1 de junho de 2008

E agora, doutor?



Tem uma classe que treinadores que sofre uma espécie de síndrome. Esta síndrome pode ser expressa nas frases: "Estou vencendo, doutor. E agora, o que é que eu faço?". Eles ficam ansiosos, não pelo fim do jogo, quando a vitória se materializa. Se o jogo está no primeiro tempo, é da doença ansiar pelo intervalo. E é no intervalo, quando o plantel está totalmente à disposição, que o sintoma mais característico da síndrome aflora com todo o vigor: o medo de estar vencendo.
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Diz a sabedoria popular, num dito que vale não só para os esportes, mas para qualquer área que atue em regime de competição: "Em time que está ganhando, não se mexe". É preciso entender o alcance completo da frase. Não se trata de não mexer para o próximo evento, para o próximo jogo. A regra vale, com muito mais força, para o evento que está a se desenrolar. Não se vira as costas para as razões de uma vitória parcial.
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"Em time que está ganhando, não se mexe". A síndrome apaga esta sapiência elementar. Os que dela sofrem ejetam da memória o porquê de estar ganhando e só pensam em "segurar o resultado". Quase nunca conseguem.
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Outra manifestação da síndrome é imputar a terceiros distantes o resultado final obtido:
  • "Eles vieram pra cima".
  • "É natural que eles passassem a atacar".
Ou para terceiros próximos:
  • "O time recuou muito".
Este é o rito final, à espera do próximo ataque da síndrome.
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Deixamos 3 pontos no Rio. Quando se começa a largar pontos no caminho, pode-se acabar nas mãos da bruxa, como no conto "João e Maria". Se passarmos a freqüentar a zona de não-Libertadores 2009, alguém vai ter que mostrar o dedinho. Só que aí, a "bruxa" vai ser outra e essa usa óculos.