28 de fevereiro de 2014

É a América Latrina

Ouvi um pouco do sala de redação hoje. O suficiente para, cada vez mais, me convencer que o Cacalo não é sério. Este senhor é, talvez uma das poucas pessoas que não tem o direito de criticar as vendas que o Grêmio fez. E ele não tem este direito, não pelas bobagens que cometeu enquanto foi presidente. Ele não tem este direito simplesmente porque sabe como funciona um clube de futebol e principalmente o que acontece quando salários são atrasados. Por alguma razão ele está jogando para a torcida. E jogando muito mal, diga-se de passagem.

Já muitos torcedores choraram as vendas inconformados. Estes eu entendo. Às vezes, senão quase sempre, a paixão supera a razão. Não é por outra coisa que marido ou mulher apaixonado por alguém fora de casa se torna descuidado e deixa um monte de rastros só para passar algum tempo com a paixão proibida. A estes eu deixo uma pequena explicação. Vivemos na América Latrina. Não temos o direito de sonhar. Aqui se mata um leão por dia para continuar vivendo. Por mais que queiramos, os times brasileiros não tem a força e o poderio de um time de ponta europeu. Nem sequer dos times do leste europeu. Chorar e criticar é perder tempo. Ou não tem quem deixa de comprar um chocolate para poder comprar o leite dos filhos? Ou melhor, na maioria dos casos não fazemos isto?
Os salários estão atrasados. Se não forem pagos não adiante ter um time de craques. Eles simplesmente não jogarão. As circunstâncias dos negócios, dentro do possível foram excelentes. Eles ficarão aqui até o final da Libertadores. Não irão tirar o pé? Até é possível, mas não é provável. Primeiro porque certamente estão cobertos por um belo seguro. Segundo porque já mostraram que gostam do clube e querem deixar sua marca na história.

Mas e as estruturas provisórias? Você pergunta. De onde sai o dinheiro? Certo que sairá da ampliação que não será feita no Hospital de Pronto Socorro. Ou será talvez fruto do dinheiro que não irá para os caminhões de bombeiros que tanta falta fizeram no incêndio de terça-feira. Aliás, nunca pensei que viveria para ouvir gente defendendo a não ampliação do HPS. Mas aconteceu. Foi também pungente a reportagem que saiu sobre as dificuldades dos bombeiros para operarem em casos de incêndio. Pergunta se o governo está preocupado. O que importa é a Copa do Mundo. Mas como? Você exclama! É a América Latrina, eu te respondo.

Mas tem mais. O mesmo time que não tem dinheiro para pagar estas estruturas que se comprometeu a bancar assinando um contrato, está buscando 16 milhões de reais para comprar o Aranguiz. É possível isto? Claro, eu respondo. Nós vivemos na América Latrina.

Garimpador de talentos promete mais nomes

Na enorme repercussão que a venda de revelações  teve junto à torcida , no meu post de ontem o leitor  humbertosm comentou sobre a saída de jovens talentos do Grêmio:

"Na minha visão já venderam até o Cofre.
O Luan tá na prateleira esperando alguém levar."


Ao que lhe respondi:

"Não, Humberto. O cofre ainda está lá e cheio de nomes que ainda irão despontar no time do Grêmio."


Pois então, fui muito negativada por torcedores de pouca fé. E hoje abro o computador e com muita surpresa encontro matéria do jornalista Diogo Olivier (sim, apesar de tudo, de vez em quando uma luz se acende e há coisas que dá para se aproveitar naquelas bandas) tratando do assunto.
Por ser importante e por fechar com as informações que tenho, a seguir reproduzo a entrevista que o jornalista faz com o coordenador da base do Grêmio, Júnior Chávere.

Descobridor de Luan e Wendell avisa: "Outros virão"

Chávere garimpa novos talentos para o Grêmio. 

O coordenador-geral das categorias de base do Grêmio, Júnior Chávare, 46 anos, é paulista de Americana. Antes de se mudar para Porto Alegre com a mulher e os dois filhos, de 13 e 21 anos, trabalhava como funcionário e consultor da Juventus, de Turim. Era dele a tarefa de indicar talentos da América do Sul para a Vecchia Signora. Chávare está no centro da nova filosofia da base gremista, que já começa a exibir resultados e despertar o interesse da Europa em ritmo acelerado.  

Zero Hora — O Grêmio parece ter mudado o perfil de suas apostas. É isso mesmo?
Chávare – Quando fui procurado pelo Grêmio, deixei bem clara uma condição: a qualidade tem de vir antes da força física e da altura. Acho que conseguimos quebrar alguns paradigmas no clube. Agora, do sub-12 em diante, valorizamos o jogo, o futebol. Tive a sorte de encontrar dirigentes como Rui Costa e Fábio Koff, que acreditaram neste modelo.

ZH — Luan, Wendell e Breno refletem este conceito, então…
Chávare – E Alex Telles. E o próprio Ramiro, que não preenche o estereótipo do volante grande, com envergadura. Este biotipo mais leve e hábil mudou em toda a nossa base. O Luan ficou meses aqui só treinando antes de jogar. Raça? Sim, claro, é uma marca do Grêmio. Mas a técnica tem de vir antes.

ZH — O interesse tão rápido da Europa te surpreendeu?
Chávare – Não. Tenho bem presente o conceito comercial do futebol de hoje. Sei o que o mercado quer e exige em um atleta. A captação de talentos é o diferencial nestes tempos de escassez de recursos, e ela tem de estar adequada a esta realidade para ser uma ferramenta de gestão do clube.

ZH — A base seguirá fornecendo Luans e Wendells?
Chávare – Tenho mais de 3 mil nomes na minha agenda. Destes, monitoro pelo menos 350 mensalmente. Posso dizer ao torcedor do Grêmio que, de onde vieram estes, outros virão ali adiante. 

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Eu não disse que o cofre tinha mais uma porção de nomes?
Confiem na Pitica. Alguns vão, outros vêm.
Assim está configurado o planejamento atual do Grêmio. Os dirigentes também querem jogadores de ótimo nível e títulos. Eu confio na competência deles, pois já me provaram que sabem o que fazem.
Saudações tricolores!

27 de fevereiro de 2014

Enfim, o nome do cofre


Quem segura o fenômeno Luan?
Vinícius Costa/Preview.com/Gazeta Press
 
Um dia após a ótima vitória do Grêmio na Libertadores, pipocam assuntos para serem comentados. Um deles diz respeito ao nome do cofre, lembram? Agora já dá para revelar: o nome guardado no cofre e que o presidente Fábio Koff  havia prometido para a torcida gremista, está na boca do povo. Chama-se Luan, este é o nome. O menino prodígio que está abalando as estruturas do futebol gaúcho, é a cereja do bolo. O mais interessante na história, é de que nem Koff sabia o que estava por vir. Quem saberia?
Trazido de São José do Rio Preto no ano passado, depois de ser descoberto por olheiros gremistas, o jovem jogador - que começou sua carreira no futsal- ficou os primeiros seis meses desde que chegou a Porto Alegre apenas exercitando sua adaptação ao futebol de campo. E pelo visto, ela foi rápida. Luan já é a sensação da ótima equipe que parece estar se formando nas mãos do técnico Enderson Moreira.
O guri é craque. O guri é uma barbaridade!
Quem tem Luan, tem tudo!
Se tiver os pés no chão e uma cabeça boa, não se deixando levar pelas armadilhas do sucesso e do dinheiro, em muito pouco tempo estará no topo, usufruindo das benesses que o talento pode lhe dar.

Máxi

Para mim, não restam dúvidas de que Máxi é craque. Jogaria no meu time com certeza. É um jogador espetacular. Desconfio de que só não está titular no time do Grêmio, porque existe uma teoria de que ele não auxilia na marcação como deveria. Considero isso um erro. Acho que o seu futebol é grande demais para ser desprezado. No entanto, não vou cornetear o técnico. Pelo menos por enquanto...
Só espero que o jogador tenha maturidade, confiança e perspicácia para saber que a sua hora vai chegar. Paciência é uma virtude que poucos possuem. Logo ali na frente , ele será lembrado. Vai, sim. E até lá, aconselho que leve isso como um desafio para aperfeiçoar ainda mais o seu futebol e ficar atento para quando o cavalo passar encilhado.

Wendell

Com certa razão, muitos torcedores mostram-se inconformados pelo fato de o Grêmio estar vendendo os direitos federativos do lateral Wendell para os alemães por 6,5 milhões de euros. Infelizmente, a realidade financeira do clube exige que isso seja feito. Sem dinheiro para receber da televisão - a gestão anterior antecipou o recebimento de 60 milhões de reais - e sem a bilheteria dos jogos, o clube se vê na obrigação de se desfazer de seus jovens talentos para pagar as contas do final do mês. Futebol é um esporte muito caro e o dinheiro precisa sair de algum lugar. Manter um clube da grandeza do Grêmio exige um fluxo de caixa gordo e vigoroso. É uma pena que isso seja necessário. Mas pelo menos poderemos contar com o talento dos meninos até o final da Libertadores.

Esquema

Quem acompanha o blog, sabe que já escrevi aqui que meu esquema de jogo preferido é o
10-0/0-10, ou seja: todos defendem e todos atacam. Sem a bola, o time todo combate o adversário como feras feridas. Com a bola, todos avançam para o caminho do gol.
Agora vem o ex-jogador Seedorf e atual técnico do time italiano Milan declarar o seguinte:
                            
              "Vocês jornalistas são tão apaixonados por táticas e sistemas, falam disso por horas. Mas você sabe qual é a verdade? No futebol moderno há apenas sistemas para o jogo defensivo. No ataque há fluidez total, seis jogadores que movem e trocam de posição com frequência sem que haja um ponto de referência. Por isso, perguntas sobre o estilo de jogo me irritam".

É isso! No futebol moderno,não há mais espaço para mãos na cintura e nem limitações para defensores. Quem puder chegar, que o faça. E da melhor maneira que conseguir.

25 de fevereiro de 2014

Enfim um time

Grêmio 3 x 0 Nacional da Colombia

Pré jogo


De férias esta semana tentei passar o post pós jogo para o Arigatô ou para a Pitica. Mas os dois vão ao jogo.
Azar o meu.
Em compensação vou preparar um risoto de lagostin com queijo brie e aspargo. Vou tomar um vinho verde português de entrada e um malbec catena durante a partida.
Claro que não haverá um detalhamento muito grande dos movimentos.
Mas certamente haverá a descriçao de belas jogadas e de mais uma vitória tricolor.

Primeiro tempo: 1 x 0


O Grêmio começou com Zé Roberto, conforme esperado. E começou truncado. Muita falta e erros de passe.
Aos 8:30 Zé Roberto deu para Wendell que na cara do gol mandou por cima.
O juiz mostrava que estava em campo para complicar o Grêmio. Não marcava uma falta a favor e todas contra.
Aos 19 minutos o larápio marcou uma a favor na entrada da área, mas Zé Roberto se encarregou de desperdiçar. Bateu por cima.
De repente Luan entrou a drible e na cara do gol perdeu a primeira chance viva da partida. Eram 23 minutos. 
Mas não errou aos 30 minutos. Um lançamento espetacular do Ramiro deixou Luan na cara do gol para encobrir o goleiro e fazer um golaço. 
Com o gol o Nacional tentou atacar mas a defesa estava bem postada.
E aos 46 minutos quase o segundo gol. Luan dividiu com o goleiro mas a bola foi tirada por um zagueiro quando estava entrando.

Um primeiro tempo difícil mas sob controle. O Grêmio teve duas chances e fez um. O Nacional incomodou mas não teve uma chance clara de gol.
Destaque para a defesa, muito firme, incluindo os volantes. No ataque Luan foi o melhor. 
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Os números da Arena

Público Pagante::31586 

Público Não Pagante: 2054 
Público Total: 33.640 
Renda: R$ R$ 1.595.910

Segundo tempo: 2 X 0

O time voltou igual e antes do primeiro minuto completar Luan bateu com perigo para fora.
Aos 2 minutos Grohe salvou quando o atacante do Nacional entrava livre.
Aos 6 minutos Barcos entrou livre mas foi travado na hora da conclusão. 
Aos 8 minutos o Nacional atacou com perigo e a bola saiu raspando.
O jogo continuava muito difícil e aos 16 minutos Luan entrou área à dentro mas bateu em cima do goleiro. Poderia ser o 2 x 0.
Aos 17 minutos Luan fez grande jogada pela esquerda e achou Zé Roberto livre na marca do pênalti. Este deu um sem pulo espetacular mas em cima do goleiro.
Mas aos 20 minutos não teve jeito. Wendell fez uma grande jogada e serviu Ramiro na marca do pênalti, Este deu uma de centro-avante e bateu no canto. 2 x 0.
Grohe salvou uma jogada perigosa aos 27 minutos. E Dudu entrou no luar de Zé Roberto. Uma bela surpresa do Enderson Moreira que, ganhando o jogo, não se fechou, muito pelo contrário.
Aos 37 minutos o Grêmio perdeu um bom contra-ataque e aos 38 Grohe fez uma boa defesa.
Aos 40 minutos Edinho bateu forte para fora.
E aos 41 minutos Barcos livre bateu raspando a trave livre na cara do gol. Um gol feito perdido.
Mas aos 43 minutos, Alán Ruiz que havia entrado no lugar do Luan, e tinha dado o passe que o Barcos errou, resolveu mostrar como fazer. 3 x 0.
.....
Estou terminando de tomar um Catena maravilhoso. Vi uma vitória maravilhosa. Vou demorar para dormir.
VIVA O GRÊMIO!

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Como jogaram



Grohe: Apenas intervenções no primeiro tempo. Algumas boas defesas no segundo tempo.
Pará: Até pode ter ido mal na frente, mas foi um gigante na defesa.
Rhodolfo: Patrão da área.
Werley: Bem.
Wendell: Muito boa atuação. Grande jogada no gol de Ramiro.
Edinho: Chefiou a proteção da zaga e não deixou ninguém passar. Grande contratação.
Ramiro: Um passe espetacular para o gol de Luan. E um belo gol em cruzada de Luan. No mais muito bem. O melhor em campo.
Riveros: Muito bem na proteção à defesa.
Zé Roberto: Melhor do que o esperado mas pior do que o desejado.
Luan: Um golaço e grande movimentação no primeiro tempo. Deu o passe para o gol de Ramiro no segundo tempo.
Barcos: Boa movimentação no primeiro tempo. Errou um gol feito no final, mas estava presente.

.....

Dudu (Zé Roberto):Hoje não apareceu.
Alan Ruiz (Luan): Deu um gol feito para Barcos que errou. Daí fez o dele. Um golaço.
Maxi Rodriguez (Riveros): Sem tempo.

Enderson Moreira: Definitivamente, é treinador. 
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Arbitragem: Não atrapalhou.

Daniel Matador: Onde os fracos não têm vez

Caros

Hoje é dia de Copa. Só para os fortes.

É chegado o dia. Depois de meses de espera e após uma estreia vitoriosa em solo estrangeiro, finalmente o tricolor pisará o gramado da Arena para a disputa da Libertadores da América. A Copa em Porto Alegre inicia-se agora. Não aquele competição menor, com algumas equipes estreladas e jogadores com jeito de pop star. Começa hoje ao sul do Brasil a maior competição de futebol do planeta. E começa com o mais singular de seus protagonistas, o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, enfrentando um ex-campeão. Ambos forjados na época em que, para erguer a taça continental, não bastava apenas exibir um bom futebol. De nada adiantava montar bons plantéis, craques da bola não eram o diferencial. Uma época onde o que mais valia era o espírito de competição que transformava um amontoado de atletas em um time vencedor.

Os presságios são alvissareiros. O gringo voltou a ser o goleador que costumava ser. A lateral esquerda não ressente-se da perda do melhor atleta da posição, pois seu substituto tem mostrado ser inclusive superior. Um paraguaio louco dá a tônica do meio de campo. E um guri abusado tem atormentado as defesas adversárias. Pode não ser garantia de nada, ao mesmo tempo em que é esperança de tudo. Hoje o dia irá arrastar-se. Os minutos serão horas e as horas serão dias. Nada mais importará, a não ser a chegada do instante em que o árbitro apitar a saída de bola e o confronto começar.

E aí, meus amigos gremistas, veremos o que esperar deste torneio. Pois assim como o filme que dá título a este post, esta é uma competição talhada apenas para os fortes. Os intrusos dos últimos anos não serão mais bem-vindos ao certame. A América será novamente libertada por quem fez jus a isso. Hoje é a noite em que todos os caminhos levam à casa do imortal. E quando a massa azul, preta e branca vislumbrar a bola rolando na Arena, ela estará junto com cada carrinho aplicado, com cada afastada de bico e com cada chegada mais brusca. Pois esta, meus amigos, é a Libertadores da América. Uma competição feita sob medida para o Grêmio. Um torneio onde os fracos não têm vez.

Saudações Imortais

24 de fevereiro de 2014

A Copa é nossa, mas as despesas são de vocês

Publicamos, abaixo, texto de autoria de leitor do blog, o qual, por razões de ordem pessoal, solicitou manter-se no anonimato.
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O Stadium Agreement

Com a indicação do Beira-Rio como estádio da cidade-sede de Porto Alegre, o Sport Club Internacional (SCI) assinou com a FIFA um documento intitulado "Stadium Agreement", ou "Contrato de Estádio", aditado no início de 2009 pelo "First Amendment to the Stadium Agreement" (1º Aditivo ao Contrato de Estádio), estabelecendo uma série de obrigações ao seu dono, dentre as quais a de arcar com todas as instalações e equipamentos temporários. Partes contratantes desse agreement são as citadas acima: FIFA e, no caso de Porto Alegre, o SCI. Já a União Federal, o Estado do Rio Grande do Sul e o Município de Porto Alegre não participam e não anuem esse ajuste, não se lhes podendo opor qualquer das obrigações nele previstas.

Os benefícios do poder público ao estádio dos jogos

Na entrevista bombástica do Sr. Luigi, onde adverte (blefa) que a Copa corria risco no RS, ele argumentou que o SCI estaria fazendo um favor em ceder seu estádio dentro do padrão FIFA, não sendo justo exigir mais do clube. Esqueceu-se o nobre dirigente que para fazer esse "favorzinho" seu clube foi agraciado com diversos benefícios, alguns dos quais citamos:
  • isenções fiscais (essas sim, isenções) de tributos federais, estaduais e municipais, que se calculam em R$70 milhões;
  • financiamento com juros favorecidos do ProCopa, da ordem de 2% ao ano;
  • índices construtivos para a área dos Eucaliptos;
  • recebimento, sem custo, de subestação de energia de R$20 milhões;
  • melhorias significativas nas vias públicas do entorno do Beira-Rio; 
  • isenção de indenizar o Município pelo uso de espaço aéreo por força da estrutura da cobertura, diferentemente do que ocorreu com inúmeros empreendimentos de porte feitos na cidade;
  • concessão de área municipal com 4,3 hectares por 20 anos, prorrogáveis por mais 20 anos.
Sobre esse último item, é verdade que a Lei Municipal que a autoriza - nº 10.400/08 - sancionada por Fogaça, exige duas modestas contrapartidas: o pagamento de R$ 25 mil mensais (valor simbólico considerando tamanho e localização da área) e o acolhimento de 150 crianças carentes, também por mês. A informação que se tem é que nenhuma das duas vêm sendo cumprida.

Na prática, portanto, o clube beneficiado ocupa e explora a área de graça. E nada acontece. O Município faz vistas grossas, e o TCE e o Ministério Público, sempre alertas e atuantes em impedir recursos públicos no degradado Humaitá, dormem em berço esplêndido.

Enfim, quando o Sr. Luigi cobrou participação do Estado e Município nas estruturas temporárias, cujo custo, sempre é bom lembrar, fora assumida pelo seu clube, "esqueceu-se" das inúmeras benesses que esses entes público já concederam ao SCI.

A chantagem

Nesse episódio das estruturas temporárias, parece bastante claro que a ameaça de perda da Copa foi usada como forma de chantagear as autoridades públicas e transferir aos cofres públicos, ou seja, para todos nós, o ônus assumido por uma entidade privada.

Mesmo alertados em agosto de 2013 sobre o tamanho da bronca, dirigentes do SCI fizeram-se de desentendidos. A quatro meses do torneio, Luigi veio a público "alertar a sociedade gaúcha" do risco de exclusão de Porto Alegre como sede se não houvesse solução para o assunto. A solução, claro, não passava pelo SCI e sim pelo poder público, em que pese ser o clube o responsável contratual. Encenou-se algo do tipo: "Devo, não nego. E não vou pagar. Virem-se!"

Essa foi a mensagem do Sr. Luigi, dirigente muito festejado pela mídia esportiva local. E dela, como sói acontecer, veio apoio maciço. Formadores de opinião da imprensa (outros, só da imprensa) mandaram a ética às favas. Que se ponha dinheiro público no esquema e ponto final. O interesse maior, dizem eles, é que a Copa saia, custe o que custar aos gaúchos. E ainda falavam do Corinthians...

Agora, leitor, preste muita atenção. A premissa de que há risco de perder a Copa, no entanto, é absolutamente falsa. Está previsto no stadium agreement que se o "stadium authority" (dono do estádio) não honrar com os custos, a FIFA o fará, cobrando, posteriormente, ressarcimento do responsável. Que não venham invocar a fala de Jerome Valcke, de que a FIFA se recusa a assumir a bronca. É óbvio que ele tem que verberar essa posição. Do contrário, acabará bancando as estruturas dos 12 estádios, sabedor da cultura brasileira de descumprir contratos e transferir responsabilidades. Para a FIFA, cobrar depois será fácil, pois ela detém a caneta que pode desfiliar clubes.

Mesmo tratando-se de um BLEFE, com surpreendente passividade prefeito e governador sucumbiram à chantagem e às pressas saíram como marionetes em busca de uma solução, que resolve um problema do SCI, mas pode criar muitos outros, inclusive para eles, prefeito e governador, ao flertarem com ilegalidade que a lei capitula como improbidade administrativa.

Estruturas temporárias: no RS, deixam legado, no resto do país, não

A primeira solução veio do Sr. Prefeito. Topou, POR CONTA DO DINHEIRO PÚBLICO, CLARO, adquirir equipamentos que deixem "legado". Ora, mas que legado, Sr. Prefeito? Será que da noite para o dia o Município passou a precisar de detectores de metais, refletores, geradores de energia elétrica, tendas ... quanta coincidência, tudo o que estava lá na relação das estruturas temporárias! E a lei de diretrizes orçamentárias? Será que Porto Alegre não tem outras prioridades?

As dúvidas não param por aí. Quem vai comprar os equipamentos? Haverá licitação? O Município vai cedê-los gratuitamente a um particular? E a depreciação? Vai comprar novos e receber usados? Numa análise superficial, vê-se potencial fraude à lei de licitações e improbidade administrativa.

É verdade que o Sr. Prefeito acautelou-se e buscou a benção do Ministério Público Estadual do RS e do Ministério Público do Tribunal de Contas do Estado, duas instituições que têm por função zelar pela coisa pública. Pelo que se noticia, a benção foi, pasme-se, dada.

A propósito, nos assuntos da Copa, o comportamento dos dois MPs citados acima tem causado certa estranheza na sociedade gaúcha, para não dizer perplexidade, pela demasiada flexibilidade no trato da coisa pública pela qual deveriam zelar, contrariando todo um histórico dessas instituições.

Alguém poderia dizer: mas aqui nós somos diferentes. É verdade, em termos de Copa do Mundo e de atuação dos nossos MPs, a frase é correta. Temos sido BEM DIFERENTES. Enquanto no resto do país, como resultado do Fórum Nacional de Articulação das Ações do MP na Copa do Mundo houve o ajuizamento de inúmeras ações judiciais pelo MPF e MP estaduais para impedir o uso de recursos públicos - em ESTÁDIOS PÚBLICOS - para custeio das estruturas temporárias sob o fundamento de NÃO DEIXAR LEGADO e NÃO HAVER INTERESSE PÚBLICO, nosso MPRS e o MP do TCE admitiram dinheiro público custeando parte dessas despesas EM ESTÁDIO PARTICULAR. Que diferença abissal de postura!

Já dizia Nelson Rodrigues, a unanimidade é burra. E como o RS sempre foi diferente, não poderia deixar de sê-lo neste caso. Aqui, o engambelado é o povo!

O Projeto de Lei de Tarso: dinheiro público no Beira-Rio

Não bastasse o Sr. Prefeito ter nos empurrado essa conta indigesta estimada em R$ 5 milhões, o Sr. Governador Tarso Genro encaminhou a Assembleia Legislativa o "Projeto de Lei nº 17/2014" para fechar a conta dos R$30 milhões.

Com respaldo da mídia, o governo estadual vendeu à população a ideia de que se trata de meros "incentivos fiscais" de ICMS para beneficiar a empresa que invista nas estruturas temporárias. ENGODO e MENTIRA DESLAVADA! O projeto NÃO prevê nenhuma isenção de ICMS! O assalto aos cofres públicos é infinitamente mais grave.

Fosse mera isenção fiscal, a lei diria não incidir ICMS na compra dos equipamentos adquiridos. O benefício seria de no máximo 33% do custo de aquisição de equipamento que, logicamente, gerasse o imposto. Não poderia ser aproveitado, por exemplo, nos gastos com aluguel de estruturas, operação na qual não incide ICMS.

Ocorre que o projeto do Sr. Tarso cria um benefício muito maior que uma mera isenção fiscal. Na prática, ele transfere ao Estado 100% dos custos das estruturas, que eram contratualmente do SCI. Isso se dá pela possibilidade do investidor compensar 100% do valor que gastar no Beira-Rio com ICMS que ele dever ao Estado.

Um ESCÁRNIO com os gaúchos! Fosse um Estado de finanças pujantes, com precatórios em dia, que pagasse salários dignos a professores, policiais... com estradas duplicadas e bem asfaltadas, com escolas reformadas, com hospitais bem equipados... Mas não, não temos nada disso. Nossa situação é crítica e perdemos ano a ano espaço na economia do País.

Alternativas menos ou nada lesivas ao erário: por que não?

Superada a "pars destruens", passemos à "pars construens" para que a argumentação seja completa, onde citaremos alternativas às soluções apresentadas pelo Prefeito e pelo Governador, que nos parecem por demais lesivas a patrimônio público já muito combalido.

Uma delas é tão óbvia que cai de maduro: ao invés de bancar a despesa sem qualquer contrapartida, por que não EMPRESTAM o dinheiro? Que não invoquem vedação legal. O argumento seria teratológico, risível, bisonho, ilógico. Empréstimo não é despesa a fundo perdido, como previsto no projeto de Tarso.

Outra alternativa: por que o SCI não cede os direitos de uso e exploração sobre os 4,3 hectares que o Município concedeu-lhe pelo prazo de 20 anos, sem licitação?

Vamos além: por que o SCI não cede os direitos de exploração que lhe sobraram no Beira-Rio? Por que não cede os direitos de exploração do Gigantinho? Ou da marca?

Alternativas não faltam. Difícil acreditar tenham sido de pronto descartadas pelos administradores públicos.

Esperamos que nossos deputados tenham mais parcimônia no trato da questão - que governos estadual e municipal não tiveram - e não se sujeitem a pressões de setores cujo interesse é apenas o de lucrar com a Copa às custas do que é de todos e ao mesmo tempo não é de ninguém - o dinheiro público.

23 de fevereiro de 2014

Daniel Matador: Uma obra do barulho

Caros

Um famoso jornalista local gosta de contar histórias do Cazaquistão. Pois nós vamos contar uma hoje. A nossa é do Uzbequistão, e foi contada por um Uzbequistanês. Fala ele:


"O tema Copa do Mundo no Uzbequistão tem suscitado acalorados debates durante as últimas semanas na Província de Termiz. Após o advento da construção da Arena do Miogre, famoso time do meu país, natural que o outro time corresse atrás, para tentar não ficar na poeira, como sempre ocorreu na nossa história. No Uzbequistão todo mundo sabe que o ICS só construiu o Estádio dos Liptoseuca por conta da existência do Estádio da Alteada, a primeira casa do Miogre, localizada onde hoje é uma das
áreas mais nobres da cidade, o Parque Ventilador de Tashkent. Também o Estádio Ribeirinho de Tashkent foi construído em virtude da anterior existência do Estádio Olímpico Tashkent. Nada mais corriqueiro, portanto, que ocorresse um movimento semelhante agora. Desta vez, contudo, não houve a construção de um novo local, e sim a reforma de um já existente. Não entraremos aqui nos pormenores que já são de conhecimento público, como o fato de que não seria possível para o ICS conseguir negociar a atual localização por outra e afins, terreno público e tal e coisa. Porém, antes de qualquer início de conversa, gostaria de esclarecer alguns importantes pontos.

  1. A Arena do Miogre é o estádio mais fantástico que já existiu em solo Uzbeque. Quem disser o contrário é um lunático.
  2. O Ribeirinho, tão logo conclua sua reforma, certamente ficará muito melhor do que era.
  3. Não tenho nenhum, e ressalto, NENHUM sentimento em relação ao Ribeirinho. É o estádio do outro time, não dos miogristas. Os miogristas têm orgulho da Arena, uma obra que não pode ser comparada com a do Icsistas, por mais que muitos tentem fazer isso.
  4. Incomoda MUITO aos bons cidadãos do Uzbequistão saber que os governos do seu país disponha-se a botar dinheiro do povo nas obras do Ribeirinho, em especial em muito faladas "estruturas provisórias". E quando falo de dinheiro público, estou falando inclusive de isenções fiscais, nada mais do que um embuste para mascarar a injeção direta. Façam a reforma do jeito que quiserem, mas não usem o MEU DINHEIRO pra isso!
  5. Um contrato foi assinado pelo ICS para ter a Copa. Deve portanto ser cumprido. Nele, o detentor do local (no caso, o ICS) deveria providenciar as tais "estruturas provisórias". CUMPRA-SE! Não venham com o papinho de renegociar porque estão sentindo-se lesados e não sabiam o que estavam assinando! E antes que alguém venha com o furado argumento de que o Miogre também renegociou o contrato com a SAO, explico pela milésima vez: era um contrato entre DOIS PARTICULARES!!! NÃO HAVIA DINHEIRO PÚBLICO ENVOLVIDO NOS ITENS RENEGOCIADOS!!! Acho que não precisa desenhar, né?"
Dito isto, passemos ao tema deste post. Na antiga e agora praticamente inexistente MTV, tínhamos um esquete de humor chamado Hermes e Renato. Este pessoal, lá no idos de 2007, pegava obscuros filmes, editava algumas cenas, inseriam uma redublagem por cima e com isso criavam um curta metragem de humor simplesmente fantástico, sem relação nenhuma com a história original. Um destes filmetes foi feito a partir do original de 1967, chamado A Mortalha da Múmia, e recebeu o excelente título de Uma Obra do Barulho. O vídeo mostrava um trambiqueiro que tentava montar uma obra faraônica sem ter dinheiro para isso. Não é preciso nem dizer as falcatruas que fazia para tentar concluir a construção. Quem ainda não viu, sugiro entrar no Youtube e dar muitas risadas com esta obra-prima do cinema nonsense.

Pois me lembrei deste filme justamente por conta de algumas situações que chegaram esta semana ao blog por meio de nossas fontes. Obviamente que os blogueiros possuem suas profissões e contatos de mercado (ou vocês achavam que a gente vivia de escrever aqui no blog?) e isso faz com que possamos ter acesso a dados e informações que muitos não possuem (ou não querem correr atrás). Já colocamos as redações de jornal Uzbeques em polvorosa com os mais recentes posts publicados a respeito de documentos que obtivemos com exclusividade. E, diferentemente de quem tem preguiça de correr atrás da informação ou tem rabo preso, aqui tentamos sempre mostrar o que acontece e não é publicado na mídia tradicional.

Por conta de uma informação recebida pelo blog, fomos atrás para averiguar uma denúncia velada. Os entulhos oriundos da reforma 
do estádio apontado para a Copa no Uzbequistão, com o desmonte de praticamente toda a estrutura existente, foram em enorme quantidade e ainda aumentam em profusão. O contratante da reforma, no caso, o ISC, solicitou à empresa contratada, no caso, a GEA, que efetuasse o recolhimento dos mesmos. Esta, por sua vez, argumentou que este serviço não estava no escopo do contrato. Pois o ICS correu atrás de orçamentos de empresas de tele-entulho para efetuar o serviço. E aí bateu o pavor! Os orçamentos giravam na casa de 2 a 3 MILHÕES DE REAIS!!! Como sabemos disso? Porque uma fonte muito fidedigna teve acesso aos orçamentos das empresas envolvidas. O que fez o contratante que não tem onde cair morto? Foi chorar as pitangas no governo, atitude tomada desde sua fundação. E aí novamente tivemos a informação sobre a forma de recolhimento dos entulhos. A Prefeitura de Tashkent, por meio de seus recursos de capatazia (caminhões, pessoal, etc.) teria feito a enorme gentileza de poupar os combalidos cofres Icsianos desta despesa. Passando por cima da legislação, a qual é bastante clara neste sentido, conforme disposto no próprio site da Prefeitura e Lei Municipal:
“Os resíduos de construção civil, de demolições e os resultantes da escavação de solos devem ser dispostos em locais adequados às normas previstas na Resolução nº 307, de 5 de julho de 2002, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e conforme a Lei Municipal 10.847/2010 que Institui o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil do Município de Tashkent. De acordo com a Resolução e a Lei Municipal, a responsabilidade pelo descarte desses resíduos é dos próprios geradores, exceto para pequenos geradores com descargas máximas de até 0,5 metro cúbico por dia, que podem ser destinadas à Unidade Destino certo do Projeto Ecopontos.”
Ou seja, caro leitor: se você fizer uma obra na sua casa, terá de pagar para retirar os entulhos. No caso do ICS, a própria Prefeitura teria ido lá e feito este grande favor, economizando alguns milhões e novamente dando mais uma forcinha. 



De quem é este entulho? (foto meramente ilustrativa)

Ah, mas eles não poderiam ter feito o recolhimento, pagando por isso? Poderiam, não. Deveriam. Porém... tiveram um pequeno imprevisto, também repassado com exclusividade para o blog, que piorou um pouco a situação do caixa.

Todo o cabeamento para transmissão de dados em HD para a Copa no Uzbequistão teve de ser feito do zero, visto que nada disso existia antes. Pois o clube, malandro que é, resolveu economizar e comprou o fio mais barato que apareceu na frente. Só que eles não contavam com a inspeção da toda-poderosa dona FIFA, cujos técnicos avaliaram a especificação e qualidade dos mesmos e ordenaram a substituição pelo modelo top de mercado, muito mais caro, mas que estava desde o início na especificação da obra. Um prejuízo que teria sido compensado com o recolhimento dos entulhos pela amigona Prefeitura de Tashkent.

Recebemos também um depoimento em sigilo envolvendo um dos responsáveis pela área de Trânsito da Prefeitura (não estamos envolvendo diretamente o nome do órgão vinculado por solicitação da fonte). Esta pessoa deu um PARECER TÉCNICO CONTRÁRIO à invasão da Rua Pastor Índio pelas obras do Ribeirinho. Pois aí se iniciou o inferno. Na semana seguinte, esta pessoa teria sido chamada para uma reunião a portas fechadas com a Prefeitura e os responsáveis pelo órgão, sendo “aconselhada” a rever sua decisão técnica. Obviamente que, para manter seu emprego e não sofrer represálias, teve de ceder. Para bom entendedor, meia palavra basta. Não vou nem citar aqui o nome que se dá a este tipo de situação, pois todo mundo sabe.

Por último, outra informação repassada ao blog diz respeito ao sistema de esgoto. Como propagandeado largamente pela imprensa isenta do Uzbequistão, houve um aumento no número de pontos de desova. Traduzindo, aumentaram o número de banheiros e assentos sanitários. Contudo, não teriam sido realizadas obras de porte no intuito de receber o aumento de geração de resíduos naturalmente provocado por isso. Quem já viu uma obra civil de porte sabe como funciona. Se em um prédio há 12 apartamentos, se executa a construção de um número suficiente de coletores, com tamanho adequado para receber o montante de resíduos gerado. Se um outro prédio possui 48 apartamentos, não dá pra utilizar a mesma estrutura. Traduzindo novamente, no caso do Ribeirinho: se muita gente resolver fazer o nº 2 ao mesmo tempo, vai dar merda, literalmente. Apesar de que tem uma galera por lá que curte mesmo fazer isso em cadeiras."

Estas são algumas outras informações relevantes que envolveriam:

  1. Uso de dinheiro público de forma ilegal, e portanto, sujeito a ressarcimento ao erário pelos responsáveis.
  2. Mais uma demonstração da malandragem de porta de igreja do dono da Copa, que acabou não dando certo.
  3. Violação da legislação sobre meio-ambiente com consequências funestas ao longo do tempo.
Os fatos são estes. Se houver algum órgão público do Uzbequistão encarregado da fiscalização do uso de recursos públicos ou da preservação ambiental realmente preocupado com os objetivos do órgão que paga seus salários, há elementos suficientes para iniciar investigação.

Se houver também, algum jornalista de um órgão da imprensa Uzbeque que pode pesquisar e publicar sobre este assunto, sinta-se à vontade. Material e interesse do público não faltará sobre os temas acima. E se o patrão não deixar, pelo menos a consciência do dever cumprido com profissionalismo recompensará.

Que fique muito claro, novamente: eu, como cidadão uzbequistanês não estou preocupados com a forma como o ICS vai reformar seu estádio. Façam do jeito que quiserem. Mas não utilizem os recursos públicos para isso! E quando se fala de recursos, refere-se não apenas à injeção direta de dinheiro, mas à utilização de recursos materiais, pessoais, equipamentos e afins. A esfera federal exerceu influência direta para que a reforma saísse. Isto foi divulgado sem o mínimo pudor pela mídia comum, como se fosse algo muito natural. As esferas estadual e municipal cuidaram de impedir que surgisse uma opção alternativa que não custasse nada aos cofres públicos. Os órgãos de fiscalização parecem anestesiados, seja por pressão política, seja por paixão clubística.

Aos blogueiros independentes, entre os quais nos incluímos, cabe denunciar e registrar. Se nada acontecer para a correção do problema, fica pelo menos registrado para a posteridade.

Agradecemos a oportunidade dada pelo blog para divulgar mais este problema do Uzbequistão."

Saudações Imortais

22 de fevereiro de 2014

Dá gosto de ver jogar

Grêmio 3 x 0 Novo Hamburgo

Pré jogo

Mais um jogo para testar alternativas. Hoje as atrações são o Geromel na zaga, o Alán Ruiz e o Dudu. Os dois últimos já estrearam. Ruiz pareceu tímido no primeiro jogo mas mostrou que sabe. Dudu, baixinho e gordinho entrou com desenvoltura e parece ser uma boa alternativa para o ataque.

O adversário é fraco, como todos do Noveletão, mas nem por isto deixará de ser um bom teste.

Primeiro tempo: 2 x 0


O
Grêmio começou controlando as ações com boas jogadas e aos 5 minutos Barcos quase fez de fora da área. Na cobrança do escanteio, pênalti em Geromel. Barcos bateu com categoria fazendo o primeiro gol do Grêmio.

Aos 8 minutos Edinho errou de cima. Um minuto depois Dudu recebeu um belo passe de Barcos, entrou sozinho e deslocou do goleiro fazendo o segundo.
O jogo estava muito fácil.
E com os 2 x 0 o time deu uma compreensível freada. Passou a tocar a bola mais lentamente e com isto as chances de gol escassearam.
Ao 27 minutos Luan fez fila e passou a Ruiz que dominou, cortou o zagueiro e bateu muito forte por cima. 
Dois minutos depois foi a vez de Barcos fazer o goleiro trabalhar. 
E um minuto mais tarde o Novo Hamburgo chegou pela primeira vez com perigo. A bola foi cruzada e passou rasteira por toda a pequena área. E mais um minuto para Grohe fazer uma defesa extraordinária em chute quase a queima roupa.
Aos 44 minutos Ruiz bateu uma falta onde tem de bater: na marca do pênalti. E quase foi gol.

Um início fulminante com dois gols em 10 minutos. Depois a partida controlada já evitando desgastes.
É nítido olhando o time em campo que os jogadores sabem onde se posicionar e o que fazer. Mesmo jogando com seis reservas a mecânica de jogo se repetiu.
O Novo Hamburgo é fraco, mas isto não invalida a boa movimentação do time. Problemas só no miolo da zaga em duas ou três jogadas.
Alán Ruiz foi muito discreto. Fez uma boa jogada mas ainda não deslanchou. 

Segundo tempo: 1 x 0


Aos dois minutos do segundo tempo Barcos dominou na área e foi puxado. Pênalti não marcado.

O time voltou com mais vontade e aumentou a pressão sobre o Novo Hamburgo.
Pará deu uma meia lua de 2 quilômetros mas deu azar na cruzada.
Aos 9 minutos uma grande jogada de Dudu, Barcos e especialmente de Luan que driblou um zagueiro, o goleiro e, perdendo o ângulo, deu com açúcar para o Barcos fazer o terceiro.
O jogo continuou muito bom de ver com jogadas bonitas.
Aos 27 minutos quase gol do Novo Hamburgo. Bressan salvou sobre a linha.
Aos 30 minutos Dudu de novo entrou pela esquerda e deu para Alán Ruiz bater forte. A bola bateu num zagueiro e saiu rente à trave.
Aos 43 minutos Maxi deu uma bomba para difícil defesa do goleiro.
E o jogo terminou. .....

A direção do Grêmio, quieta, sem nenhum alarde, levando pau de muito afobado foi montando um time e trazendo jogadores que aos poucos estão mostrando que tem um potencial imenso. Maxi, Ramiro, Wendell, Breno, Alán Ruiz, Dudu, Luan, Deretti e outros dão a certeza de que podemos ter expectativas grandes para o ano. Também destaque especial para o Enderson Moreira que está dando mecânica de jogo e tranquilidade para os jogadores jogarem o que sabem.
Este time do Grêmio empolga. Dá gosto de ver jogar.

E amanhã mais um post importante no Imortal Tricolor.
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Os números da Arena

Público Pagante: 6.971 

Público Não Pagante: 2.827 
Público Total: 9.798 
Renda: R$ 199.796,00
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Como jogaram


Grohe: Uma defesa excepcional no primeiro tempo.
Pará: O de sempre.
Bressan: Foi bem, mas deu alguns balões desnecessários.
Geromel: Foi bem mas mostrou que lhe falta ritmo de jogo.
Bruno: Mais um guri desassombrado que não teme jogar em time grande.
Edinho: Tentou fazer um golaço e mandou para fora do estádio. Mas foi bem fazendo aquilo para o que foi contratado.
Leo Gago: Não pode ser titular, mas é um jogador muito útil. 
Alan Ruiz: Não foi mal, mas ainda não deslanchou. Melhorou no segundo tempo mostrando mais confiança.
Luan: Joga muito bem sempre. Saiu ovacionado.
Dudu: Um gol de categoria e muita movimentação. Algumas jogadas de efeito. Joga sempre para a frente.
Barcos: A cada dia joga melhor. E está empilhando gols. O melhor em campo.
.....

Maxi Rodriguez (Luan):  Teve pouco tempo mas fez algumas boas jogadas assim como errou alguns passes.
Adriano (Edinho): Entrou para poupar Edinho para a terça-feira.
Jean Deretti (Alán Ruiz): Sem tempo.

Enderson Moreira: aos poucos está ganhando o respeito e a admiração da torcida.
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Arbitragem: Vinicius Costa - Foi bem.

21 de fevereiro de 2014

Um desabafo do cidadão Roberto Minuzzi

Ah!...como sonhei com este momento! Quantas vezes na minha vida perguntei ansioso para o meu pai quando teria uma Copa do Mundo ou Olimpíada no Brasil!? E de repente, o meu sonho de guri se realiza e, em um intervalo de dois anos, tem Copa e Olimpíada no Brasil! Sorte do meu filho, que acompanhará esses eventos com pura inocência.Como eu gostaria de ser criança ainda...

Simplesmente ficar encantado com a Copa, imaginando os craques que eu colecionava nas figurinhas pisando e jogando aqui...e mais: meu país com o técnico que eu tanto admiro e com um possível novo craque da Copa. Se eu já me emocionei realizando meu sonho de ver a seleção ao vivo, depois de 31 anos, quando jogou na Arena contra a França... Sonho que meu filho realizou com sete .   Mas, infelizmente, com trinta e dois anos sou obrigado a acompanhar todas as movimentações da Copa. E me entristece, me enche de raiva, de frustração, de vergonha, me deixa indignado e sei lá mais o quê, ver o que acontece. Pior! Ver acontecer o que já se sabia que iria acontecer... Quando o Brasil foi sorteado, tenho certeza que todos vibramos, gritamos como um gol! E quando o grito acabou, soltamos o ar e pensamos: o quanto vão roubar de dinheiro não vai ser brincadeira...

Dói ver tudo isso acontecer. Como desportista e apaixonado por futebol, dói muito. Já vi esse filme acontecer no pan-americano do Rio. Eu fui o último corte da seleção brasileira de vôlei e acompanhei tudo. Obras atrasando para conseguir um dinheirinho extra. Delegações chegando com  prédios sendo pintados, outros inacabados. Amigos da seleção com vergonha da recepção que era dada aos forasteiros.  Confundem-me os sentimentos que tenho por essa Copa. Passa-me, como apaixonado, a vontade que tudo se resolva... Mas me passa como cidadão brasileiro, a oportunidade de uma mudança no comportamento de todos. E eu vou tentar explicar esse sentimento.   

Joguei uma temporada na Grécia, no Panathinaikos. Em uma semana lá, percebi num dia que muitas casas colocaram a bandeira da Grécia na janela. A cidade ficou forte com aquela demonstração de patriotismo. E eu me senti um péssimo patriota. Na verdade me senti um verdadeiro  brasileiro com a pergunta que fiz a um jogador grego. O diálogo foi mais ou menos assim: 
-Vai ter jogo da seleção grega de futebol aqui?
-Não, por quê?
-Porque todo mundo colocou bandeiras nas janelas...
-Ah! Porque hoje é o dia do não. Dia que dissemos não para a Itália e os expulsamos da Grécia em (bom, me deu uma aula com datas e fatos)
- É que no Brasil, só vejo bandeira quando tem futebol (completamente envergonhado)
A Grécia comemorou mais alguns dias do não. Foi um país que foi invadido por todo mundo. E a cada guerra, se renovava o espírito patriota. 
Um ano depois da minha saída, estourou a crise financeira na Grécia e um e-mail que recebi deste amigo dizia: “Acho que chegou a hora de lutarmos novamente e nos regenerar!”  
Isso ficou na minha cabeça. Aqueles gregos iam pra rua por qualquer desvio de conduta de algum político, padre ou policial. Ou cidadão. Aqui temos provas claras de roubos, de mensalões, de superfaturamentos... Nós sabemos disso e nunca fizemos nada. Agora, se o técnico do time perde alguns jogos, todos vão ao portão do clube xingar e pedir mudanças!
Aqui no Brasil não se tem essa paixão pelo país como os gregos tem. Aqui tem pelo futebol. E assim eu explico meu sentimento de cidadão. A única maneira do povo se indignar, abrir os olhos, se sentir envergonhado pela roubalheira é vendo a podridão dos nossos líderes contagiando o meio do futebol. Aí vai mexer na paixão do brasileiro. 
E não devo estar muito equivocado nessa ideia, pois foi bem na época da Copa das Confederações que todos foram as ruas. Cada um com a sua causa, seu propósito. Mas o que atiçou todos foi ver materializado ali, um evento, estádios novos, jogadores milionários, obras superfaturadas, dinheiro público jorrando ali, na cara de todos. E quando cada um olhava para si, via na sua família ou ali no vizinho, alguém que se F*** bonito porque não tinha vaga no posto de saúde, ou não tinha segurança na rua, ou não tinha professor na escola, ou o salário era uma vergonha, ou os impostos eram muitos, ou, ou ,ou.....  
Dói ver que 30 milhões são aprovados assim, em 12 horas como pediu o bonitão da FIFA. 
Se cria uma lei, baseada em outra que foi feita para o esporte amador copiando uma lei de incentivo  a cultura. Lutamos anos para essa lei sair. Saiu. 
Nós do vôlei de Canoas, temos metade do salário para receber quando nosso projeto que está esperando liberação  há algum tempo for ativo. Estamos desde Julho jogando e a temporada acaba agora em Março. E ainda nada. Tenho medo que agora com esse repasse, justamente na isenção do ICMS,  não veja nem a cor. Mas o que mais dói como cidadão é ver o post dos colorados que trabalham no TCE, MP e sei la mais que siglas e que, na cara de pau, vestem a camiseta do time para trabalhar. 
É tanta coisa que me deixa transtornado, que o seu Algoz me pediu um post para falar do Grêmio
Eu comecei a escrever com a ideia de somente  comentar o post destes babacas no poder, mas estou até agora vomitando meu nojo no meu computador. 
Gente, não tem como não passar por um hospital lotado, um posto de saúde que atende só a emergência da emergência e não ficar com esses R$ 30 milhões na cabeça. 
Não tem como ver ruas desertas de polícia e não pensar nestes R$ 30 milhões. 
Não tem como ver os próprios policiais, médicos, professores sem estrutura pra trabalhar e não pensar nesses R$ 30 milhões. 
Não tem como aceitar estes R$ 30 milhões, ainda mais sabendo que são 30 agora e já foram quantos mais... 
Quero, pelo meu filho, que de tudo certo na Copa porque ele ama futebol. Mas se o pau quebrar, se passarmos vergonha, se o povo se rebelar em prol de mudanças de verdade, também quero que isso aconteça pelo mesmo filho (e pelas 3 filhas), pois é a chance que teremos, de nos regenerar, como disse meu amigo grego. 
Um abraço a todos, e em breve escrevo sobre o nosso time que tem me deixado feliz pela postura e pela velocidade (até que enfim!).

Minuzzi


20 de fevereiro de 2014

Um craque se molda

Caxias 2 x 3 Grêmio

Pré jogo

Uma pausa nas safadezas para mais um jogo com os titulares. Não me agrada. Poderiam jogar com um time misto.

Mas é mais uma chance de melhorar o entrosamento, desde que não haja uma carnificina e não saia ninguém machucado.

Enquanto isto, os formidáveis políticos brasileiros encontraram a solução para o assalto planejado aos cofres públicos. E em menos de uma hora foi apresentado um projeto de lei que isenta em R$ 25 milhões a empresa que pagar as "estruturas provisórias" do
Remendão Pataxó.

Como a economia está crescendo espantosamente e como R$ 25 milhões é um trocadinho merreca, até sexta-feira ou mais tardar segunda haverá fila de empresas na porta do Remendão para pegar a barbadinha.
Espera-se que não seja a CEEE, a Corsan, a Petrobrás, a Previ ou outra empresa privada destas.

Primeiro tempo: 2 x 2


O jogo iniciou com o Grêmio confirmando a principal virtude apresentada no jogo de Montevidéu: posse de bola e muita tranquilidade para sair para o ataque. Parece que a transição direta da defesa para o ataque foi aposentada.

E logo surgiu a primeira chance. Aos 7 minutos Luan cortou para dentro e da lateral da área pela esquerda tentou por no canto oposto do goleiro. A bola saiu por cima. A melhor jogada poderia ter sido cruzar.
E aos 18 minutos, depois de uma série de ataques sem complementação, Luan, que espetáculo de jogador!, deu um lançamento sensacional para Zé Roberto que só empurrou para dentro na saída do goleiro.
Dois minutos depois a defesa falhou coletivamente e saiu o gol de empate. Foi a primeira vez que o Caxias chegou no ataque. E gostou, porque 1 minuto depois quase virou. Busatto espalmou.
E mostrou que tinha gostado mesmo, 3 minutos depois. Em escanteio contra o Grêmio, o jogador cabeceou dentro da pequena área com 4 zagueiros ao seu redor e com o goleiro olhando como um palerma.
1 x 2 contra em um jogo onde o controle havia sido total até os 20 minutos.
Aos 30 minutos uma blitz na área do Caxias culminou com um chute de Luan em que o goleiro fez grande defesa, no rebote Werley sozinho chutou um cima do goleiro.
O Grêmio retomou o controle e aos 33 minutos Luan, sempre ele, deu um passe para Barcos que da quina da grande área bateu encobrindo o goleiro. Um golaço!
E pela segunda vez teve avalanche em Caxias. Só na Arena não pode.
Com o empate o time deu uma freada e nada mais aconteceu no primeiro tempo.

Um primeiro tempo esquisito. Controle absoluto menos durante 5 minutos, quando o Grêmio levou dois gols e quase levou o terceiro.
Boa movimentação do time com destaque especialíssimo para Luan. A defesa falhou feio nos dois gols e Zé Roberto foi um pouco melhor do que nos outros jogos. Wendell mais uma vez foi destaque. 

Segundo tempo: 0 x 1


O segundo tempo começou com o Caxias mais em cima, mas aos 4 minutos Busatto fez um lançamento da área do
Grêmio que encontrou Barcos entrando livre. O centro-avante encobriu o goleiro com categoria e fez o seu quinto gol no ano.

Com o gol o Caxias tentou reagir mas não levava perigo. E o Grêmio tentava fazer o quarto mas não conseguia complementar as jogadas de ataque.
O jogo continuou morno e sem grandes jogadas até os 20 minutos. Foi quando entrou Dudu no lugar de Ramiro.
E Dudu, baixinho e gordo, entrou agitadinho. E logo fez uma boa jogada que Barcos cabeceou no travessão.
Depois entrou pela área e deu uma bomba para grande defesa do goleiro.
Aos 32 minutos em contra-ataque Luan errou por 10 centímetros um passe que deixaria Barcos pronto para seu terceiro gol.
Edinho com cartão amarelo, saiu para entrar Leo Gago
Embora o Grêmio tivesse o domínio e estivesse mais próximo do gol, futebol pode sempre apresentar surpresas e aos 37 minutos o Caxias teve uma boa chance.
Alan Ruiz entrou aos 39 minutos no lugar de Zé Roberto.
No final Busatto ainda fez uma defesa espetacular.
E foi isto.
 .....
Um bom jogo, em que o time teve 5 minutos de bobeira.

O ruralito serve para isto mesmo. Engrenar as peças e dar ritmo de jogo após a volta das férias.
Ainda se observa falhas individuais e coletivas. Mas é evidente a melhora da movimentação e de alguns jogadores.
Barcos parece ter finalmente chegado. Luan é craque. A maior notícia no futebol brasileiro deste ano. E é nosso.
_____

Como jogaram


Busatto: Para o meu gosto poderia ter pegado as duas bolas em que tomou gol. No segundo tempo foi bem. Fez uma defesa milagrosa no último minuto depois de falhar na saída.
Pará: Falhou no primeiro gol e, como sempre, foi dispersivo no ataque.
Werley: Falhou os dois gols e ainda errou um gol feito.
Rhodolfo: Foi mal hoje.
Wendell: A cada dia joga com mais naturalidade. Um craque.
Edinho: Discreto mas efetivo na defesa.
Ramiro: Se movimentou muito mas errou vários passes.
Riveros: Um pouco apagado.
Zé Roberto: Fez um gol e se movimentou mais. Mas continua jogando para os lados.
Luan: Passaram por ele todas as jogadas de ataque do time. Está ficando repetitivo e chato,mas foi outra vez o melhor do time.
Barcos: Dois golaços e muita movimentação. O melhor depois de Luan.
.....

Dudu (Ramiro): Muito ágil, aumentou a rotação do time.
Leo Gago (Edinho): Sem tempo.
Alán Ruiz (Zé Roberto): Sem tempo. 

Enderson Moreira: A cada dia o time mostra mais mecânica de jogo. Isto é trabalho de treinador.
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Arbitragem: Jean Pierre - Não teve nenhum lance em que pudesse sacanear o Grêmio.

19 de fevereiro de 2014

Mais uma vergonha para baixo do tapete

O post sobre o poder público mais fanático do Brasil, parece, está atingindo alguns objetivos, embora a imprensa, com exceção, parece, do Rogério Mendelsky, o tenha ignorado completamente. Normal e esperado. Não era este o objetivo e muito menos a esperança. Estes estão comprados e entregam religiosamente a mercadoria.
Podem ler hoje os principais jornais gaúchos. Algumas manchetes:
Planta mostra o que a Fifa pretende para o Beira-Rio e seu entorno durante a Copa  (ClicRBS)
"Não pode jogar no estádio mais charmoso do mundo", ironiza Abel Braga (Correio do Povo)
Chinelo arremessado na Arena pode custar até R$ 100 mil ao Grêmio (Correio do Povo)
Não. Embora tenhamos sido informados que  alguns desdobramentos aconteceram a partir do post sobre a tentativa de assalto aos cofres públicos em outras esferas, o assunto hoje não é a Copa do Mundo e esta tentativa. É outro, e por isto, a manchete do chinelo aparece aí em cima.
Não vi o jogo do timinho ontem. Apenas pequenos flashes. Mas vi no twitter algumas coisas de arrepiar.
Se vocês quiserem detalhes façam o que pede o twitter abaixo:


Pois é. Oito torcedores do Juventude foram atacados e roubados por mais de oitenta torcedores do glorioso Internacional. Foram feridos. Fizeram B.O.
A única voz da imprensa que levou mais a sério isto foi o Lucianinho, após o jogo no twitter (@lucianoperico). Recomendo fortemente a leitura da TL dele.
Parece que faz parte da blindagem evitar toda e qualquer notícia negativa em relação ao time do aterro. Talvez quando morrer alguém, vítima destes marginais a coisa mude. Também nisto não levo muita fé.
Enquanto isto, um chinelo atirado a campo para festejar um pênalti é manchete todos os dias, com sugestão de penas altíssimas.
Talvez caiba um post do Daniel Matador com o título de Assim Caminha a Humanidade.

18 de fevereiro de 2014

Nervos de aço

De volta para o meu aconchego, bastaram trinta minutos na internet para que a imersão de desinfecção a que submeti meus neurônios durante quinze dias fosse neutralizada.
Baixou uma névoa cinza e por alguns instantes fiquei baqueada até mesmo tremilique com o nervosismo. Só então dei-me conta de que não estava mais de férias, em paz espiritual intensa. Sim, estava de volta ao Brasil, o país da vigarice e do mau caratismo.
Para ser brasileiro é preciso ter nervos de aço. Não é para qualquer um. O Brasil não é um país para iniciantes. Ser brasileiro exige malabarismos filosóficos e sociológicos diários que levam ao mais alto nível de estresse mental. São tantas as incongruências, que um pensamento reto e lógico não acostumado as nossas pirotecnias mentais, não resiste saudável.
O povo brasileiro é um povo mentalmente doente. Não é à toa os altos índices de depressão, ansiedade, pânicos e fobias com os consultórios psiquiátricos lotados.

Diante do post de ontem do seu Algoz (abaixo), foi impossível calar.
É quase insano diariamente ter de manejar a vida com notícias sobre vigarices, pilantragens, corrupção e todo tipo de maus "feitos".
Impressionante a desfaçatez  e esperteza para dar o bote no dinheiro público que deveria ir para educação, saúde e segurança. Essas sim, as verdadeiras obrigações do Estado.
Por outro lado, eu fiquei muito feliz com a possibilidade aventada pelo presidente do Sport Clube Internacional e gostaria de vê-la implementada:  o cancelamento dos jogos da Copa do Mundo em Porto Alegre. Seria a coisa mais sensata a ser feita. Seria ótimo escaparmos incólumes do fiasco que será esse evento. E serão muitos, a começar pela mão grande dos comerciantes gananciosos que abaterá os turistas estrangeiros um a um. Mas é claro que essa idéia não passa de balão de ensaio (é parte da estratégia usada por vigaristas para conseguir seu intento).
Mas por mim, está decidido: sem Copa do Mundo no Rio Grande do Sul. Isso nos pouparia uma grande dose de energia tentando encobrir e explicar ao mundo todos os fiascos e falhas que estão desenhadas para acontecer.
Neste exato momento, diante do descalabro que tem acontecido em torno da construção dos "modernos estádios" com a conivência dos três poderes (incluindo-se aí o Ministério Público), sinto-me envergonhada de ser brasileira.
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Voltando ao Grêmio, que é o que realmente interessa aqui neste blog, já li e não acreditei:
           
                    1) Máxi Rodriguez, começa o ano de 2014 na reserva.
                    2) Ainda não foi assinado o novo contrato entre Grêmio e OAS.

Mas esses são assuntos para outro post.
Para depois que me recobrar das notícias sobre as vigarices de uns e outros.


16 de fevereiro de 2014

O poder público mais fanático do Brasil

Fanatismo e poder

Uma pesquisa recente da Pluri Consultoria, apontou a nossa torcida como a torcida mais fanática do Brasil. Alguém, no twitter, referiu que o RS tem, também, o poder público mais fanático do Brasil.
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A expressão da paixão

Governo Federal, Governo Estadual, esferas do Poder Municipal, todos trabalharam e continuam trabalhando arduamente para conceder benefícios ao clube do "estádio da Copa". Neste circo, já tivemos altos escalões de Brasília dando xeque-mate na Andrade Gutierrez, para que a empresa desistisse de defender os seus interesses no negócio do estádio, Governador interferindo na gestão operacional de banco, secretário municipal defendendo a invasão da rua pela construção.

Esta é só uma pequena amostra de tudo que já se viu, em termos de atropelos à lei, à probidade, ao bom senso, e, também, à inteligência da população que paga impostos. Tudo para favorecer um ente privado, objeto de paixão exacerbada, por quem deveria, em primeiro lugar, zelar com responsabilidade pelos bens e recursos públicos colocados sob sua jurisdição. Este compromisso está implícito no ato da investidura em cargos de administração pública e é parte inalienável do dever dos governantes e de quem exerce cargo público. Vê-se bem que não é o que se vê.
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A Arena e seus percalços

A obra da Arena do Grêmio enfrentou e enfrenta inúmeros percalços. Obstáculos de toda espécie são colocados não só por pessoas que tem o dever de zelar pelo ambiente e pelo patrimônio público, mas também por entes públicos e políticos interessados em melar, atrapalhar, complicar, enfim, dificultar o desenvolvimento e a operação do empreendimento.

Alguns exemplos de ações de zelo, podem ser vistos aqui:

1) Tribunal, MP de Contas e Tribunal de Contas questionam prefeitura;
2) Ministério Público pede à prefeitura suspensão obras no entorno da Arena;
3) Juiz determina esclarecimentos sobre Arena.
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A nova ameaça

Na sexta-feira, 14/02, o mundo amanheceu perplexo. Porto Alegre e o povo gaúcho, que já "perderam" a Copa das Confederações, correm o risco de, pasmem, "perder também a Copa do Mundo". Esta foi a mensagem de alerta e pânico passada a todos nós por Giovanni Luigi, o presidente dos lonáticos. Já pensaram? Não é mesmo o fim da Copa do Mundo? Motivo: o time do estádio da Copa não tem dinheiro para pagar as estruturas temporárias do evento.

Não, não é esta a nova ameaça a que me refiro. A real, a verdadeira ameaça é a tentativa que se constrói de, uma vez mais, a estrutura montada no poder público mais fanático do Brasil, entrar em campo para assaltar os cofres dos governosEles querem empurrar as despesas pelas quais se comprometeram para serem os donos da Copa (veja imagem) para nós.

A Copa é vossa? Então, paguem por ela.

A campanha no meio político e na mídia já começou. Uma pequena amostra:
1) "Provas" de que a Prefeitura e o Estado devem pagar;
2) O contrato é "dúbio";
3) Uma vez mais, políticos ameaçam abrir as pernas o bolso do erário;
4) A Copa "ameaçada";
5) As tetas dos cofres públicos ao alcance da mão grande;

Sugar dinheiro público exige método e há quem o domine. Vejam, nas imagens abaixo, uma demonstração cabal de como funciona e como tem canais poderosos e longo alcance a máquina de usar influência política para fins nada nobres. A capa e a reportagem vinculada da ZH deste domingo é um ato pensado de uma estratégia maior, para envolver a Presidente na questão das estruturas provisórias. A segunda imagem, conteúdo parcial da reportagem da mesma ZH, mostra o ponto a que chegou a pressão sobre a empresa e a manobra para "sensibilizar" Dilma. Houve um tempo no qual a RBS entendia que tráfico de influência era prática nociva. No caso em tela, a prática é exaltada. Perdeu-se a ética na redação.

Capa no calor da "polêmica" das estruturas temporárias.

Matéria da Zero Hora de domingo, 16/02/2014.

Mas também temos pessoas atentas e que buscam esclarecimentos. O jornalista Ígor Póvoa, por exemplo, buscou informações junto a Secretaria Extraordinária da Copa 2014, SECOPA e recebeu mail de Aline Peixoto Rimolo, da Assessoria de Comunicação, com esclarecimentos que reproduzimos e transcrevemos parcialmente, pela qualidade da imagem:


Sobre a questão da rubrica "ESTRUTURAS TEMPORÁRIAS COPA 2014", o valor de R$ 22.673.400,00, constante no orçamento da Prefeitura Municipal de Porto Alegre para o corrente ano, cabe destacar que ela refere-se, conforme descrição da própria peça orçamentária, a estruturas temporárias nos períodos de abrangência dos diversos pontos oficiais do evento, portanto não se referindo diretamente ao Estádio Beira-Rio.
A utilização planejada pela Prefeitura desses recursos, caso seja necessária, se dará em atividades de responsabilidade por cidade, como as estruturas físicas da FANFEST, que também conta com outra rubrica para a execução operacional de serviços [...]
De outra parte, o Portal da Transparência mostra que não está prevista nenhuma despesa do Governo do Estado ou da Prefeitura com as tais "estruturas provisórias", ao contrário do que os espertos querem fazer a opinião pública crer. Confira neste link.
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O que nos resta?

O assalto está planejado, com todo o apoio necessário ao sucesso dos grandes assaltos. A nós, resta esperar que o Ministério Público, em suas várias esferas, não permita que isso corra. A preocupação com a probidade esteve presente em várias matérias com links postados acima, dos quais reproduzimos algumas partes para melhor situar o leitor sobre alguns dos nomes estão zelando pelas coisas públicas.

Fernanda Ismael é adjunta de Geraldo Costa da Camino


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Nilson de O. Rodrigues Filho é Promotor de Defesa do Patrimônio Público.





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Alexandre Saltz é Promotor de Defesa do Meio Ambiente

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Trabalho é trabalho. Lazer é lazer

Um ponto positivo adicional dessas pessoas citadas acima, que estão cuidando para que a OAS e a Arena não avancem sobre recursos públicos, é que eles gostam de futebol e, por isso, entendem a alma do torcedor. Isso faz com que tenhamos tranquilidade para que o assalto engendrado no caso das estruturas provisórias não passe de uma tentativa frustrada de nos impingir prejuízos permanentes. Nas legendas de alguma imagens há links para as fontes. Outras são encontradas no Face Book ou em sites de busca.

O que faz nas horas vagas Geraldo Costa da Camino

Clique aqui para ver na fonte.


Clique aqui para ver na fonte.


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O que faz nas horas vagas Nilson de Oliveira Rodrigues Filho

Clique aqui para ver na fonte.










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O que faz nas horas vagas Alexandre Saltz

Clique aqui para ler na fonte.


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