve estar procurando seus óculos até agora, o careca filho de uma *** apontou o centro do campo e deu por encerrado o jogo, sem acrescentar nenhum minuto! Pela covardia, merecia uma sumanta de laço, mas como alguns dizem por aí, o futebol atual ficou muito sem graça!

Ao final, a ficha caiu, em câmera lenta. Tão devagar que se estenderá, o caimento da ficha, até sábado da semana que vem! Quando todos se derem conta que um jogo do Grêmio em Porto Alegre, não será disputado no Olímpico!

A torcida permaneceu no estádio, meio que sem saber o porque. Foi quando uma das coisas mais incríveis aconteceu! Peço desculpas a vocês se, daqui para a frente, o texto parecer muito personalista, emotivo demais ou atropelado! Eu não conseguirei fazer de outra maneira e devo confessar que meus olhos estão marejados neste momento!

Estava ao lado da mulher que amo, tentando entender como seria a vida sem o Olímpico, quando ela me chama a atenção e diz: "Olha, a última avalanche no Olímpico!" Neste instante comecei a chorar, mas o que veio a seguir me fez ter uma das visões mais incríveis da minha vida! A avalanche começou na geral e, como uma "ola", foi se sucedendo em todo o estádio em sentido anti-horário até que chegou ao local onde eu estava, nas sociais! Foi incrível, foi demais, foi algo que eu jamais esquecerei, uma avalanche em todo o estádio, uma avalanche completa, uma avalanche sem gols! O Olímpico merecia, nós torcedores merecíamos, o mundo merecia um espetáculo desses no fim daquele que foi um dos templos sagrados do futebol mundial!

Quem viu, viu! Quem não viu, imagine ou tente imaginar o que foi. Ainda que consigam, lhes digo, com certo pesar no coração:

Jamais será tão espetacular quanto o foi ao vivo!

Obrigado, Gremistas! Obrigado, Grêmio! Muito Obrigado, Estádio Monumental Olímpico de Porto Alegre!

João Hernández - Testemunha ocular da História!

2 de dezembro de 2012

Daniel Matador: Meu desprezo será tua herança

Não merecia. Não merecia mesmo. Não merecia de jeito nenhum.

Faço minhas as sábias palavras do Seu Algoz. O campo sagrado do Olímpico não merecia que tão rasos adversários profanassem sua grama em seu derradeiro embate. Suas linhas não mereciam que tão diminuto larápio dirigisse o espetáculo final.

A última taça oficial do Monumental foi erguida na tarde deste último sábado por um capitão que vergava um manto tricolor. Uma camisa azul, preta e branca. Ao jovem zagueiro Gérson coube o privilégio que muitos outros heróis antes dele tiveram. Um gesto para demonstrar quem é o mandatário deste templo. Um grupo de jovens jogadores comandados por um antigo meia criado no Grêmio fez o que outros já deveriam ter feito há mais tempo.

Mesmo entre bandidos e malfeitores há honra. Não tão altiva, não tão nobre, mas há. No caso do adversário do Grêmio neste dia, impossível tentar achar qualquer resquício deste sentimento. Prova da mesquinhez que assola aquele que sempre viveu à sombra do irmão mais velho. Ou seria pai?

O Velho Casarão é um ser vivo. Quando falamos dele, parece que estamos falando de algum parente que conhecemos. Ele é aquele parente mais velho, mais vivido, mais experiente. Aquele que não se importa mais com os pequenos desaforos que a vida lhe proporciona por saber que não vale a pena. Já viveu a vida intensamente, já teve todas as alegrias possíveis, já passou por percalços e tocou em frente. Nem liga mais quando algum gurizinho recalcado chuta a bola para longe e depois tem faniquitos histéricos. Ele conhece os tipinhos e nem se aborrece por isso. É um ser superior.

O Monumental passou o bastão para seu sucessor, feliz por aquilo que construiu e por ter quem o suceda de forma digna. Lavado pelas lágrimas deixadas sobre ele no dia de hoje, ele cantou, do fundo de sua alma imortal, para que toda a torcida e todo o mundo lembrasse:

“Eu sei que não vou morrer
Porque de mim vai ficar
O mundo que eu construí
O meu Rio Grande, o meu lar...”

E deu seu recado velado. Para a torcida tricolor, mostrou que o futuro é promissor. Foram os jovens que ergueram a última taça em seus domínios. Eles serão o futuro. Eles ajudarão a fazer o Imortal vencedor novamente.

E para o tradicional adversário, também deu seu recado. Depois do que foi demonstrado pelo filhote, só uma sentença poderia ser proferida a ele: “meu desprezo será tua herança”.

Saudações Imortais

Time e juiz varzeanos na despedida

Hoje não é dia de falar de táticas, de jogadas, de jogadores. O jogo de hoje transcende estas coisas do dia a dia.
O primeiro tempo foi chato se falarmos em futebol. Foi de dois times com um imenso medo de perder. Mas foi assim porque nem um dos times quer perder o último jogo do Olímpico.
Eu gostaria de um Grêmio mais determinado, mais destemido, com mais tesão de ganhar.
Não foi assim. E isto que do outro lado estava um time muito limitado.

No segundo tempo o timinho mostrou sua verdadeira classe. Ou seria sua verdadeira laia? Depois da expulsão justa do goleiro resolveu apatifar. E começou uma cera hedionda. Até os 20 minutos teve menos de 5 minutos de bola rolando.

E o Grêmio não soube aproveitar a chance contra este  timinho vagabundo. E apesar de várias chances de gols não conseguiu ganhar. Dá para por na conta da ansiedade?

E para variar, o patife prometeu 5 minutos de acréscimo e não deu nenhum.

O Olímpico não merecia o último jogo contra um time tão varzeano, tão bagaceira, tão sem classe, tão recalcado. Uma pena. E também não merecia um ladrão costumeiro contra o Imortal para apatifar o final do jogo.

Obrigado, Hélio "Monumental" Dourado!

No final da década de 70, um homem obstinado e apaixonado assumiu a presidência do Grêmio.

Obstinado, tinha como ideia fixa concluir o anel superior do estádio Olímpico. Apaixonado, o presidente não media esforços para fazer o alvo da sua paixão tornar-se cada vez maior. Trabalhou, trabalhou, trabalhou e trabalhou. Sossegou apenas quando viu o seu sonho materializar-se em concreto armado.

Em junho de 1980, o Olímpico tornou-se Monumental. A partir daquela década, vivemos glórias que, antes, só em devaneios poderíamos estar.


A data que não queríamos viver, chegou. O dia especial, único, histórico já raiou. Veio lotado de emoções, que ainda estão longe de atingir a plenitude. O ventre que gestou jogos mágicos está por se tornar uma lenda. As boas lendas são eternas. Elas viajam pelas gerações, ela crescem continuamente e elas tornam-se mais monumentais a cada relato.

O gol relâmpago de Iúra, o mortal interrompido de André Catimba, o cruzamento estratosférico de Renato, o grito ensurdecedor da torcida, o gol improvável trazendo a vitória extasiante, o estádio e a torcida fundidos em um único corpo alucinadamente vibrante... Todos estes símbolos estão por se tornarem sagrados, compondo capítulos de uma lenda imortal.


Tudo que já se escreveu sobre a despedida do Olímpico Monumental certamente ainda não é suficiente. Muitas palavras escritas ainda virão. Lá em março de 2010, o Bonatto rebatizou o nosso querido estádio de Velho Casarão. Eu, no dia em que jogaremos o último jogo oficial do nosso querido e velho casarão, roubo um espaço no blog para registrar o meu agradecimento ao homem que o concluiu: o extraordinário gremista Hélio Volkmer "Monumental" Dourado, pela vida dedicada ao nosso Grêmio, pelo nosso primeiro título nacional e pela obra que serviu de plataforma para alçarmos os nossos maiores vôos. Também para dizer a ele que a torcida compartilha da mesma dor, embora a sua tenha uma amplitude que certamente nunca conseguiremos mensurar. Obrigado, monumental Presidente Hélio Dourado, o senhor, tanto quanto o Olímpico, jamais se apagarão das nossas lembranças.
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Nota: O Estádio Olímpico, projetado em 1950 por Plinio Almeida, Rogério de Castro Oliveira e Fabio Boni, foi construído, em sua primeira etapa, na gestão de Saturnino Vanzelotti (1949-1954).

1 de dezembro de 2012

Eu já cheguei

Eu estou no Olímpico pronto para o jogo. Entrei há exatos 45 anos. Vi Grêmio 0 x 0 Juventude. O jogo do hepta campeonato. Foi o primeiro de centenas. Ou seriam milhares?
Perdi a conta na mesma proporção que eu não perdia jogo. Com chuva, frio, calor, não importava. Lembro que um dia nevou em Porto Alegre. Não lembro se teve jogo do Imortal. Se teve fui.
Depois a vida me levou para outros cantos. Mas voltei.
Estou no Olímpico. Quem quiser me ver vai me encontrar na lateral esquerda da geral, quase na risca da grande área. Ou no meio da social. Ou mais para a esquerda das cadeiras sociais. Eu sou aquele cara com um olhar sorridente de felicidade e ao mesmo tempo com uma lágrima no olho. Eu sou aquele com a camisa de 1983. Entre todas as que eu tenho, foi a que escolhi para vir neste último jogo. Tirei do guarda-roupa e pendurei no varal para tirar o cheiro de roupa guardada. Ela é especial. Só é usada em ocasiões muito, muito, muito especiais. Usei no dia 28 de julho de 1983. Usei na noite mágica do mundial de Tókio. Usei em mais 2 ou 3 vezes. Porque ela é especialíssima.
Entrei agora no Olímpico. O fabuloso público do alentaço já foi. Foi recarregar a energia para voltar amanhã. Mas eu cheguei hoje. Engana-se quem pensa que estou sozinho aqui. Há milhares de pessoas sentadas por todo o estádio. Há outras milhares correndo na corrida do Olímpico.
Você que está em Cuiabá, Rio de Janeiro, Três de Maio, Sidney, Londres, Abu Dhabi, Iraí, Fortaleza, Los Angeles, Chapecó... , você está esperando o que para vir ao estádio?
Eu já estou aqui. Estou fazendo minha parte. O Olímpico está bonito. Lindo na verdade. Ele sabe que amanhã é um dia muito especial. Sabe que vai receber o carinho e o amor eterno de todos os gremistas. Do mais sereno ao mais alucinado. Do mais doce ao mais azedo. Do mais velho ao mais novo.
Ele está feliz porque sabe que é eterno. Ele tem esta vantagem sobre eu, sobre tu, e sobre tu e tu... Nós morreremos um dia. O Velho Casarão jamais morrerá. Ele já está na história da humanidade. Ele está na história do Universo. Ele está na história de todo amante do futebol. Ele está na história de todo o torcedor Imortal que venha a nascer e morrer. Só o Olímpico não morrerá jamais. Vai se aposentar e torcer pela Arena.
Eu já estou aqui e nem me importo com a chuva. O que tu estás esperando para vir?