18 de agosto de 2017

Jogo de Xadrez - Análise Tática de Grêmio x Cruzeiro

Pode não ter sido um jogo plasticamente bonito, mas para quem gosta de tática e estratégia de jogo foi um prato cheio. E os dois técnicos não precisaram inventar nas escalações, pois foram aquelas já previstas. Ambos jogando no  4231. Jogaram muito espelhados, pois possuem dois volantes que sabem jogar (Michel e Arthur /Lucas Silva e Henrique), meias centrais de qualidade excepcional (Luan/Thiago Neves), extremas com características próximas, na esquerda um jovem velocista (Pedro Rocha/Alisson), na direita os motores dos times (Ramiro e Robinho). Grêmio e Cruzeiro fizeram um verdadeiro duelo tático, digno de xadrez.

Escalações sem surpresas e jogo espelhado. 

Vimos dois tempos distintos, com o Grêmio dominante no primeiro tempo, com duas chances de gol com defesas do Fabio, além do próprio gol, depois de uma bela jogada. Mesmo com um volante de origem na lateral direita do Cruzeiro, e Robinho fazendo a recomposição, as melhores jogadas saíram pelo nosso lado esquerdo. Muito porque Edilson e Ramiro ficaram em uma postura mais defensiva, devido ao rápido contra ataque com Diogo Barbosa e Alisson. Vi muitos falando que Ramiro e Edilson foram mal, eu vejo que foram muito bem em marcar a principal jogada ofensiva cruzeirense. Nosso lado esquerdo, de onde surgiu o belo gol, foi de onde saíram os passes que conseguiram desestabilizar a defesa, os chamados passes que quebram as linhas, ou os passes de ruptura. Curiosidade que tais passes foram de Luan, Pedro Rocha e Arthur, o que demonstra a grande mobilidade pelo setor.

Dois tempos distintos, com o Grêmio (verde) controlando no primeiro tempo e Cruzeiro (azul) no segundo.

Passes de ruptura do Grêmio no 1 e 2 tempo, informação do @instatfootball

Quando o Grêmio atacava, conseguíamos ver o bom trabalho defensivo do Cruzeiro. Vimos as linhas bem próximas e organizadas. Novamente a inteligência de Luan, em jogar entre estas linhas, fez a diferença. Outro ponto que observei e que deveremos ver muito no mineirão é a organização do Grêmio para o contra ataque. Nisso é importante Barrios fazendo o pivô para que os demais jogadores apareçam em velocidade. Com Everton mudamos o estilo desse contr ataque. Pelas questãos físicas e características de jogador, Everton já tem que receber essa bola em velocidade.

Cruzeiro bem organizado defensivamente.

Estruturação de contra ataque tricolor!

Já no segundo tempo o Grêmio deu campo para o Cruzeiro. Muito pelo resultado, considerado positivo. Foi a vez do Grêmio se organizar defensivamente. Neste ponto o Cruzeiro tentou avançar com três atacantes, e jogar entre linhas, por isso Arthur e principalmente Michel tiveram um papel importantíssimo. Ambos recuavam na frente da zaga, para realizar essa marcação e sair com qualidade da bola. Ambos trocaram mais de 60 passes, sendo Michel com 95% de acertos e Arthur com 90%.Mas temos que considerar a importância de todo o time marcando. Luan e Barrios fazem este importante papel de marcar a saída de bola. Hoje algum time que almeja algo maior tem que praticar o "futebol total" onde todos tem funções defensivas e ofensivas. Acredito que essa seja a característica do jogo no Mineirão, onde teremos que aproveitar os espaços.

Como o Grêmio marcou o Cruzeiro.

A pressão na saída de bola do Cruzeiro.

Por ser um jogo tático ele se define e se concentra no meio campo. Ali que existem as trocas de opções de jogadores, as marcações por zona ou encaixes individuais, o que vimos muito no jogo. Por isso mesmo não tivemos um grande destaque no jogo. Os principais jogadores dos times não conseguiram desenvolver seu habitual futebol. Thiago Neves foi muito bem marcado pelo sistema defensivo do Grêmio. Luan conseguiu jogar mais, mas também por viver essa fase extraordinária, e por sair em vários momentos para receber a bola e organizar o jogo, que com Barrios ele executa muito melhor, pois o paraguaio, que já tem 17 em 30 jogos, média de 0,57 gols por jogo, segura dois zagueiros, abre espaços e faz o muito bem o pivô como escrevi acima.

Mapa de calor do Grêmio. Fonte: Footstats

O duelo continuará na próxima semana no Mineirão. O trio Michel, Grohe e Barrios, considerados os melhores do jogo, terá que ser inteligente contra o Cruzeiro do bom lateral Diogo Barbosa, para que assim dê o xeque-mate e classifique o tricolor para mais uma final da Copa do Brasil e assim buscarmos o hexa!


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A paixão e suas causas

Eu aprendi a amar o Grêmio pela rádio e pelos jornais. Desde os seis anos. "Assistia" os jogos pela narração e corria buscar o jornal no dia seguinte para ler os comentários.
O primeiro jogo que vi no estádio foi aos 12 anos, levado por meu pai colorado. O Olímpico ainda não era o Monumental. Mas dei sorte. Foi o jogo do hepta campeonato.
Anos depois fui estudar em Porto Alegre. Eram anos duros de derrotas mas lá estava eu no concreto frio do Olímpico. Com chuva ou com sol. Na boa e na ruim. Vi no estádio a primeira final do brasileiro de 1981. E estava lá em 28 de julho de 1983. Aquela noite mágica da cruzada impossível do Renato para a cabeçada não menos impossível do César mergulhando no meio de pés assassinos.
Até o dia em que tive de partir para outras paragens. Tempos difíceis. Nem rádio pegava naquela distância. Internet mais do que incipiente. Só e-mail e apenas nas universidades.
Mas não desisti. Aguardava o envelope quinzenal que chegava com recortes de jornais contando cada jogo. E eu conseguia imaginá-los. Perdi o Grêmio Show do Otacílio. Mas voltei a tempo de ver o bi da América. Não mais em Porto Alegre. Mas já com jogos pela televisão ao menos.
Pé quente estava na Arena no jogo do Penta. Mas o nervosismo do jogo não me deixou perceber o quanto é diferente o jogo no estádio. Senti isto há duas semanas quando fui ver Grêmio x Ponte Preta. Nada substitui a magia e a atmosfera do estádio. E menos ainda quando é o tricolor que joga em seus domínios.
Hoje recebi um vídeo que já havia recebido tempos atrás. De novo me emocionei. E resolvi partilhá-lo com aqueles que, por ventura ainda não viram. E deixá-lo aqui disponível para quem sentir saudades. Aproveitem sem moderação.

video

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Recebi também outro vídeo que mostra mais uma das razões da grandeza do Imortal Tricolor. E também porque amamos tanto estas três cores.



17 de agosto de 2017

Os chorões e a hipocrisia

O Grêmio jogou um belo primeiro tempo. Controlou com autoridade o segundo tempo. Saiu com uma boa vantagem para o jogo da volta. Tudo certo, abotoadinho dentro do vidrinho. Mas...
Sim, tem um mas, para surpresa de ninguém.
Mas Geromel machucou.
Foi o suficiente para os arautos do apocalipse invadirem o twitter, o facebook e, claro, o blog para iniciar a choradeira, a cantilena, o mimimi.
Ain, com o Bressan saímos perdendo de 3 x 0.
Ain, que azarados que somos.
Ain, nem verei o jogo porque já perdemos.
Ótimo!
Façam isto.
Não olhem! Não falem! Não chorem! Não zurrem!
O Grêmio não precisa de derrotados de véspera. O Grêmio não se forja a partir de cagões. Não foram estes abobados que fizeram o Grêmio grande como é.
Geromel de fora é uma perda considerável. Afinal Geromel é só o melhor zagueiro do Brasil. Mas não existe ninguém que seja insubstituível. Nem o Geromel.
Tenho certeza que jogue quem jogar, receberá atenção dobrada do Renato e de toda a equipe do futebol para entrar com confiança afim de dar conta do recado. E, muito provavelmente dará.
Certamente para tristeza dos torcedores de teses ou para aqueles que simplesmente precisam e adoram odiar tanto quanto as pessoas precisam de oxigênio.
Seja quem for o escolhido deve contar com o apoio de todos. Porque não há nada pior para alguém ter de fazer seu trabalho sob desconfiança de quem deveria apenas dar carinho e força.
E você aí, se não concorda, faça como aquela frase da piada: "se não acredita, pelo menos não atrapalhe o negócio."

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Três anos se passaram desde que o Grêmio foi linchado por conta do racismo de 2 ou 3 torcedores. Todos lembram do famigerado "Caso Aranha".
Seria a redenção do futebol, bradavam. O fim do racismo dos estádios.
Sim. Claro.
Outros episódios ocorreram sem repercussão nenhuma. Até que ontem à noite, por ironia do destino, de novo na Copa do Brasil, repetiu-se episódio quase igual no jogo Botafogo x Flamengo.
E aí?
Aí nada otário.
Aí que os arautos da moralidade do tipo Sérgio Xavier Jr. André Rizek e Diogo Oliver, só para ficar nos três que lembrei rapidinho, já não pensam mais como pensavam três anos atrás. Agora não é mais necessário "dar o exemplo", "moralizar", "acabar com a vergonha do racismo".
Nas suas medíocres e tacanhas mentes surgiu a teoria, a tese e a afirmação de que são "casos diferentes".
Sabem que eu concordo? São diferentes sim. Naquele era o Grêmio o envolvido. Era o Grêmio que seria punido.
Agora é o Botafogo. Como poderia ser o Flamengo. Ou o Santos. Ou Inter. Ou qualquer outro clube brasileiro. Neste caso, o torcedor é que deve ser punido e não o clube. Entenderam bobinhos otários e ingênuos?
Pois é. Nada mais precisa ser dito meritíssimo.


16 de agosto de 2017

Uma vantagem muito boa

Grêmio 1 x 0 Cruzeiro

Terça-feira mandei um whatsapp para o Arigatô: 
- Como está o ambiente?
- Ótimo, foi a resposta.
- Estou nervoso.
- Por que?
- Sei lá. Mata-mata. Tudo pode acontecer.


Primeiro tempo: 1 x 0


O tricolor começou ligado e em cima. Aos 5 minutos a primeira jogada perigosa. Falta alçada na área mas Barrios não conseguiu concluir.
Aos 6:23 minutos Geromel pegou um rebote mas o chute forte saiu muito alto.
E a torcida pelo Brasil sofria.


Aos 12 minutos um milagre do goleiro mineiro. Barrios cabeceou à queima roupa mas o goleiro defendeu na linha do gol.


O jogo era completamente dominado pelo Grêmio mas faltava o lance final para criar chances melhores.
Aos 22 minutos Barrios chutou mas a bola deu no zagueiro e foi para escanteio.
Edilson cruzou para o goleiro pegar aos 24 minutos.
Aos 27 minutos primeiro chute dos mineiros. De longe e para a defesa fácil de Grohe.
Kannemann cabeceou para fora em cobrança de escanteio aos 28:30 minutos.
Aos 31 minutos Pedro Rocha entrava na área e caiu. Houve o toque na perna, mas para os juízes jornalistas de hoje tem de atorar para ser pênalti.
E o goleiro mineiro salvou de novo aos 35 minutos. Pedro Rocha forte de fora da área no canto mas houve a defesa para escanteio. A câmera de trás do gol mostrou que foi mais um milagre.
Aos 41 minutos o juiz resolveu dar o primeiro cartão para o time mineiro que batia e fazia cera à vontade. 
Quando tudo indicava que o anti-jogo venceria na primeira etapa Michel lançou Pedro Rocha no fundo que serviu Luan. Luan bateu de primeira para nova defesa do goleiro mas Barrios estava lá para mandar para o fundo das redes. 1 x 0. Um golaço.


E dois minutos depois acabou o primeiro tempo.

.....

Um primeiro tempo de total superioridade. Grohe só fez intervenções. Os mineiros bateram e fizeram cera o quanto puderam. E o goleiro fez dois milagres. Mas o raio não cai três vezes no mesmo lugar, e finalmente saiu o gol merecido.



Segundo tempo: 0 x 0

Antes dos dois minutos a zaga tricolor deu bobeira e os adversários chutaram forte para bela defesa de Grohe para escanteio. Foi a primeira defesa difícil dele no jogo.
Aos 6 minutos novo contra-ataque perigoso dos mineiros mas a conclusão foi fraca para defesa de Grohe.
Na sequência o Grêmio perdeu dois contra-ataques por erros de domínio de bola.
O tricolor não conseguia sair para o ataque e sofria pressão forte.
Aos 15 minutos Luan foi derrubado fora da área. O juiz deu pênalti mas voltou atrás. Luan bateu mas a bola foi na barreira.
O jogo seguia muito tenso mas sem que as equipes conseguissem criar situações de gol.
Aos 27 minutos Everton entrou  no lugar de Barrios.
E o jogo continuou nervoso, pegado mas sem jogadas de perigo.
Aí, aos 35 minutos Geromel sentiu a perna e teve de sair.


E o jogo continuou disputado e nervoso.
Já nos acréscimos os mineiros tiveram uma boa chance mas Grohe defendeu.
E foi isto.

.....

O Arigatô tinha razão em dizer que a preparação estava ótima.
O time entrou focado e muito consciente do que deveria fazer.
O primeiro tempo poderia ter terminado com 2 ou 3 gos de vantagens.
No segundo tempo era esperada uma reação do adversário mas o Grêmio soube mantê-los a uma distância segura.
Não é uma vantagem extraordinária, mas certamente é muito boa e pode ser decisiva.



Como jogaram:

Grohe:
No primeiro tempo só fez intervenções (poucas) e defesas (poucas) de longe. Mais exigido no início do segundo tempo, foi seguro. Nota 8 
Edilson: Com ele não tem moleza. Joga atrás e controla os engraçadinhos adversários que querem aparecer. Nota 8
Geromel: Joga muito fácil e seguro. Mas o grande e espetacular Tite prefere o Rodrigo Caio. Quer saber? Como gremista agradeço emocionado. Saiu machucado e deixa todo torcedor muito apreensivo para a sequência. Nota 9 
Kannemann:
 Luta. Discute. Briga e também jogaNota 9
Bruno Cortez:
 O mais "light" da defesa mas não menos eficienteNota 8
Michel: Muito firme na contenção. Deu um passe espetacular para o golNota 9 
Arthur: Não deve amassar o calção e a camiseta tamanha a elegância. E joga como um craque que é
Nota 9 
Ramiro: Cresce muito em jogos decisivos. Depois de algumas partidas em que pareceu cansado foi um gigante novamenteNota 8
Luan: Não está nem aí se vai ser vendido ou não. Continua focado e participou decisivamente do primeiro golNota 9
Pedro Rocha: Mais uma grande atuação. Com direito a chute para defesa milagrosa, assistência para lance de gol eNota 9
Lucas Barrios: Está escrito na carteira de trabalho dele: centro-avante. No primeiro tempo uma cabeceada defendida por milagre e o gol de extremo oportunismo. Sentiu alguma indisposição e foi substituído no segundo tempo. Pelo gol o melhor. Nota 10 

.....

Everton (Lucas Barrios): Entrou mas não conseguiu aparecer desta vez
Nota 5
Bressan (Geromel): Imagina a fogueira e a responsabilidade? Deu contaNota 6
Fernandinho (Pedro Rocha): Entrou no fim e não teve tempo para nadaNota 5 

Renato Portaluppi: É um grande motivador. Nota 9




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Arbitragem:
Marcelo Aparecido de Souza, Anderson Coelho e Bruno Rizo (SP)- Deixou os mineiros bater à vontade no primeiro tempo. Não complicou. Nota 5 

15 de agosto de 2017

Mata-mata e as bestas(?)

Começou o lenga-lenga. Um arigó da ESPN caiu de pau no Grêmio porque estamos "largando" o campeonato brasileiro. Para variar desmereceu a Copa do Brasil e, mais ainda a Libertadores. Não por acaso, a folha corrida do elemento mostra um histórico de ódio ao tricolor e a tudo que diz respeito a nós.
O argumento do abobado é tão mais sem noção quando se sabe que, além da campanha do Corinthians ser totalmente atípica, o Grêmio não depende apenas de suas forças para ser campeão. Tem de ganhar e torcer para os manos perderem. E a probabilidade de acontecerem as duas coisas ao mesmo tempo é de apenas 10 %. Sem contar que enquanto temos três competições eles tem apenas uma.
Então, está certo poupar, até porque, como diz o ditado, quem tudo quer tudo perde.
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Mas confesso que estou preocupado com o enfrentamento com o Cruzeiro. Não por achar que eles são melhores. Mas porque em mata-mata uma jornada infeliz, um erro de arbitragem, um lance bizarro e tudo pode ser comprometido. Penso que temos mais time. Mas estou longe de estar tranquilo com o desfecho.
Aliás, a grande diferença entre campeonatos insossos de pontos corridos e mata mata é esta. Na véspera do jogo já começa a tensão e o nervosismo. Mas tem quem ache que pontos corridos é melhor. Assim como tem quem goste de chuchu, de giló e de mulher feia.
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Leio aqui e ali que o importante amanhã é não levar gol. Discordo. O importante amanhã é:

  1. ganhar o jogo
  2. ganhando, de preferência com mais de um gol de diferença
  3. se ganhar por um gol apenas, então o melhor é não levar gol.
  4. se não ganhar, então empatar de 0 x 0.
Ou vocês acham melhor ganhar de 1 x 0 ao invés de ganhar por 3 x 1?
Então é bom que o cuidado para não levar gol não diminua a vontade e a gana de ganhar e acabemos com a opção 4 aí de cima.
Portanto, ganhar é a prioridade. Com qualquer escore. Se puder ser com saldo maior que um, ótimo. Se puder ser sem levar gol melhor.
Não pensem como um treinador aí e alguns jornalistas gaúchos que diziam que perder fora de 2 x 1 era melhor do que empatar de 0 x 0.
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Sábado postei o cara a cara com o Marcelo Oliveira.
Alguns comentários sobre a entrevista foram nauseabundos. Outros ainda piores, a ponto de não serem liberados.
Domingo ele errou a cobrança de pênalti.
Foi o suficiente para algumas bestas escrotas invadirem o instagram dele e ofenderem e ameaçarem a ele e sua família, incluindo as crianças.
O que se pode dizer de elementos com esta desqualificação? Sinto um pouco de desconforto em chamá-los de bestas. Afinal, as bestas sentir-se-iam ofendidas ao serem comparadas com tamanhos dejetos.
Gremistas e pessoas de bem certamente não são.

14 de agosto de 2017

Avalanche Tricolor: morre em Israel, o homem mais velho do mundo, “irmão-gêmeo do Grêmio”

por miltonjung

Botafogo 1x0 Grêmio
Brasileiro - Nilton Santos/RJ


Diante da decisão gremista de não levar o Brasileiro como prioridade, preservando-se para a Copa do Brasil e a Libertadores, peço licença a você, caro e raro leitor, para abrir mão também de escrever a Avalanche deste domingo. Nesse caso, porém, você perceberá que o titular será substituído por um craque das letras (além de gremista, é lógico). Refiro-me a Airton Gontow que privilegiou este espaço - e desde já o agradeço por este carinho - com o texto que conta a incrível história de um judeu, sobrevivente dos campos de concentração, morto na sexta-feira, que descobriu, quase ao fim da vida, ser gremista ou um "irmão-gêmeo do Grêmio", como o próprio Airton o identificou.
Por Airton Gontow

Yisrael
Yisrael Kristal e a camisa do Imortal em sua homenagem (foto: Bernardo Kopstein Schanz)
Faleceu sexta-feira, 12 de agosto, em Israel, o “Homem Mais Velho do Mundo”. Sobrevivente do Holocausto, Yisrael Kristal completaria 114 anos dentro de um mês. Kristal ganhou o certificado da organização Guinness World Records após a morte do japonês Yasutaro Koide, aos 112 anos e 312 dias. “Todos têm o seu próprio destino, não há segredos", disse ao receber o título.
De família judia ortodoxa, Kristal nasceu no vilarejo de Zarnow, na Polônia, em 15 de setembro de 1903. Aos 17 anos, mudou-se para Lodz, também na Polônia, onde sua família abriu uma fábrica de doces. Em 1940, foi deportado para o campo de concentração de Auschwitz, onde perdeu a mulher e os dois filhos. Após ser resgatado com 37 quilos, mudou-se em 1950 para Israel. Casou-se novamente e passou a viver em Haifa, cidade ao Norte de Israel (a terceira maior do País), onde abriu uma confeitaria.
Não gostava muito, como acontece com muitos dos sobreviventes do Holocausto, de falar sobre o período passado nos campos. Mas declarou ao israelense Haretz: "Dois livros poderiam ser escritos sobre um só dia ali". Sobre como prosseguiu após a grande tragédia, afirmou: "tudo o que nos resta é continuar trabalhando o mais duro que pudermos e reconstruir o que está perdido".
No ano passado, Kristal comemorou, com 100 anos (um século!) de atraso, o seu Bar-Mitzvá, cerimônia judaica que marca a passagem de um garoto para a vida adulta, aos 13 anos. Não tinha vivenciado o importante rito de passagem devido à Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918).
Apesar de atento ao mundo atual e de toda a tragédia vivida no passado, Yisrael era crítico do mundo moderno, especialmente da falta de atitude dos jovens. “O mundo piorou. Não gosto da permissividade. Tudo é permitido. Os jovens de antes não eram tão atrevidos como agora. Tinham que pensar sobre uma profissão e sobre como ganhar a vida. Viravam carpinteiros, alfaiates e agora tudo é feito com alta tecnologia. As coisas são fáceis, não exigem esforço e não há o trabalho manual que existia no passado”, disse ao jornal israelense.
Um fato curioso. Yisrael Kristal era “irmão-gêmeo” do Grêmio. A descoberta da coincidência das datas foi do jornalista gaúcho Léo Gerchmann. Ao ler as notícias sobre a “longevidade campeã” do senhor Yisrael, depois da morte de Yasutaro Koide, Gerchmann (autor de livros como “Somos Azuis, Pretos e Brancos”, ‘COLIGAY – Tricolor e de todas as cores” e “Viagem à Alma Tricolor em 7 Epopéias”) entrou em contato com Beto Carvalho, diretor de Marketing do Grêmio.
A equipe agiu rapidamente. Uma camiseta foi confeccionada e enviada para Israel, onde foi recebida pelo gaúcho Nelson Burd, que vive próximo a Haifa e foi de trem até a casa de Yisrael Kristal. Na época, escreveu Burd: “Foi emocionante. Ele ficou muito feliz. A filha dele, Shula, estava lá também. O Bernardo Kopstein Schanz fez as fotos. Yisrael Kristal não sabia que nós íamos até lá. A filha dele preferiu não contar, pois ele ficaria ansioso, na espera. Ele usa aparelho auditivo, precisou colocá-lo para falar com a gente...Ele ficou muito feliz, surpreso. Contamos sobre o Grêmio, a coincidência, tudo. Ele ficou radiante. A imortal coincidência o comoveu. Na verdade, a todos nós. Ele ria e chorava ao mesmo tempo. Dizia: ‘é o meu aniversário; é a minha data na camisa’".
Assim como o Tricolor Gaúcho, Yisrael agora é Imortal. Kristal que não se quebra! Imortal para seus dois filhos, seus netos e bisnetos. E para todos que viram seu exemplo de vida e de superação.
O Guinness World Record ainda não informou quem será agora declarado “o homem mais velho do mundo”.

Airton Gontow é jornalista, cronista e diretor do site de relacionamento Coroa Metade.

13 de agosto de 2017

Daniel Matador - Time reserva, futebol meia-boca

Botafogo 1 x 0 Grêmio


Caros

O destino definiu que Grêmio e Botafogo venham a enfrentar-se nas quartas-de-final da Libertadores da América. Este mesmo destino pode fazer com que, caso avancem, ambos também se enfrentem em uma possível final na Copa do Brasil. Não obstante tudo isso, neste domingo de Dia dos Pais as duas equipes tiveram que entrar em campo para o que poderia ser uma prévia dos confrontos de mata-mata. Porém, justamente por conta disso, Renato Portaluppi e Jair Ventura mandaram a campo equipes descaracterizadas de seus melhores quadros. Ao menos foi uma chance para conferir o desempenho de jogadores que podem vir a ser utilizados para substituir titulares impedidos de jogar.

O tricolor pisou no gramado do Engenhão com Paulo Victor no gol e a dupla de zaga composta por Bressan e Bruno Rodrigo. Nas laterais, Léo Gomes e o capitão Marcelo Oliveira. Kaio, Jaílson e Lincoln formaram um tripé no meio campo, com Fernandinho, Everton e Batista completando a linha de frente. Léo Moura iniciaria o jogo, porém sentiu um desconforto antes da partida e foi poupado.

Primeiro tempo: Botafogo 1 x 0 Grêmio

O jogo começou com o Botafogo em alta velocidade. E logo aos 6 minutos, em um contra-ataque que começou no meio e terminou na direita, Leandrinho recebeu nas costas da zaga e chutou na saída de Paulo Victor para abrir o placar. Aos 9 minutos, Paulo Victor deu um tapinha providencial para escanteio em uma bola alçada de forma venenosa. Aos 21, após escanteio, Batista arrematou de voleio e a bola não entrou porque a zaga alvi-negra salvou. Aos 24, após mais um contra-ataque em velocidade, Guilherme cortou a marcação, chutou e Paulo Victor encaixou.

Aos 26, outra boa defesa de Paulo Victor após jogada pela direita de ataque botafoguense. Aos 28, Everton avançou pela esquerda, driblou o marcador e, ao cruzar, a bola desviou na zaga e quase entrou, saindo para escanteio. Só depois da metade do primeiro tempo é que o tricolor começou a ficar menos nervoso em campo. Aos 37, Lincoln lançou Everton pela esquerda, que chutou de longe para defesa de Gatito Fernandez. Aos 44, Lincoln fez grande jogada na meia-lua e sofreu falta. Na cobrança, a bola pegou no defensor botafoguense e o árbitro marcou pênalti. O capitão Marcelo Oliveira cobrou, mas Gatito Fernandez defendeu. E mais não houve na primeira etapa.




Segundo tempo: Botafogo 0 x 0 Grêmio

Não houve mudanças no time tricolor no retorno ao segundo tempo. Em menos de 2 minutos, Batista cabeceou quase livre uma bola que veio rebatida da zaga após um escanteio e perdeu uma boa chance de empatar. Aos 13, Paulo Victor novamente salvou um lance após um chute perigoso oriundo de contra-ataque. Aos 19, outra vez Paulo Victor salvando, dessa vez saindo de forma arrojada nos pés do atacante alvi-negro. Aos 21, Dionathã entrou no lugar de Batista. Aos 28, Jaílson saiu para a entrada de Patrick. Aos 37, Lincoln saiu para a entrada de Jean Pyerre. O jogo estava bem meia-boca e nada de muito produtivo saía. Aos 43, a primeira investida mais forte de Fernandinho na partida, com a bola desviando para escanteio. Aos 47, chutaço do Botafogo que chegou a raspar no travessão. E acabou assim mesmo.




Como jogaram:

Paulo Victor: talvez pudesse ter saído um pouco melhor no gol. Mas fez diversas intervenções importantes ao longo do jogo. Um dos melhores em campo. Nota 7
Léo Gomes: muito fraco. Até agora não disse a que veio. Difícil até mesmo de defender sua permanência para grupo. Nota 3
Bressan: não comprometeu de forma cabal, mas tomou uma bola pelo meio das pernas que poderia ter resultado em gol, não fosse a defesaça de Paulo Victor. Nota 5
Bruno Rodrigo: apenas razoável, nada mais que isso. Nota 5
Marcelo Oliveira: era o capitão, mas a jogada do gol do Botafogo saiu pelo seu lado. E errar pênalti decisivo é inaceitável. Nota 2
Kaio: sofreu para marcar os meias e avantes do Botafogo. Tomou sufoco até o final. Nota 3
Jaílson: falhou na marcação inicial de Leandrinho no lance que originou o gol. Saiu para a entrada de Patrick. Nota 2
Lincoln: estava meio sonolento em campo. Quando acordou, o time deu uma melhorada. Mas ainda parece indolente. Saiu para a entrada de Jean Pyerre. Nota 4
Fernandinho: outro que esteve apagado durante todo o jogo. Parecia até que não estava em campo. Nota 2
Everton: um dos raros que tentou algo. Mas cansou no segundo tempo. Nota 6
Batista: pouco acionado e também não apresentou-se muito. Saiu para a entrada de Dionathã. Nota 3 (com boa vontade)

Dionathã: entrou no lugar de Batista. Tentou bastante, mas ainda parece afoito. Nota 5
Patrick: entrou no lugar de Jaílson. Bom de bola, mas também precisa dosar as ações. Nota 5
Jean Pyerre: entrou no lugar de Lincoln, na finaleira. Sem nota

Renato Portaluppi: não conseguiu incutir no time aquele espírito aguerrido que costuma botar na equipe titular. Nota 5

Arbitragem: o trio era de Mato Grosso, formado pelo apitador meia-boca Wagner Reway e os auxiliares Eduardo Goncalves da Cruz e Fabio Rodrigo Rubinho. Incrivelmente, acertou na marcação do pênalti e não atrapalhou o jogo.

Era um jogo com desgraça anunciada, dada a escalação. Mas o próprio Botafogo não era o bicho, tanto que praticamente achou um gol no início do jogo e não fez nada de muito mais perigoso. Só que a indolência foi a marca do time. Normal que não se possa ver grandes avanços táticos em um grupo que não costuma jogar junto. Mas ao menos um pouco de vontade poderia existir e ela não apareceu, salvo raríssimas exceções. Foi uma partida modorrenta. Que venham as copas, porque ao menos no mata-mata há emoção e time titular.

Saudações Imortais

12 de agosto de 2017

O Grêmio hoje

Quem entender o momento atual do Grêmio? Boa parte está nesta entrevista maravilhosa e emocionante do Marcelo Oliveira.
Veja e compartilhe.

11 de agosto de 2017

Sempre haverá um dia após o outro

Todo mundo entende das coisas o que quer entender.
Ontem se clamava que a direção do Grêmio viesse a público para dar sua versão. Torcedores e jornalistas. Dos primeiros se admite a ignorância em certos assuntos. Dos segundos não.
Foi quando o Daniel Matador fez o texto para o facebook e eu sugeri postar aqui.
O post foi sobre o porquê da entidade Grêmio não se manifestar. Os mais "rápidos" entenderam que falava-se sobre o blog ficar mudo.
.
Pois eu postei nos comentários do post do Maurício:
Espinosa:
Em respeito ao ídolo o blog não vai lavar roupa suja em público.
Leiam e ouçam os noticiários e tirem suas conclusões.
Tudo o que tinha de ser dito e escrito, por ambos os lados já o foi exaustivamente nos jornais, rádios, sites, redes sociais e televisões. Todos podem tirar suas conclusões. Continuar a arenga interessa só a quem quer confusão.
Para encerrar eu gostaria de lembrar de algo que aconteceu no dia 30 de junho de 2011. Pode ser visto neste link aqui. E a posição do blog sobre o assunto neste aqui.
Acreditem senhores e senhoras, o mundo não acabou. Ao contrário, Renato certamente amadureceu com o ocorrido e voltou agora, muito mais experiente, sábio e competente.
E a vida segue.
Bom dia.

10 de agosto de 2017

Daniel Matador - Grêmio, Espinosa e a "economia interna"

Caros

Fiz estas linhas na corrida, até mesmo para aproveitar o calor do momento e do assunto. Não aprofundei-me em demasia, mas penso que já ajudam a entender um pouco da postura do Grêmio no caso do desligamento de Valdir Espinosa. Não vou aqui entrar nos fatos geradores da demissão em si, ou mesmo no timing (certo ou errado) deste ato. Me propus apenas a analisar, de forma suscinta, a forma como o clube manifestou-se a respeito deste ocorrido. Também está postado lá no meu perfil no Twitter: @DANIELMATADOR9


Sobre a demissão de Valdir Espinosa pelo Grêmio, teço aqui alguns comentários de cunho legal e trabalhista a respeito deste caso, tomando como base meu conhecimento técnico e experiência de muitos anos na área de gestão de pessoas e relações trabalhistas.

A demissão de um funcionário nunca é (ou deveria ser) uma atividade corriqueira em uma empresa (ou mesmo em um clube de futebol, como é o caso). Em tratando-se do desligamento de um funcionário com relevantes serviços prestados, a situação pode acabar tomando rumos complicados.
Teorias mil, quase sempre oriundas de quem desconhece como proceder em tais situações (por inexperiência ou quaisquer outras razões) acabam surgindo em casos assim. Por tratar-se de uma entidade que mexe com a paixão do torcedor, é normal que isso ocorra. O que não livra o caráter errado de determinadas posturas.

A torcida "exige" que o clube "esclareça a situação" ou mesmo "traga à tona os reais motivos da demissão". Ora, isso simplesmente NÃO PODE, NÃO DEVE E NÃO VAI acontecer. Ao menos quando houver dirigentes com o mínimo de senso e corretamente assessorados no campo jurídico-trabalhista.

Fazendo um paralelo para que os leigos possam compreender: quando uma empresa demite um funcionário por justa causa, por exemplo, ela sequer pode mencionar isso na CTPS. Aquela famosa lenda urbana de que "é ruim demitir por justa causa porque isso suja a carteira de trabalho" é uma total falácia. A CTPS simplesmente registra a data do desligamento e nada muito além disso. O próprio termo de rescisão traz única e tão-somente as informações relativas às verbas rescisórias e a causa do desligamento, sem entrar em pormenores sobre o fato gerador. Tais informações, contudo, são detalhadas no Aviso de Desligamento e corroboradas pelos registros que comprovam-nas. Sem isso, o ato torna-se frágil e, por vezes, até mesmo nulo.

"Puxa, mas e se o funcionário for demitido porque foi pego roubando, a empresa não pode tornar isso público, até mesmo para prevenir outras empresas de contratar um ladrão?" A resposta é: NÃO, NÃO PODE! Caso isso ocorra, a empresa corre o risco de ser (e provavelmente será) acionada judicialmente, podendo vir a arcar com custos relativos à indenização por danos morais. Sim, é isso mesmo. Alardear que um funcionário ladrão foi demitido por ser ladrão (mesmo que o ato rescisório tenha corrido legalmente e seja totalmente comprovado, com provas de vídeo e afins) enseja motivo para processo por dano moral. Há aí o conceito de que a empresa estaria prejudicando o ex-funcionário na tentativa de conseguir uma nova colocação, subentendendo que o mesmo nunca vá regenerar-se.

Isso vale também para as demissões sem justa causa. Se o funcionário tem um mau relacionamento com toda a equipe, prejudicando o andamento dos trabalhos, a empresa não pode trazer à baila que a razão real do desligamento foi essa. Ou, no caso, assim como citado anteriormente, até pode, mas irá correr o risco de arcar com as consequências dessa decisão.

Assim sendo, no caso Grêmio x Espinosa, os mais afoitos podem parar de "exigir" que o clube faça pronunciamentos detalhando os reais motivos do desligamento do ex-funcionário. A não ser que queiram que a instituição arque com um processo por dano moral, algo que certamente não irá ocorrer. "Ah, mas nós torcedores temos o direito de saber". Olha, sinto dizer, mas não têm, não. Por mais que a paixão pelo clube faça com que alguns aleguem tal pretensão, ela não existe. E não existe justamente pelo bem maior da instituição, que é infinitamente superior aos desejos e curiosidades de determinadas pessoas.

Esse é um dos temas que, como bem frisou em sua lendária sentença o ex-dirigente tricolor Rudy Armim Petry, sempre deverá ser tratado como "assunto de economia interna". Seja em uma empresa privada, seja em um clube de futebol. "Ah, mas isso está errado!" Bom, meus amiguinhos, dura lex, sed lex. A vida e as leis nem sempre são como vocês acham que devem ser.

Saudações Imortais

Análise Tática de Grêmio x Godoy Cruz

Segundo clube brasileiro com maior passagens às quartas de final da Libertadores, apesar do susto com o gol inicial do Godoy Cruz, avançamos e agora aguardamos Botafogo ou Nacional do URU. E tomamos esse susto no início do jogo, onde o Godoy Cruz foi melhor e teve mais domínio, pois Renato escalou Maicon no lugar de Arthur, mantendo o restante da equipe considerada titular, somente com a substituição de Edilson por Leo Moura (que na minha modesta opinião é um acréscimo).



Sofremos no início do jogo e no início do 2º tempo. Mas de maneira geral controlamos o jogo.


Analisando a entrada do Maicon no lugar do Arthur, vejo que foi por dois motivos. Primeiro por ser jogo decisivo, Maicon ser o capitão e ser mais experiente. Segundo ponto, a menor capacidade de marcação de Leo Moura, onde Maicon teria a função tática de maior marcação. Isso ficou claramente no jogo. O Godoy Cruz atacou pela nossa direita, e consequentemente o Grêmio atacou mais por este lado. Maicon teve que fazer esse papel de contenção, com isso Michel ficou responsável pela saída de bola, pois normalmente tinha mais espaço. Mas um ponto que observei também, foi Michel por vezes saindo da sua posição, fazendo uma marcação mais alta, assim abria espaço entre a defesa e meio campo do Grêmio, onde o Godoy Cruz conseguiu atuar. Se notarem, o gol sofrido pelo Grêmio foi nessa faixa de campo, pois o atacante teve tempo de esperar a bola picar e chutar com espaço (sim, foi falha do Grohe).


           

                                                                          Jogo ocorreu pela direita. Fortíssima                                                       atuação de Leo Moura, e Maicon mais posicionado. 
                                Mapa de calor de Michel abaixo mostra mais centralizado e com mais espaço para saída de bola. 

Falando ainda de como o jogo se desenvolveu pela direita, a própria movimentação de Ramiro e Pedro Rocha, que se espelham dentro do campo, obviamente com diferentes características, refletem isso. Pedro Rocha muito mais avançado pela ponta esquerda e Ramiro ajudando o lado direito na recomposição. Acredito que além de Michel, que estava um pouco nervoso, até pelo fato de estar um pouco deslocado, Ramiro sentiu essa saída de Arhur, pois junto com Luan são os que mais trocam a bola entre si. A dinâmica com Maicon é diferente, pois ele segura a bola, pensa, roda, e dá passes de ruptura (aqueles passes que atravessam a defesa). Ao contrário de Arthur que roda muito mais, aparece para jogar, distribui em espaços curtos. Em resumo, o time sentiu essa troca e eu não fui muito favorável, pois perdemos dinâmica de jogo.




 Pedro Rocha e Ramiro com funções diferentes no campo. Enquanto um atacava o outro mais defendia. Reflexo no mapa de calor de todo jogo conforme abaixo, onde jogo foi pela direita.




Se na meia defensiva tivemos essas alterações, no ataque fomos muito bem. Barrios voltou fazendo o que tem que fazer. Incomodando o zagueiro, brigado por toda bola, fazendo o pivô e chutando em gol. No primeiro gol acreditou até o final e deu um passe inteligentíssimo para Pedro Rocha marcar. No rebote do goleiro ele não domina a bola, e sim passa por cima dela, e gira para tocar para o meio. Lance de quem conhece a grande, e no caso a pequena área. No segundo gol foi inteligente em não estar em impedimento (vale ressaltar a jogada do craque Luan, que tinha possibilidade mais fácil para tocar para Pedro Rocha, mas que entrava impedido pela esquerda) e deu um belo chute que tocou na trave e no rebote Pedro Rocha (mais uma vez bem posicionado), fez o gol que nos garantiu a vitoria. Os números de Luan e Pedro Rocha na Libertadores mostram essa qualidade, sendo considerados pelo Footstats os dois melhores nas estatísticas da competição.

Os números de Pedro Rocha e Luan que os credenciam como os melhores da Libertadores.

O importante é que conseguimos a classificação para as quartas de final da Libertadores, e se comparados a Atlético MG e Palmeira, que tem investimentos muito maiores, essa classificação deve ser muito comemorada. Afinal o que ganha um jogo pode ser um jogador, mas o que ganha título é um time bem equilibrado e com uma dinâmica de jogo bem definida. Por isso que jogadores que foram criticados e até ridicularizados no início do ano, como Cortez e Leo Moura, estão jogando muito bem.

Tweet que bombou!

Se gostou comenta aí, ou vai la no meu Twitter @mwgremio para debatermos taticamente o Grêmio.

E antes que eu me esqueça, obrigado Pedro Rocha!
                            Encontro com Pedro Rocha em ação beneficente de sua família, realizado nesta última segunda-feira.

Avalanche Tricolor: os caça-fantasmas cumpriram sua missão

Por Milton Jung


Grêmio 2×1 Godoy Cruz
Libertadores – Arena Grêmio



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Pedro Rocha espanta assombração (foto reprodução SporTV)

Quiseram nos espantar com um tal fantasma das oitavas-de-final, que supostamente teria nos impedido de seguir à frente em Libertadores passadas. Soube dele em reportagem de jornal, rádio e TV, pois foi citado com frequência, mesmo diante da ressalva que o Grêmio levava vantagem pela vitória fora de casa. Nas redes sociais alguns dos nossos também se referiam ao dito-cujo quase como um antídoto ao favoritismo. E imagino que ao verem aquela bola mágica entrar pelo alto no nosso gol, ainda aos 14 minutos do primeiro tempo, mesmo os descrentes com as coisas do além lembraram do dito popular em castelhano “no creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

Um clube com 17 Libertadores nas costas, dois campeonatos conquistados, um elenco de causar inveja e ao lado de uma torcida entusiasmada, convenhamos, caro e raro leitor desta Avalanche, não seria um fantasminha qualquer que tiraria nossa tranqüilidade. Mesmo ele tendo arrumado um golzinho tão cedo. Quando digo “nossa tranquilidade” refiro-me a do nosso time, que em nenhum momento se precipitou e teve paciência para retomar a partida. Com a troca de passes precisa e veloz que nos caracteriza, o Grêmio colocou a bola no chão e foi abrindo os espaços para chegar ao gol do empate.

Luan desfilou pelo gramado com a bola nos pés, sem dar muitas chance de os marcadores chegarem perto, e quando chegavam tinham pouco sucesso em suas investidas. Nosso camisa 7 jogou como se fosse sua última vez. Protagonizou belas jogadas individuais e proporcionou a seus companheiros passes que abriam a defesa e criavam oportunidades de gol. Depois de já ter colocado uma bola no poste, forçando cobrança de escanteio, pelo lado esquerdo, foi para o direito, roubou a bola e mesmo sem ângulo chutou a gol, provocando a falha do goleiro.

Começava ali a operação caça-fantasma.

Se foi Luan quem iniciou a jogada do gol foi o endiabrado Pedro Rocha que a concluiu assim que recebeu o cruzamento de Barrios, dentro da área. O camisa 9 já havia escapado uma vez pela esquerda após passe de letra que o mesmo Barrios lhe havia feito bem no início da partida. Antes, também, meteu uma caneta no seu marcador na entrada da área, daquelas de deixar o fantasma envergonhado. Foi então com o pé esquerdo e em um só toque que Rocha marcou o gol de empate ainda no primeiro tempo. E repetiu a façanha no segundo, aliás em mais uma jogada com participação de Luan e Barrios.

Os gols da virada e a segurança com que a defesa atuou, espantando todo e qualquer perigo que aparecesse no meio do caminho, não deixavam dúvidas: a missão estava cumprida!

O Grêmio e nossos caça-fantasmas já estão nas quartas-de-final da Libertadores.

9 de agosto de 2017

Grêmio 2x1 Godoy Cruz: queremos a Copa

Entrávamos em campo na data de aniversário de 2 anos do Grenal dos 5x0, e em noite de provável despedida de Luan, brilhou a estrela de Pedro Rocha.
Vamos ao jogo.


1º Tempo: Grêmio 1 x 1 Godoy Cruz

O jogo começou com uma boa chance do adversário logo aos 4 minutos e Grohe já teve que fazer uma grande defesa. Aos 7 minutos em cobrança de escanteio do Godoy Cruz, Michel cabeceou pra trás dentro da pequena área e Grohe teve que fazer novamente uma defesa difícil.
Aos 13 minutos o adversário abriu o placar: Correa chutou de fora da área e encobriu Grohe, que estava um pouco adiantado. 1x0 pra eles.
Aos 16 minutos o Grêmio tentou responder com Luan de fora da área. O goleiro fez boa defesa e a bola bateu na trave. Logo em seguida, Pedro Geromel colocou a bola na rede, mas estava impedido. Gol anulado.
O Grêmio tentava se impor e achar espaços, o que não tinha feito até levar o gol.
O gol de empate finalmente saiu aos 30 minutos em insistência e troca de passes. O goleiro Burrián soltou a bola, Barrios recuperou e passou pra Pedro Rocha dentro da área, que chutou pra dentro de gol. Grêmio 1x1 Godoy Cruz.
Aos 43 minutos Barrios chutou na trave após bela troca de passes, mas de qualquer maneira estava impedido. Nessa altura do jogo os jogadores do Godoy Cruz começaram a bater, e o árbitro assistia sem fazer nada. Aos 46 minutos terminou o primeiro tempo.


2º TempoGrêmio 1 x 0 Godoy Cruz

O Grêmio voltou com vontade, e logo aos 4 minutos teve boa chance com Pedro Rocha, mas o zagueiro adversário aliviou pra fora. Logo no minuto seguinte, pênalti não marcado em cima do mesmo Pedro Rocha. Desde o primeiro tempo já sabíamos que o árbitro estava fechando os olhos contra nós.
Aos 11 minutos Maicon levou um carrinho criminoso no meio campo. O juiz mandou seguir e ainda deu amarelo para nosso meio-campo. Nessa altura o árbitro já queria ser a estrela do jogo.
Logo em seguida, aos 14 minutos, Pedro Rocha fez o segundo gol do Grêmio em ótimo contra-ataque, com uma subida espetacular de Pedro Geromel. Barrios chutou em gol, a bola bateu na trave e nosso camisa 9 aproveitou a sobra! Grêmio 2x1 Godoy Cruz.
Aos 29 minutos Renato fez a primeira substituição: tirou Maicon e colocou Arthur. Logo depois, aos 31 minutos, a segunda substituição: saiu Ramiro e entrou Fernandinho.
O jogo chegava aos 40 minutos com superioridade Tricolor. O Godoy Cruz pouco chegava, e quando nós chegávamos, era com perigo. Nesse momento saiu Pedro Rocha (muito aplaudido, obviamente) e entrou Marcelo Oliveira, para povoar mais o meio campo e segurar o adversário.
Como de costume, o time argentino não aceitava a derrota e começou a armar confusão.
E aos 46 minutos o árbitro deu o segundo amarelo para Michel, que foi expulso. Aos 48 minutos, fim de jogo.

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Jogo difícil como legítimo jogo de Libertadores. Vaga garantida para as quartas de finais. Depois da vitória de 1 a 0 na Argetina, Grêmio 2x1 Godoy Cruz na Arena.
#RumoAoTri #QueremosACopa


Como jogaram:

Marcelo Grohe: duas grandes defesas no início do jogo, levou um gol em uma falha. Nota 6.
Léo Moura: qualidade de sempre no apoio e na defesa. Nota 8.
Pedro Geromel: seguro e preciso como sempre. Nota 8.
Kannemann: o Kãonnemann de sempre. Nota 8.
Bruno Cortez: Como sempre não foi muito cortês com os adversários. Nota 7
Michel: meio perdido. Levou cartão bobo. Nota 6.
Maicon: boa participação, com bons passes. Nota 7.
Ramiro: muito participativo, fez boas jogadas pelo lado direito no primeiro tempo. Nota 7.
Luan: com fome de jogo, foi pra cima, driblou, procurou o jogo. Nota 9.
Pedro Rocha: bagunçou a zaga adversária, driblou, foi pra cima e ainda fez 2 gols. Nota 10.
Lucas Barrios: participou diretamente dos 2 gols. Nota 8.

Arthur: mesmo entrando aos 29 minutos da etapa final, produziu como sempre. Nota 7.
Fernandinho: bom ímpeto. Nota 6.
Marcelo Oliveira: pouca participação. Nota 4.


Escalações:

Grêmio: Marcelo Grohe, Léo Moura, Pedro Geromel, Kannemann e Cortez, Michel, Maicon (Arthur), Ramiro (Fernandinho) e Luan, Pedro Rocha (Marcelo Oliveira) e Lucas Barrios. Técnico: Renato Portaluppi

Godoy Cruz: Burrián, Abecacis, Galeano, Olivarez, Angileri, Rodríguez (Verdugo), Henríquez (Facundo Silva), Giménez, Garro (González), Correa e Garcia. Técnico: Maurício Larriera.


Arbitragem: Enrique Cáceres (PAR), Eduardo Cardozo (PAR) e Juan Zorilla (PAR)


Público total: 38.797