22 de janeiro de 2018

Avalanche Tricolor: jovens, aprendizes da vida

Por Milton Jung


Grêmio 3×5 Caxias
Gaúcho – Arena Grêmio

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                                          Os guris da VivoKeyd em foto da Riot Games


Foi um sábado destinado aos mais jovens. Todos envolvidos em competições e com seus desafios próprios. Fui observador (e torcedor) em todos esses momentos, mesmo porque, por mais que creia na longevidade que me será oferecida, já passei dos tempos em que era um jovem competidor. Não me incomoda esse fato, posso lhe garantir, caro e raro leitor desta Avalanche. Pois vivi intensamente aquela fase, seja no futebol seja no basquete – neste por muito mais tempo. Em uma ou outra modalidade, dediquei-me a vestir a camisa do Grêmio, do colégio Rosário, no qual estudei boa parte da vida escolar, e do Rio Grande do Sul, nas poucas oportunidades para as quais fui convocado. Jogos e títulos perdi muito mais do que ganhei. Experiência e valores para a vida, ganhei muito mais do que desperdicei.

Logo no início da tarde de sábado, estive no estúdio em que foi disputada a partida de abertura do CBLol2018, competição nacional de League of Legend, a mais proeminente modalidade de e-Sports que temos notícia. Se duvida no que escrevo, arrisque assistir às transmissões ao vivo no canal SporTV, sábados à uma da tarde. Você vai se surpreender. É só deixar esse preconceito besta de lado. A cada ano que passa – e eu os acompanho ao menos há quatro – é melhor, maior e mais confortável a estrutura oferecida aos pro-players, que são os atletas que formam cada uma das oito organizações credenciadas a disputar o título nacional da “primeira divisão”.

Prometo que não me estenderei em explicações sobre o assunto, pois temo perder a atenção do leitor que caiu neste texto acreditando que falaríamos só de futebol. Mas devo dizer que minha presença na competição eletrônica justifica-se pelo envolvimento de meus dois filhos na atividade, um como jornalista e admirador e o outro como “head coach” (sim, eles costumam ser chamados assim em vez do nome em português para a função). Esse último é um dos comandantes do time favorito ao título de 2018 e estreou com uma “sonora vitória” – como descreveu o site do SporTV. Deixou-me feliz e me deixará mais anda se seguirem nesta toada, pois ainda lembro dele e seus comandados – muito já em outros times – tristes e com lágrimas nos olhos quando perderam a final do ano passado, no primeiro semestre.

É sempre melhor ver jovens sorrindo e satisfeito com suas conquistas. É revigorante. Pois sabemos que para conquistarem o direito ao sorriso, muitos passaram por dificuldades, às vezes tiveram de dar as costas à família que não entendia sua opção de jogar em lugar de se formar doutor, sofreram em treinamentos exaustivos para melhorar a técnica e o físico, se frustraram ao não serem chamados para compor o time principal, caíram em depressão com a crítica contundente ou choraram diante da derrota.

Na minha segunda etapa como observador (e torcedor), diante da televisão onde o Grêmio se apresentava com sua equipe de garotos, os sentimentos de alegria e tristeza se misturaram. Via-se o sorriso dos guris quando seguiam em direção ao ataque; quando conseguiam se livrar do adversário com a bola grudada no pé ou uma gingada de corpo; quando deixavam o companheiro mais bem colocado para o gol. O sorriso era gigantesco na comemoração do tento: e sorriram assim por três vezes, todas no primeiro tempo de partida.

No entanto, a alegria de jogar bola se desfez a medida que o adversário reagia, empatava, virava e ganhava a partida. Um dos nossos chorou antes de deixar o gramado. Saiu com a camisa escondendo o rosto. Outros devem ter acordado neste domingo sem ainda entender o que aconteceu? Talvez estejam com vergonha de sair de casa. De trocar mensagens com os amigos no WhatsApp. E temem pelo que ouvirão de seus superiores na volta aos treinos. Sem contar o que estão ouvindo nas redes sociais de gente incapaz de perceber que eles são apenas jovens diante de enormes desafios. Jovens em busca de afirmação, obrigados a tomar decisões, carregar nossas pretensões e amadurecer muito antes do que cada um de nós. Simplesmente, jovens. Que vão vencer, sorrir, perder, chorar. Vão viver!

O importante é que sejam capazes de aprender com cada um desses momentos. Se conseguirem, não perderam. Aprenderam. É o que desejo, tanto aos jovens que saíram vencedores, no Lol, quanto aos que sentiram o dissabor da derrota, no futebol.












20 de janeiro de 2018

Derrota, mas revelando talentos

Grêmio 3  x  5 Caxias


Primeiro Tempo:

Os meninos do Grêmio começaram o jogo bastante focados e imprimindo uma forte marcação no adversário. Já aos cinco minutos, em jogada espetacular de ataque, Isaque pega o rebote de um chute de Jean Pyerre e marca um belo gol. Dois minutos após, Nicolas empata o jogo ao cabecear uma bola alçada na área em cobrança de falta. Bruno Grassi nada pode fazer . Aos 14 minutos ,  Nicolas chuta com muito perigo contra o gol de Grassi. O jogo segue equilibrado, ambas equipes chegando com frequência ao ataque. Quando aos 25 minutos Matheus Henrique desempata em jogada fulminante do ataque do Grêmio. Aos 28 minutos, mais uma jogada espetacular dos guris e  Isaque conclui para dentro do gol do Caxias ampliando o placar. Caxias totalmente amordaçado em campo. Aos 36 minutos, Lima faz um jogadaço colocando Pepê de frente para o gol mas é marcado impedimento. Caxienses assustam mais uma vez com Nicolas. Ao final dos 45 minutos iniciais, o time dos gringos quase desconta. A bola passa lambendo a trave de Bruno. Foi por muito pouco... Nos descontos, o Caxias consegue diminuir a vantagem.
A equipe do Grêmio fez um primeiro tempo muito bom no meio e no ataque. Os meninos mostraram qualidade e  velocidade nos contra ataques. Já na defesa não conseguiram impedir a imposição dos atacantes adversários com falhas na marcação. Mesmo assim, podemos dizer que o futuro dos meninos é muito entusiasmante.










 


Segundo Tempo:

O time do Grêmio recomeça entusiasmado e já nos primeiros minutos consegue ameaçar a meta adversária. O Caxias dá o troco e exige uma boa defesa de Grassi. Na cobrança de escanteio, por pouco a bola não vai parar no ângulo. Aos nove minutos, os serranos empatam em gol de pênalti duvidoso. Entra Alisson no lugar do Isaque para sua estréia no tricolor. Aos 21 minutos, Alisson e Guilherme Guedes tramam jogada que quase resulta em gol. O Caxias vira o jogo em cobrança de escanteio em que Grassi não consegue evitar que a bola entre um pouco além da linha branca. Mais uma vez a defesa falha. Entra Patrick no lugar de Balbino.  Também entra Tilica no lugar de Pepê. A equipe caiu muito de produção na segunda etapa e não mostra mais a mesma qualidade do início da partida. Time não consegue mais reação à vantagem do Caxias. Carlos André recebe o segundo amarelo e é expulso por entrada violenta. Ao encerrar das luzes, quase aos 50 minutos, com o time dos guris extenuados, os gringos ampliam o placar. E assim termina o bom treino para vermos os meninos promissores. Não vamos cobrar dos guris aquilo que não conseguem nos dar. Inexperiência e responsabilidade pesaram contra um time escolado. O Noveletão para os gremistas é para isso mesmo: testar e revelar novos talentos.




Como jogaram:

Bruno Grassi: levou cinco do Caxias. Nota 2
Madson: discreto. Nota 5
Ruan: mal. Nota 4
Mendonça: mal. Nota 4
Guilherme Guedes: médio. Nota 6
Balbino: médio. Nota 6
Pepê: promissor. Nota 7
Jean Pyerre: muito promissor. Nota 7
Matheus Henrique: quase pronto. Nota 8
Lima: boas jogadas. Nota 7
Isaque: foi bem. Nota 7

Alisson: estréia. Nota 6
Tilica: pouco fez. Nota 5
Patrick: pouco fez. Nota 5


Arbitragem: Vinicius Amaral, auxiliado por Alduíno Mocelin e Teilor Thomas da Silva. Nota: 4

19 de janeiro de 2018

Avalanche Tricolor: começou o Campeonato Gaúcho

Por Milton Jung


São Luiz 1 x 1 Grêmio
Gaúcho – Estádio 19 de Outubro/Ijuí RS



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Lance do primeiro gol no Gaúcho de 2018 (reprodução Premier)

Tinha campo encharcado, charanga na arquibancada e alambrado ao lado da linha lateral.Teve gente metendo a mão no peito e gritando com o adversário. Juiz atrapalhado e pressão por todos os lados.
Tinha até um Anchieta em campo pra gente rememorar os grandes momentos de 1977 quando nosso capitão levantou a taça daquele histórico campeonato, no saudoso estádio Olímpico. Soube que é neto do nosso capitão.
Tinha a cara do Campeonato Gaúcho. Pena ser uma quarta-feira à noite. Sou do tempo em que o Estadual era inaugurado com pompa e circunstância. E domingo à tarde, dia nobre do futebol.

Hoje, joga-se o Gaúcho na hora e data em que der. É preciso encaixar o campeonato nos dia vagos do concorrido calendário do futebol brasileiro e estrangeiro. É que, ao contrário de outros por aí, além do estadual, brasileiro e Copa do Brasil temos nossos compromissos fora do Brasil. E tem, também, Copa do Mundo a interromper nossa caminhada aos títulos desejados.

Independentemente do espaço e da importância da competição no calendário gremista, assim como você, caro e raro leitor (gremista) deste blog, eu quero vencer. Quero comemorar títulos. Fazer festa na Goethe (mesmo que metafórica já que moro distante de Porto Alegre). Dar volta olímpica. Levantar taça. Ver meu time brilhando, sempre. E, convenhamos, começar a temporada com um troféu do Gaúcho no armário  sempre dá ânimo diferente.

Do time que entrou em campo, conhecia poucos. Parte por minha distância do dia a dia do clube; parte porque a gurizada é nova, mesmo para quem está atualizado com o cotidiano do clube. Mas gostei do atrevimento deles. Apesar do gramado com acúmulo da água, tocaram bola, ensaiaram trocas de passes, se entusiasmaram com os dribles, deram uma caneta aqui, se desvencilharam da marcação ali. Jogaram sério na defesa e evitaram riscos.

Especialmente, tiveram a oportunidade de, em campo, realizarem um sonho, como disse ao fim do primeiro tempo Matheus Henrique. No caso dele, o sonho de marcar um gol. Nosso primeiro gol no Campeonato Gaúcho de 2018: “tenho noção do tamanho da camisa do Grêmio!”. Sem dúvida, Matheus, uma camisa com a qual muitos sonham. Mas poucos, como você, têm o privilégio de vestir!

17 de janeiro de 2018

Daniel Matador - Começou o ruralito

São Luiz 1 x 1 Grêmio

Matheus foi o destaque do time e marcou o gol que abriu o placar em Ijuí.


Caros

Tá certo que era jogo do ruralito. Tá certo que o time era o reserva do reserva. Tá certo que nem a comissão técnica principal estava lá. Mas era o Grêmio que finalmente entrava em campo neste ano de 2018. Era o tricolor aquele que dava aos outros clubes menores do Rio Grande do Sul a honra de enfrentar o Tricampeão da América em um certame de terceira linha.

César Bueno foi o comandante da gurizada que compareceu ao potreiro do 19 de Outubro, em Ijuí, para a partida contra o São Luiz. Com os ingressos mais baratos a 80 REAIS, podendo chegar a 200 REAIS nas cadeiras mais caras, viu-se ali um dos motivos pelos quais os clubes do interior continuarão sempre sendo minúsculos e elegendo os mesmos dirigentes para a FGF, pois são fiéis vassalos e amam alimentar-se de suas migalhas. A única ocasião do ano em que tentam tirar a barriga da miséria é justamente no jogo contra o Grêmio. Uma das razões pela qual acabam sendo bovinamente coniventes com as atitudes da federação, que opta por fazer o maior clube do Estado viajar para os confins somente para agradar dirigentes e fazê-los ganhar uma grana uma vez por ano. Pra ajudar, choveu antes do jogo e o potreiro virou um lamaçal.

O campo alagado do 19 de Outubro, onde se cobrou até R$ 200,00 de ingresso. Foto: Cristiano Oliveski


O time que entrou em campo era uma mistura de jovens promessas, garotos desconhecidos do grande público e um ou outro jogador mais afirmado que pôde dar um pouco de estofo à equipe. Um desses era o goleiro Bruno Grassi, que inclusive iniciou antes a pré-temporada para mostrar serviço. Na lateral direita, o defensor Anderson, que veio do Confiança-SE para ser zagueiro, mas vai quebrar o galho por ali . Na zaga, o recém contratado Paulo Miranda juntou-se a Grassi como os dois mais experientes, formando a dupla de zaga com o garoto Mendonça. Na lateral direita, outro garoto, Guilherme Guedes. No meio, Balbino e Ancheta formaram a dupla de volantes. Matheus Henrique, Pepê, Lima e Isaque completaram o time. Destes últimos, Matheus Henrique já vinha chamando atenção na base há muito tempo. Pepê é uma promessa de grande jogador e já mostrou isso até em jogo da Primeira Divisão no ano passado. Lima retornou do Ceará, onde teve boa passagem na Série B. E Isaque é outro garoto da base.

Primeiro tempo: São Luiz 0 x 1 Grêmio

Com menos de 3 minutos, Márcio Goiano invadiu a área pela esquerda e chutou, mas Bruno Grassi aparou bem. Aos 6 minutos, Lima limpou três marcadores, bateu cruzado de fora da área e a bola passou perto do poste direito do goleiro. E transcorriam apenas 9 minutos de jogo quando o POTREIRO DE IJUÍ fez sua primeira vítima: Anderson teve que sair por conta de lesão ocasionada por um carrinho no início do jogo. Em seu lugar entrou Léo Gomes. Aos 13, um BALAÇO de fora da área de Gustavo Xuxa, mas a bola passou por cima do travessão. Até que, aos 23, em baita jogada pela direita, Pepê alçou a bola por cima de dois marcadores para Léo Gomes, que fez grande cruzamento para a área. Matheus disputou com os zagueiros e emendou para abrir o placar!


Aos 28, Éder invadiu a área e chutou, com Grassi fazendo um milagre! O tricolor alternou alguns bons lances de contra-ataque, que acabavam invariavelmente sendo parados com falta pela defesa do São Luiz. Aos 45, Léo Gomes cruzou, Lima aparou e a bola foi no poste! Mas o bandeirinha já tinha assinalado impedimento (inexistente, frise-se). E o primeiro tempo acabou com a vitória parcial do time de César Bueno.






Segundo tempo: São Luiz 1 x 0 Grêmio

Os times voltaram com a mesma formação para a segunda etapa. Aos 8, chute de Pepê pela direita, de longe, com a bola passando perto da trave direita de Jonatas. Aos 15, Lima saiu para a entrada de Lucas Poletto. Com isso, Isaque recuou para sua posição de origem na meia e Poletto ficou como a referência de ataque. O São Luiz evitava dar os mesmos espaços de contra-ataque ao Grêmio, o que deixou o jogo um pouco truncado. Aos 24, em cobrança de escanteio, Mendonça cabeceou e quase marcou. Aos 30, Ancheta tomou uma pegada e saiu para a entrada de Thaciano, que fazia sua estreia com a camisa tricolor.

Aos 32, Grassi saiu nos pés de Mikael, mas defendeu primeiro a bola. O jogador do São Luiz nitidamente atirou-se para cavar um pênalti, mas o árbitro acertou ao não assinalar nada e ainda amarelar o abobado. Aos 40, Paulo Miranda deu uma chegada mais dura em Ronaldinho Gramadense, tomou o segundo cartão amarelo e foi expulso. Aos 46, o castigo. Ronaldinho Gramadense limpou pela esquerda e chutou forte para empatar o jogo. Aos 48, Guilherme Guedes soltou um BAGO pela esquerda e a bola passou perto, indo a escanteio. Aos 49, Xuxa soltou um FOGUETE que explodiu no travessão de Grassi. E acabou assim a estreia gremista no ruralito.





Como jogaram:

Bruno Grassi: envergou a braçadeira de capitão e fez um milagre no primeiro tempo. Seguro no gol. Nota 7
Anderson: deu um carrinho no início do jogo que comprometeu sua presença em campo. Saiu aos 9 minutos para a entrada de Léo Gomes. Sem nota
Paulo Miranda: muito seguro, contendo bem os avanços de Michel. Uma expulsão meio infantil. Nota 7
Mendonça: não sentiu a estreia no profissional. Ter atuado ao lado do experiente Paulo Miranda talvez tenha ajudado. Tem porte de zagueiro. Nota 7
Guilherme Guedes: foi seguro, não deixou o ataque do São Luiz se criar pela esquerda de ataque. Nota 6
Balbino: Não comprometeu, mas também não fez nada de muito brilhante. Nota 4
Ancheta: boa jornada, tem possibilidade de evoluir. Saiu para a entrada de Thaciano. Nota 6
Matheus Henrique: estreia de luxo no ruralito, marcando gol. O melhor em campo. Nota 8
Pepê: tem muita bola no pé. Passe magistral para Léo Gomes cruzar para o gol de Matheus. Nota 7
Lima: muita movimentação, só era parado com falta. Saiu para a entrada de Lucas Poletto. Nota 6
Isaque: jogou improvisado no ataque, mas também não fez muita coisa quando recuou para a meia. Nota 3


Léo Gomes: entrou no lugar de Anderson. Grande cruzamento para o gol de Matheus. Um de seus melhores jogos pelo clube. Nota 7
Lucas Poletto: entrou no lugar de Lima. Algumas boas investidas, mas nada muito especial. Nota 4
Thaciano: entrou no lugar de Ancheta, na finaleira. Sem nota

César Bueno: montou uma equipe com as peças disponíveis e fez um bom trabalho neste sentido. Nota 7

Arbitragem: Jonathan Pinheiro foi o apitador, auxiliado por José Eduardo Calza e Maurício Penna.

A gurizada foi muito bem e praticamente não sentiu o peso de ter que representar o Grêmio na estreia do ruralito. Ainda mais considerando o gramado horroroso de Ijuí. O gol de empate, quando o time estava com desvantagem numérica, não tira o mérito do time de César Bueno, que pode sim fazer frente a todos os outros neste campeonato.

Saudações Imortais