20 de novembro de 2013

Invictos e caras de pau

Preâmbulo

RP: - Não é só vitória que passa o Grêmio, não. A gente pode ganhar nos pênaltis também.
lhb: - Mas aí vai matar o pessoal do coração.
RP: - Bom, você que é colorado, então, imagina. Não adianta ficar secando não.
lhb: - Mas aí baixou o nível, né? Você é melhor do que isso.
RP: - Não, não baixei o nível, não. Você está querendo escalar o meu time. Por favor, leva na brincadeira.

[Renato Portaluppi e lhb, no episódio que ficou conhecido como "Mata tu que é colorado", 20/10/2013]
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Os invictos

Um tempo atrás, o técnico argentino César Luís Menotti alcunhou muito apropriadamente os comentaristas esportivos como "los invictos". Óbvio e genial. Genial: eles nunca perdem. Sempre têm razão nas suas explicações de porque tal time perdeu um jogo ou um campeonato. Óbvio: sempre é porque os técnicos não seguem as suas orientações de notável saber futebolístico. Eles são invictos eternos.

O técnico do Grêmio tem sido bombardeado intensamente nos últimos trinta dias, por ataques vindos de setores bem definidos da imprensa, notadamente de um certo grupo jornalístico. Muitos torcedores não se apercebem dos motivos por trás disso. Como se sabe, a imprensa gaúcha é, normalmente, tendenciosa para o lado róseo. Isso é fruto de trabalho feito, principalmente, nas noites das segundas-feiras. A blindagem tornou-se mais intensa com o descarregar de verbas publicitárias Phipha que tornam tudo maravilhoso no lado do aterro. Mas o episódio "Mata tu que é colorado" abriu bateria extra de ataques ao nosso técnico. Ele será criticado, faça o que fizer. Episódios recentes escancaram isso. A "campanha pró Zé Roberto" foi um capítulo marcante. Porém, ela também ajuda a mostrar que os invictos são tremendos caras-de-pau, que jogam com a falta de memória da torcida. Vamos a um exemplo.
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A histeria

No início de novembro, os ataques contra Renato tinham como mote uma campanha para Zé Roberto entrar no time. Inflamada pelos invictos, a torcida gremista esqueceu as atuações fracas que tiraram o jogador do time, quando lutávamos quem sabe por uma vaga à Sul Americana, e entrou em transe. Uma histeria coletiva sequestrou o senso crítico de boa parte dos torcedores. Chegamos ao auge quando uma Arena quase lotada explodiu em ovação no jogo contra o Atlético-PR, ao ser anunciado como titular o nome Zé Roberto nos alto-falantes. Era como se estivesse sendo anunciado o regresso de Renato Portaluppi para atuar no ataque tricolor, após passagem pela Roma.

Nas páginas do jornal ZH do dia 05/11, uma matéria tinha como título "Eu, Renato". A pauta: "Consultados por Zero Hora, gremistas ilustres, ex-jogadores e cronistas escalaram o time ideal para encarar o Atlético-PR amanhã, na Arena." Assinantes podem ver a matéria aqui.

O nome de Zé Roberto estava em 10 das 11 opiniões. Dois invictos estimulavam a histeria: Diogo Olivier e David Coimbra. Vejam abaixo.



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Os invictos caras-de-pau

Poucos dias depois, vejam as matérias publicadas pelos dois jornalistas no mesmo diário. Em 19/11, a pauta para atingir Renato mudou de nome: Máxi Rodriguez, o craque uruguaio que está sendo preparado para fazer história no Grêmio. Sob o título "Ó abre alas..." colunistas são demandados a encontrar um lugar no time para ele (assinantes podem ver a matéria aqui). Diogo Olivier propõe até tirar Zé Roberto do time.




No Clic RBS de hoje, David Coimbra diz que "Zé Roberto não pode ser titular". (Leiam aqui)


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Conclusão

A torcida gremista precisa estar atenta a estes movimentos. Os invictos estão mostrando uma face excessivamente cara-de-pau. Ousada até. Contam que a enxurrada de informações faça as suas contradições passarem em branco. Por nós, não passam.

19 de novembro de 2013

Marcos Agostini: A verdade sobre o vestiário colorido



Não deixe de ler abaixo o post do Josué. Vale a pena.

Um gremista do outro lado do mundo

* Texto do gremista e leitor do blog, Josué Santos

Josué (esquerda), um gremista no Japão.

"Já perdi as contas do tempo que eu acompanho este blog, mas acho que a maioria dos leitores já me conhece dos comentários (onde assino com o pseudônimo @joshcharrua – e não, não é uma homenagem ao grande Maxi Rodríguez) ou pelo meu nome, Josué Antonio, que é como costumava assinar até certo tempo atrás.
Em resposta ao pedido da Pitica, vou escrever um pouco sobre como é ser um gremista no Japão, aqui do outro lado do mundo. Aproveitando que dia 19 é meu aniversário (27 anos, espero que antes dos 30 consiga ver o Grêmio levantar o Tri da Libertadores), acho oportuno escrever agora.

Primeiramente, ao contrário de muitos brasileiros que vivem aqui, eu não tenho nada de japonês no sangue. Sou natural da fronteira-sul, lá de Rio Grande, filho de mãe gremista e pai vascaíno (radicado no Rio). E apesar de desde pequeno ter carinho pelo Grêmio e, como muitos da minha geração, ter nos títulos de 95 e 96 o ápice do gremismo, só a partir de 2000 que comecei a viver em Porto Alegre e pude estar presente em alguns jogos do Grêmio acompanhado pelo meu irmão mais velho, este na época muito mais fanático do que eu. É gratificante ter vivido o Olímpico e doloroso saber que quando regressar ao Brasil ele não estará mais lá.

Em meio aos amigos e à cultura japonesa.


Vim para cá em outubro de 2012, após ter conseguido uma bolsa de estudos do Governo do Japão. É a minha segunda vez aqui, país onde fiz intercâmbio entre setembro de 2007 e agosto de 2008. Conheci uma japonesa nesta época e hoje estamos casados e pais de um pequeno gremista, Enzo. Um dos grandes motivos de ter retornado ao Japão é justamente a sensação de segurança que o país oferece e foi pensando nisso e na educação dele que decidimos ficar por aqui um pouco mais. Concluí o curso de especialização na área de Tradução no mês de setembro e, no momento, estou indeciso se entro em um doutorado ou se foco em procurar emprego, que é o mais provável já que começaram a pintar algumas coisas nessa direção.

O Japão é o país mais organizado que eu conheço. O contraste com o caos que algumas coisas são no Brasil chega a ser chocante, uma vez que tu estás acostumado com um ou com outro. Claro que para o estilo de vida de muitos brasileiros, tanta organização assim não é tão boa, pois acaba sendo um pouco restringente. Agora, os benefícios que vêm disso são recompensantes e vale a pena a distância por inúmeras razões. Essa mesma organização dá para ser vista no futebol: aqui as escolas todas têm turno mais longo que as nossas e, acabadas as aulas, são muitas as atividades de recreação que um aluno pode participar. Os "clubes" de esportes, cultura e lazer são levados a sério e, por exemplo, o campeonato escolar de futebol aqui é transmitido em rede nacional, com patrocínio de Adidas, Panasonic e outras grandes marcas. A liga de futebol profissional é muito mais doméstica do que internacional e isso vem se refletindo com o aumento de jogadores japoneses sendo exportados para a Europa. Agora, o nível é muito abaixo da Série A do Brasil e das grandes ligas européias. Futebol ainda é muito novo no Japão e fica atrás em popularidade do baseball, basquete e vôlei, entre outros esportes menos populares ainda no Brasil.

Um filho imortal tricolor.

Torcer de longe não é nada fácil; toda vez que vejo a Arena e penso que ainda não estive lá me dá uma baita vontade de voltar. Acho que o Grêmio, os amigos e a gastronomia é do que mais sinto falta do Rio Grande do Sul. Mas espero voltar para comemorar um título em breve. Torcer daqui é uma tarefa horrivelmente solitária: o único amigo na mesma cidade que eu consegui convencer a acompanhar alguns jogos do Grêmio comigo é argentino, torcedor do Rosario Central. Todos os outros gremistas que eu conheço estão em outras cidades.
Enfim, mas em um geral ainda que mais solitária, a minha rotina em dias de jogos ainda é a mesma; se estou ocupado durante o dia e o jogo é importante, já perco totalmente a concentração em outras coisas. Fico checando o blog, os comentários, as notícias, busco saber tudo que acontece no Grêmio. E chega na hora do jogo, eu já estou devidamente fardado, com meu celular (se estou na rua) sincronizado em alguma rádio ou video streaming ou em casa, com bandeira pendurada na parede vibrando e sofrendo em cada lance. Se as coisas não vão bem, meu mau humor dura a semana inteira. Isso é uma coisa bem ruim também de se estar no Japão: todos os jogos acontecem em um horário bem louco (4h da manhã, 7h da manhã ou 10h da manhã) e se o time vai mal, lá se vai o meu dia também!

Confesso que para alguns jogos do Brasileirão eu não consigo acordar, mas busco ver os melhores lances tão logo estou de pé. Não adianta, a torcida tricolor gosta mesmo é de copas. Esse ano, mais até que na Libertadores quando eu senti que as coisas não iam dar certo quando o Luxemburgo começou a cometer erro atrás de erro, eu estava realmente pilhado para a Copa do Brasil. Acreditei como há muito não acreditava, visto que estávamos na semi-final contra três adversários que não colocavam medo em ninguém. Com a Arena empurrando e um resultado não determinante no primeiro jogo, achei que essa Copa seria nossa. Não deu. Fiquei extremamente chateado como todos nós ficamos, mas como o Daniel bem disse: vaga vale muito. Esse ano não entramos para comemorar vagas, montamos um time e entramos com o ânimo de levantar canecos, como há muito tempo não se via. Perdemos, paciência, não estou contente e não vou comemorar a vaga como se fosse um título porque não é, mas vou sim comemorar. Todos nós vamos. Os vermelhinhos não.

Filho já foi apresentado ao Olímpico Monumental.

Eu acho que os elencos do Grêmio vêm numa crescente ano após ano: de 2007 para cá, qualificamos muito os nossos times. Os títulos não vieram, mas ano após ano, formamos elencos que na teoria estão entre os três, quatro melhores do Brasil. Uma hora o título vai vir. Eu não sou koffista (votei nele, sim, mas sou GREMISTA acima de tudo), mas sei reconhecer a diferença que faz um líder com a experiência e o número de títulos no currículo que ele tem. É o que me dá esperança enorme para 2014.
Se mantivermos nossas peças principais, qualificarmos com dois ou três reforços e acertamos novamente nas apostas (como as que vieram do Juventude ou a que veio do Uruguai), acho que a Libertadores virá. Tem que vir! Estamos sedentos por um título expressivo e tenho fé que uma vez que levantarmos uma Libertadores ou um Brasileirão. Ninguém segura o Grêmio nos próximos dois ou três anos. Só acho que o Renato é teimoso demais. Penso que ele nos classificará e vai ficar para o ano que vem, mas que o Koff dê uma dura nele. Foi a teimosia do outro (e um azar do capeta) que fez com que o nosso meio-de-campo não tivesse Bertoglio e Rodríguez como opções. Seria uma dupla e tanto!

Eu vejo muitos comentários criticando alguns jogadores como Alex Telles, Werley, Riveros, Kléber e Barcos. Precisamos de mais paciência. Se me perguntarem o que eu acho do Barcos agora, por exemplo, eu responderia secamente: "a maior decepção do ano". Agora o que ele fez no Palmeiras no ano passado tinha feito dele uma unanimidade entre nós gremistas. Todos o queriam , não apenas o Grêmio. O ano está acabando. Criticar Barcos, Zé, Riveros, Kléber não vai consertar nada. E novamente se livrar de 11 para trazer mais 20 também não nos fará campeão. Tem que consertar o que se pode consertar. Dar confiança para quem precisa dela (o Alex fez meio ano incrível, ele não desaprendeu de uma hora para outra; o Riveros quase quebrou os cornos fazendo um gol para o Grêmio e agora é tratado como "pereba" por alguns), negociar quem não tem ganas de jogar e apostar em gente certa. O Maxi não será o herói sozinho.

Nós, como bons torcedores, temos o dever de apoiar o clube, de nos tornarmos parte dessa agremiação que participamos e ajudar a levantar o moral do time para a Libertadores de 2014. A impaciência, a flauta colorada e da impren$a e, principalmente, a inaptidão em compreender o inexplicável da resposta de "como tudo que se faz no Grêmio dá errado" nos fez uma torcida bipolar, rabugenta, depressiva. E eu me incluo nesse grupo.
Vamos pegar essa esperança recém descoberta nos golaços do Maxi Rodríguez e levá-la para o ano que vem, não importa o desfecho deste ano.

Um abraço para todos!
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Adendo da Pitica: por coincidência, hoje é o aniversário do Josué. Parabéns, Josué!
Nós do blog Imortal Tricolor, desejamos muitas felicidades para ti junto a tua família aí no Japão!!!!  

Adendo do seu Algoz: o blog não vai mais liberar comentários com agressões entre os leitores.

18 de novembro de 2013

Renato e mais onze

Sim. Indo contra 99 % dos comentários do blog, se o Grêmio se classificar para a Libertadores, eu quero o Renato no comando. Claro que se a proposta salarial for adequada. E por que eu o defendo?
  1. Renato, tirando 2 ou 3 técnicos que não estão disponíveis, tecnicamente é igual ou melhor a todos os outros. Não deve nada para ninguém. Teve até quem sugeriu Ney Franco. Aí fui procurar e encontrei zero títulos para o glorioso mineiro. Outro pediu Dal Pozzo. Com todo o respeito, não é hora para aventuras. Tite, Mano e Felipão foram apostas quando se tinha um semestre inteiro só de ruralito pela frente ou se disputava uma série B. Libertadores é outra conversa.
  2. Renato pegou um time sem confiança e mal posicionado na tabela e está terminando o ano entre os melhores do campeonato.
  3. Por falar em Libertadores, Renato já foi vice de uma, tendo-a perdido em um jogo na altitude e após 10 minutos de bobeira do time. Mesmo assim, a decisão foi nos pênaltis.
  4. Renato tem a manha do jogador e consegue tirar muito de alguns jogadores limitados. Ou alguém acha que o elenco do Grêmio é igual ao Barcelona e o problema é o Renato que não os deixa mostrar toda a craqueza?
  5. Pode-se criticar a disposição tática do time, as atuações individuais de alguns jogadores, mas não se pode criticar a entrega destes. E, sim meus caros, entrega tem a ver com vestiário e com comando.
Claro que ele tem falhas. Renato tem seus bruxos, mas me indiquem um treinador que não os tem. Renato é teimoso algumas vezes, mas qual técnico não é?
Eu mesmo me irrito com a demora dele em fazer substituições, mas este é um mal menor.
A verdade é que o ambiente é o melhor possível e não fossem algumas derrapadas a posição seria ainda melhor no campeonato.
Então, trocar Renato pelos lazarentos que estão disponíveis seria um tiro no pé.
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Maxi Rodriguez

Renato está sendo execrado pela torcida por não colocar Maxi Rodriguez de titular. E em relação a isto deixou tudo muito claro na bela entrevista que deu ontem após o jogo, sem usar o argumento lógico de que diante da possibilidade de poder contar com apenas 3 estrangeiros usou os mais experientes e os que atuam em posições mais carentes.
Renato afirmou, com razão, que Maxi veio de um futebol menos pegado e de um time onde era o rei e não tinha nenhuma obrigação com o jogo. Todos jogavam para ele. Olhem o gol do Flamengo ontem na origem. Maxi perdeu a bola e não tentou recuperá-la.
Além disto, a pouca estrutura do time de origem também fez com que ele não tivesse um preparo físico adequado e ainda não tem condições de aguentar o repuxo de um jogo inteiro nos moldes que são disputados aqui.
Não deixou contudo de elogiá-lo e afirmou que o uruguaio vai fazer história no Grêmio. Renato pode ser arrogante (e é), pode ser festeiro (e é), pode ser tudo, menos idiota e burro. Ele não se prejudicaria gratuitamente. A propósito, recomendo a leitura deste texto aqui sobre Renato.
Um pouco de calma e menos histeria nesta reta final seria de grande valia para atingirmos os objetivos que todos queremos.
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Enquanto isto ...

Fala-se que houve briga feia, feíssima no vestiário do Goiás após o jogo de ontem. Nego Walter teria sentado em cima do treinador, quebrando todas as suas costelas. Hugo, enquanto isto, sentou um bife na cabeça do goleiro e ameaçou o presidente com o revólver.
Não fossem os jogadores do timinho terem intervido para acalmar os ânimos e certamente teria havido mortes.
Isto, pelo menos é o que se depreende das notícias i$enta$ e barata$ que chegam de lá. Quem sou eu para desacreditar dos grandes jornaleiros gaúchos?

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Também do aterro vem a notícia de que a união, perdão, nós todos, vamos pagar R$ 7,9 milhões para ser feita a calçada do remendão. A que ponto poderá chegar a desfaçatez destes políticos?
O entorno da Arena, que precisa de obras públicas para a circulação de pessoas, não só em dias de jogos, mas também para o desenvolvimento e geração de empregos na região é boicotado sistematicamente pelas dilmas, tarsos, manuelas e fortunatis da vida, sob a alegação de falta de recursos.
Mas para calçada particular tem. E pelo valor já se pode dizer: queeeeeeeeee calçada!



Esta veio pelo Agostini.


O Minwer que me desculpe mas não deu tempo para pedir licença

17 de novembro de 2013

Maxi "CHARRUA IMORTAL" Rodriguez!

Grêmio 2 x 1 Flamengo

Pré jogo

Jogo para três pontos. Sem choro e nem vela. O Botafogo ontem aproveitou que o Atlético Petralha estava com  cabeça na Copa do Brasil e aplicou uma chinelada. O Goiás, provavelmente vai golear o adversarinho de hoje.
Então não tem choro. Três pontos, nem que seja de meio a zero.
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Primeiro tempo: 0 x 0


Talvez porque sabiam que o time de Flamengo era de reserva, mas o Grêmio começou muito afobado e não conseguia se impor contra uns meninos com jeito de assustados.

Aos 7 minutos a primeira chance que foi salva no risco do gol. Só que o careca ladrão marcou perigo de gol.
Aos 10 minutos um possível pênalti em Kleber não teve replay. Aos 13 um flamenguista se atirou escandalosamente na área e o careca não deu amarelo.
O time embolava muito e não conseguia criar nada. Só aos 23 minutos teve uma jogada de perigo mas que não chegou efetivamente a ser chance de gol.
Zé Roberto mais uma vez não fazia nada. 
Aos 29 minutos Ramiro deu uma bomba de fora da área que passou raspando a trave. 
Aos 37 minutos, após escanteio, Barcos desviou do goleiro mas o zagueiro tirou debaixo do travessão. Na sequência quase gol do Flamengo.
O jogo continuou igual até o final do primeiro tempo. De registro apenas outro possível pênalti no Kleber que o PFC não pensou em reproduzir.

Segundo tempo: 2 x 1

O segundo tempo começou com o mesmo time e as mesmas dificuldades. Erros de passe, jogo muito centralizado e juiz sacaneando. Aos 3 minutos quase que Ramiro chega na cara do gol.
Aos 8 minutos Rhodolfo cabeceou nas mãos do goleiro enquanto Maxi Rodriguez se preparava para entrar no lugar de Riveros.
O time como sempre era só transpiração. Inspiração nenhuma. 
Mas então Maxi Rodriguez, sim, ele, Maxi Rodriguez driblou três e de dentro da área pelo lado direito deu um tapa na bola e tirou do goleiro. GOLAÇO!
Com o gol o Flamengo se abriu e começaram a aparecer mais chances. Mas os mulambentos cariocas também começaram a chegar com mais perigo.
Elano entrou no lugar de Kleber aos 25 minutos mas o jogo continuou aberto.
Após alguns poucos minutos de bom futebol após o gol o jogo voltou a ficar feio e perigoso.
E o time recuou. E aos 41 minutos veio o castigo. Gol dos reservas do Flamengo. Uns meninos que iniciaram assustados e, de repente, descobriram que o bicho não era tão feio.
Quando tudo parecia perdido, o juiz que sempre rouba do Grêmio, desta vez deu uma ajuda. Não viu que Maxi Rodriguez, ao invés de chutar, mandou para o gol com a mão. A bola foi mansa, querida, obediente e submissa ao talento do uruguaio bem no ângulo do goleiro.
E terminou.
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Não adianta o torcedor chiar e cornetear. Vai ser sofrido assim até o final do ano. Cada jogo vai ser um parto. E cada parto vai ser com fórceps e sem anestesia.
E terão que ser vitórias porque os 4 para 3 ou 2 vagas estão embolados. E ganhando todas.
A dificuldade do time em fazer gol não vai mudar. Espera-se que os azares da defesa que tem tomado gols espíritas nos últimos jogos passe.
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Como jogaram

Dida: Sem trabalho no primeiro tempo.
Pará: Subiu pouco. Bem atrás.
Bressan: Firma na zaga.
Rhodolfo: Firme também atrás.
Alex Telles: Melhor do que nos jogos anteriores.
Souza: Muito mal no primeiro tempo errando quase todos os passes. Melhorou no segundo.
Ramiro: Não foi muito bem, mas lutou muito.
Riveros: Muito discreto não apareceu no primeiro tempo. Saiu no início do segundo tempo.
Zé Roberto: Jogou?
Kleber: Muita luta e pouca eficiência.
Barcos: Melhor do que nos jogo anteriores.
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Maxi Rodriguez (Riveros): Entrou e foi logo fazendo um golaço. E quando tudo parecia perdido, fez outro golaço. O melhor do time. Talvez tenha salvado o ano.
Elano (Kleber): Não fez nada.
Mamute (Zé Roberto): Entrou no fim.

Renato: Mudou na hora certa desta vez.
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Arbitragem: Heber Roberto Lopes - Não gosta de nós e nós não gostamos dele. 

16 de novembro de 2013

Daniel Matador: Loucura


"Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem."
(Aparício Torelly, o Barão de Itararé)
Caros

Após a adoção dos pontos corridos, o final de ano futebolístico no Brasil (salvo exceções) tem sido de uma chatice maior do que assistir um documentário sobre as mitocôndrias. Em novembro já não temos muito mais o que fazer, a não ser acompanhar as rodadas finais do campeonato e bocejar. Mesmo quando o Grêmio não está envolvido, torna-se mais emocionante acompanhar um jogo envolvendo um mata-mata do que uma rodada inteira do Brasileirão. Os americanos já mostraram ao mundo o valor de uma final de campeonato. As finais da NBA (Basquete) e da MLB (Beisebol) envolvem milhões de dólares diretos e tantos outros indiretos, mesmo daqueles que não estão envolvidos com os dois clubes que a disputam. Chega a ser covardia citar a final da NFL (Futebol Americano), o famoso Super Bowl. É o evento que possui o maior custo de publicidade por segundo em todo o mundo. Sem contar que o país inteiro para neste dia, tal é a grandiosidade do evento.

Os mais jovens talvez não lembrem, mas até o início deste milênio, o Brasileirão era disputado em uma primeira fase classificatória, para então entrar em uma fase de mata-mata com os melhores colocados. Até é compreensível que, a fim de preservar algumas cláusulas do Estatuto do Torcedor, a CBF tenha adotado a fórmula dos pontos corridos, principalmente para que se saiba a quantidade de partidas que cada clube jogará e o planejamento possa ser melhor elaborado. Outro argumento era a venda do campeonato para outros países. Mas este é um motivo que cai por terra exatamente quando vemos as finais dos grandes torneios ao redor do mundo sendo comercializadas por cifras milionárias. O que falar da Champions League e da própria Libertadores? Lógico que é ruim quando nosso clube não prossegue na competição. Muitos podem reclamar da equipe, dos dirigentes, do planejamento e até da mãe do Badanha. Mas duvido que critiquem a fórmula, como ocorre com o campeonato nacional. Custava fazer uma final no Brasileirão? Peguem o campeão de cada turno e façam dois jogos para parar o país! Tenho certeza que seria um evento fantástico.

Mesmo com o título já decidido com quatro rodadas de antecipação, resta ainda um grande objetivo para o tricolor neste certame. Por mais que alguns setores amargos da torcida sejam contaminados pela ivi, o gremista consciente sabe que a vaga para a Libertadores significa muito. É óbvio que todos queremos títulos, isto é indiscutível. Mas esta lorota que alguns manés tentam pregar de que “se é pra jogar e não ser campeão, melhor nem ir” só pode partir da mente pequena e burra de quem nada sabe de futebol. A primeira Libertadores conquistada pelo Grêmio deveu-se justamente porque o clube conseguiu uma vaga para disputar a competição, mesmo não tendo sido campeão no ano anterior. Para vencer, é necessário disputar o torneio. Há o risco de perder? Óbvio, ele é inclusive bem maior do que o de ganhar, caso contrário o Peñarol deveria ser o maior campeão de todos, pois disputou 40 edições.

Portanto, não acatem aquilo que a ivi e alguns amargos tentam atochar. É loucura querer fazer-se presente na Arena para apoiar um time que não tem chances de ser campeão? Talvez seja, talvez não. Mas como já disse há décadas atrás o saudoso Barão de Itararé, "há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem”. Então vista o manto e faça-se presente uma vez mais para torcer pelo Grêmio neste domingo. O resultado deste jogo pode fazer a diferença para o futuro do clube no ano que vem. Enquanto alguns jogam Libertadores, outros preferem disputar torneios menores. Cada um com sua grandeza.

Saudações Imortais

P. S.: neste sábado, véspera do jogo contra o Flamengo, realizei um sonho. Trajando o manto tricolor, fiz o que muitas lendas gremistas já fizeram. Fardei-me no vestiário, percorri o túnel, subi os degraus e pisei no gramado do Olímpico Monumental para disputar uma partida de futebol. A emoção de marcar um gol no Olímpico é algo fora da realidade e que agora eu sei como é. Mas isto foi o menos importante. Estar ali dentro é algo que ficará para sempre na minha memória. Como é bom ser gremista!

15 de novembro de 2013

O campeonato da primeira página

Pois a torcida tricolor está mais perdida do que surdo em bingo, ou do que cebola em salada de fruta ou do que amendoim em boca de banguela.
É só ler os comentários do blog para constatar.
Renato deve sair hoje ou nunca deveria ter vindo. Renato deve ficar e receber maior apoio.
Zé Roberto deve ser titular, assim como Elano. Os dois não deveriam nem ter vindo.
Bressan é um zagueiro promissor. Bressan não joga nada.
Alex Telles é o melhor lateral esquerdo do campeonato. Alex Telles deveria ter ficado no Juventude.
Souza é muito importante mesmo jogando com dores pubianas. Souza não joga nada.
Riveros foi uma grande contratação. Melhor era o Fernando.
Kleber é sempre um dos melhores. Kleber só dá bundada.
Barcos não faz gol mas é muito útil. Barcos é o maior 171 da história.
Maxi Rodriguez é a solução de todos os problemas. Maxi Rodriguez ainda não está pronto.
Bla... bla... bla...

E a maior de todas as confusões: "estou cansado de disputar vagas. Melhor é ficar fora da Libertadores já que não vai ganhar mesmo."
Eu só gostaria de lembrar a estes últimos espertos, que só pode ganhar algum título quem participa do campeonato em que este título está em disputa. Fora isto, sobra sentar no sofá e acompanhar os participantes pela tv. Portanto, quem pensa assim é bobo ou está lendo demais a literatura i$enta e barata.
Aliás, se é para radicalizar desta forma, há duas soluções que eu penso melhores do que ficar de fora dos campeonatos mais importante:
  1. Fechar o time de futebol e transformar o clube em uma instituição de recreação.
  2. Disputar o campeonato da primeira página, que parece mais fácil de ganhar.
Explico: o campeonato da primeira página é aquele em que o clube considera como título ficar na primeira página da tabela de classificação. Vocês podem até achar engraçado, mas temos um exemplo bem próximo. O nosso cocô-irmão está arduamente empenhado neste título importantíssimo. E, vocês devem ter percebido, não é fácil de ganhar. Está num sobe desce danado. Ontem festejavam a primeira página, hoje amargam as incertezas de estarem na segunda página. Como estarão no final da próxima rodada? Não é emocionante?

Aliás, eu gostaria de uma informação, se alguém tiver: qual é o site que divulga as chances probabilísticas de um time terminar o campeonato na primeira página? 
Confesso que estou secando mas não sei onde achar a informação que me tranquilize ou me deixe preocupado.

13 de novembro de 2013

UFA!

Grêmio 1 x 0 Vasco da Gama
Pré jogo

De domingo até hoje foi uma eternidade. Choros, ranger de dentes, palavrões, ofensas gratuitas, tudo rolou entre os gremistas e neste blog.

Hoje teremos mais do mesmo ou o início de uma arrancada para a Libertadores 2014?
Como diz o i$ento aquele: "o futuro é que dirá."


Renato resolveu ressuscitar o Zé Roberto. Espero que não haja um campeonato de pião no meio do campo.
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Primeiro tempo: 0 x 0



No primeiro minuto Barcos mostrou que está sem confiança. Sozinho na cara do gol achou melhor passar para Zé Roberto e errou um gol feito.
Aos 4 minutos o goleiro do Vasco fez lambança e quase surgiu outra situação de gol. Logo depois foi a vez de Rhodolfo fazer bobagem e quase que o Vasco consegue ficar com a bola na cara do Dida.
Depois de um começo razoavelmente promissor o Grêmio começou a jogar afobadamente e sem conseguir criar nada.
O Vasco mostrava porque está na zona de rebaixamento mas aos 17 minutos quase marcou em um contra-ataque rápido. Dida salvou no cantinho.
Barcos fez boa conclusão pela esquerda aos 21 minutos mas no contra-ataque o Vasco chegou com perigo após falha bisonha do Alex Telles.
Nesta altura o Tricolor chegava a mais de 600 minutos sem marcar. E era ultrapassado pelo Goiás que ganhava o seu jogo.
Depois dos 20 minutos o jogo virou um filme de terror. O Grêmio não conseguia acertar 2 passes em sequência e o Vasco, com toda a sua ruindade, começou a chegar com certo perigo. 
Alex Telles, que fazia uma partida horrorosa, bateu uma falta com perigo aos 42 minutos do primeiro tempo.
Se havia reclamação que o time não estava bem nos jogos anteriores, neste primeiro tempo o desempenho foi de chorar. Foi de maldizer todos os patetas que corriam em campo sem perceber que vestiam uma das camisas mais gloriosas do futebol mundial.
Deprimente é uma palavra que define o jogo até o intervalo.



Segundo tempo: 1 x 0 

Renato não achou deprimente e voltou com o mesmo time, incluindo o Alex Telles e o Zé Roberto que foram abaixo da crítica. Mas achou que estava porque aos 3 minutos mandou chamar Elano e Maxi Rodriguez.
Aí, o que parecia improvável aconteceu. Aos 6 minutos Rhodolfo finalmente fez o gol que nos outros jogos errava. E Renato aproveitou para desistir das mudanças.
Aos 10 minutos Kleber perdeu uma boa chance. E sofreu um pênalti logo depois. Não marcado é claro.
Aos 13 minutos Renato finalmente pôs o Maxi Rodrigues. Zé Roberto saiu irritadinho, como se tivesse jogado alguma coisa. E vários torcedores de jogador vaiaram a troca. Eles merecem esta inhaca que estamos passando.
Com a entrada do Maxi Rodriguez o time subiu de produção e começou a atacar com perigo.
E o juiz começou a sacanear não dando faltas a favor do Imortal.
Depois de alguns bons movimentos o time parou de novo. E levou um susto aos 27 minutos num chute perigoso que foi para fora.
Aos 29 minutos Kleber desperdiçou bisonhamente um contra-ataque e saiu na mesma hora para a entrada de Elano. Que 1 minuto depois errou um gol imperdível depois de grande jogada de Barcos. Sem goleiro chutou ridiculamente por cima.
Maxi Rodriguez fez outra grande jogada e quase marcou o segundo logo depois.
Elano se esforçava para mostrar que Renato tinha razão em deixá-lo na reserva.
Aos 42 minutos Werley entrou no lugar de Barcos. E o Vasco foi para cima.
Aos 46 minutos Dida fez outra boa defesa.
Na saída Maxi deu uma janelinha no zagueiro e errou o gol na cara do goleiro. Coroaria sua grande atuação.
E logo terminou. Nas circunstâncias foi uma goleada.
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O time, visivelmente tem dois problemas. Um é em relação ao esquema com três volantes. Se esgotou. Não dá mais resultados. Precisa urgentemente mudar o time e colocar um articulador, que só pode ser o Maxi Rodriguez. Vargas vai embora mesmo e está sempre na seleção. Que fique em casa.
O outro problema é a falta de confiança fruto dos maus resultados na sequência. A bola parece queimar no pé dos jogadores. Depois do gol e com a entrada de Maxi o time melhorou um pouco. Mas contou com a fraqueza do Vasco.
Espera-se que com esta vitória e com alguma modificação, o time vá com mais confiança contra o Flamengo, que provavelmente virá com time misto. Será uma vitória importantíssima para fincar o pé definitivamente no G4, ou G3, que é o mais importante e seguro.
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Como jogaram

Dida: Uma defesa importante no primeiro tempo. Outras boas defesas no segundo.
Pará: Errou todos os cruzamentos.
Bressan: Está muito bem na defesa.
Rhodolfo: Fez o gol que acabou a inhaca.
Alex Telles: Pior partida com a camisa do Grêmio.
Souza: Bem atrás. Muito mal na frente.
Ramiro: Muita corrida improdutiva.
Riveros: É outro que está caindo de produção.
Zé Roberto: A seu favor o escanteio na cabeça do Rhodolfo para o gol. Mais nada. Carimbador burocrático.
Kleber: O de sempre. Corre, briga mas é improdutivo.
Barcos: Errou um gol a 1 minuto por absoluto medo de chutar. Depois cansou de se enrolar na bola. No segundo tempo fez algumas boas jogadas.
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Maxi Rodriguez (Zé Roberto): Entrou e mudou o jogo. O melhor em campo.
Elano (Kleber): Errou um gol feito. Deu um balão ridículo.  
Werley (Barcos): Entrou para segurar.

Renato: Escalou errado mas mexeu certo.
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Arbitragem: Francisco Carlos do Nascimento - Não deu um pênalti no Kleber e não deu várias faltas a favor do Grêmio.

12 de novembro de 2013

Daniel Matador: Por uma cabeça

“Por una cabeza
De un noble potrillo
Que justo en la raya
Afloja al llegar,
Y que al regresar
Parece decir:
No olvidéis, hermano,
Vos sabés, no hay que jugar.”

(Trecho do imortal tango Por Una Cabeza, de Carlos Gardel, reproduzido em antológica cena do filme Perfume de Mulher)

Caros
Em todos os anos, no início da temporada futebolística, os anseios da torcida de qualquer clube grande resumem-se em um só: a conquista de títulos. Antes do advento dos pontos corridos, quando praticamente todas as competições possuíam fases de mata-mata, o Sobrenatural de Almeida (personagem criado por Nelson Rodrigues) era o fator que por vezes decidia torneios e sagrava campeões. Com o próprio Grêmio vivenciamos situações onde o sobrenatural fazia-se presente, aqui andando de mãos dadas com a propalada imortalidade gremista, dos Aflitos ao Maracanã. Após a adoção dos pontos corridos no Campeonato Brasileiro, e por conta da ação da rede de televisão que possui os direitos de transmissão dos jogos, criou-se outra figura interessante: o cavalo de corrida. A imagem dos cavalinhos percorrendo a pista remete à posição de cada clube na tabela do campeonato. Desde a manutenção até a perda da posição, quase todas as situações vistas no turfe são retratadas ali. Até mesmo a utilização dos termos “cavalo paraguaio” (para designar aquele que dispara no início, mas perde o fôlego ao final da corrida) e “pangaré” (para aquele que representa os clubes mais desprovidos de recursos, que invariavelmente não conseguirão grandes feitos no certame) fazem uma referência quase fiel ao que se vê nas canchas dos hipódromos.

Outra situação que por vezes é vivenciada na pista de turfe é a vitória “por uma cabeça”. Ela ocorre quando o cavalo vencedor cruza a linha de chegada poucos centímetros à frente do segundo colocado. Os primeiros versos do magistral tango Por Una Cabeza, do genial Carlos Gardel, mostram exatamente a situação do cavalo de raça que, mesmo após fazer uma excelente corrida, afrouxa o ritmo na reta final e acaba perdendo. A poesia das palavras do mestre Gardel, mostrando que a face do tordilho ao regressar parece querer dizer ao homem que havia apostado nele para não esquecer que não deveria estar jogando, é o retrato do que boa parte das torcidas vivencia ao final da temporada. Nem preciso dizer que a massa tricolor também padece deste mal. A cada ano as esperanças são infladas, seja pelo plantel que está sendo montado, pelo treinador que pode fazer a diferença ou a diretoria que pretende implantar uma gestão vencedora. Mais do que tudo isso, contudo, é a imensa fé que move a esperança da torcida. Como o apostador, que sabe que não deveria apostar, mas ainda assim o faz. E que, por vezes, tem de observar o cavalo que estava por vencer e iria torná-lo rico voltar e encará-lo com uma expressão de “tu sabias que não deverias jogar, pois isto poderia acontecer”.

Mas de nada importam os avisos. O futebol é algo que transcende os limites da razão. Por qual outro motivo a torcida de times como Atlético Mineiro ou Botafogo ficariam tanto tempo torcendo, mesmo com as décadas de insucesso e escassos títulos? O próprio Corinthians, que permaneceu na fila por anos até ganhar um título e só então partiu para grandes conquistas? O Santos de Pelé, que após sua saída só voltou a ganhar alguma coisa importante no milênio seguinte? Nem vou citar outros clubes ribeirinhos, que permaneceram por tanto tempo sofrendo bullying dos torcedores do rival mais vitorioso sem ter nada para rebater e sofrendo calados. Isto é ruim, porque pode causar amargor (temos tantos exemplos por aí). Entretanto, por maiores que sejam os fracassos e desilusões, amanhã será outro dia e veremos o verdadeiro torcedor na arquibancada novamente. Ganhando ou perdendo, é o futebol em si que o move para o estádio. Logicamente que os troféus são importantes, eles também constroem a grandeza de um clube. Mas enquanto existir a essência do futebol por si só, não veremos os verdadeiros clubes morrerem.

E por isso, e só por isso, é que também teremos milhares de gremistas na Arena nesta quarta-feira. Estamos todos escaldados por conta de um insucesso recente. Mas ainda buscamos um objetivo no campeonato, mesmo que não seja o título. A corneta burra do outro lado faz alguns tricolores desdenharem da busca por esta conquista menor, mas que pode significar vôos maiores no ano que vem, quando poderemos então renovar as esperanças. Quem puder, vá à Arena. Mesmo que não creia no sucesso do time ao final da temporada. A conquista de uma vaga para a Libertadores tem sim o seu valor. Mesmo que seja conquistada na rabeira. Mesmo que seja conquistada por uma cabeça.

Saudações Imortais

11 de novembro de 2013

Uma grande incógnita


Falta de sorte, falta de qualidade, falta de pontaria... não importa. O que importa são os números que preocupam. O Grêmio já acumula sete jogos sem vencer e 570 minutos sem marcar gol.
Isso é um espanto!
Todos querem encontrar explicações e criar várias teses para ilustrar o mau momento do time. Aqui no blog, através dos comentários já se falou de tudo. Já se virou o Grêmio do avesso, especulou-se o desempenho dos jogadores, o esquema tático e a arrogância do Renato, a falta de sorte dos atacantes, as falhas da zaga, os laterais-alas que não apóiam, os frangos do goleiro Dida, o ferrolho do meio-campo, a dor no púbis do Souza, a passividade da torcida, a competência da direção, o sal na pipoca vendida na Arena, a malvadeza da OAS para com a torcida...
Enfim, argumentos são o que menos faltam neste momento. A torcida está desiludida, furiosa, desanimada, indiferente, nervosa, brava, irritada e tudo o mais que um clube que está há anos sem um grande título pode patrocinar.

Mas a verdade é uma só: como bem escreveu o Guaru no post do dia 8 de novembro, o que afinal está faltando? No raio-x feito todos os dias pela torcida gremista, acho que não há mais assunto para ser levantado e debatido. Tudo já foi esquadrinhado. Pente fino na situação da equipe é recorrente. Há opiniões para todos os gostos.
Mas e daí? Alguém conseguiu chegar a uma explicação convincente? Alguns comentários postados talvez, digo talvez, tenham se aproximado da resposta.
Não adianta ficar esbravejando apontando para os problemas. Eu estou interessada em saber qual é a solução. E será que ela, seja qual for,existe para esse time que têm jogadores já consagrados em outras equipes e que aqui não rendem o esperado?
O que eu vejo no dia de hoje, é uma grande incógnita. E na verdade, ninguém sabe a resposta. Nem mesmo o técnico do Grêmio. Acho que o time pode enveredar pelos dois caminhos nesta reta final de campeonato. Tanto pode fazer boas partidas e vencer, como pode perder o seu lugar no G4, com a continuidade das más atuações.
Hoje, 18hs57min, duvido que alguém arrisque a afirmar algo com convicção.
O que eu vejo a minha frente é uma grande incógnita!